Polícia
por Lavínia Manso
Publicado em 07/07/2026, às 06h40
A Polícia Civil do Amazonas (PCAM) prendeu, na manhã desta segunda-feira (6), em Manaus, o professor de jiu-jítsu Carlos Vieira Holanda, investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e exploração sexual de adolescentes.
O suspeito estava foragido há mais de um mês e é apontado pelas autoridades como responsável por abusar de pelo menos sete alunas e intermediá-las com empresários em troca de vantagens financeiras.
A prisão foi realizada por agentes da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), após um cerco montado na residência do investigado. Segundo a polícia, ele havia modificado a estrutura do imóvel para facilitar uma possível fuga.
No momento da abordagem, o professor tentou escapar pelos telhados das casas vizinhas. Ele pulou para a laje da residência, onde havia instalado tábuas para facilitar a evasão, mas acabou cercado pelos policiais, que já haviam mapeado a área e posicionado equipes em pontos estratégicos.
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Polícia investiga esquema de exploração sexual
De acordo com as investigações, o caso vai além dos abusos cometidos pelo próprio professor. A Polícia Civil do Amazonas afirma que o suspeito utilizava as adolescentes em um esquema de exploração sexual, oferecendo as vítimas a empresários e patrocinadores em troca de benefícios financeiros.
Os investigadores apontam que uma das jovens teria sido obrigada a se encontrar com um empresário e produzir conteúdo sexual em troca de vantagens oferecidas por apoiadores ligados ao esporte. Os empresários citados no inquérito já foram identificados e também deverão responder criminalmente.
Ainda conforme a apuração, o suspeito costumava apresentar as adolescentes como "meninas novas" no meio esportivo, atraindo o interesse de patrocinadores e utilizando sua posição de professor para facilitar os encontros.
Promessas de ajuda no esporte atraíam as vítimas
A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente informou que o professor se aproximava das adolescentes com promessas de quimonos, auxílio financeiro e pagamento de inscrições em campeonatos. Sob esses pretextos, ele levava as jovens para locais inadequados, incluindo hotéis, onde os abusos teriam sido praticados.
Até o momento, sete adolescentes foram identificadas como vítimas, mas as autoridades acreditam que o número de jovens atingidas pelo esquema possa ser maior. A PCAM reforçou o pedido para que outras possíveis vítimas procurem a delegacia e registrem denúncia.
As adolescentes relataram que somente encontraram coragem para denunciar os crimes após a repercussão de outros casos de violência sexual no meio esportivo. Segundo os depoimentos, o investigado usava sua influência no esporte para intimidar as vítimas e minimizar a gravidade das condutas.
Suspeito ficou em silêncio durante depoimento
Durante a operação, um homem que estava na residência tentou correr para avisar o professor sobre a chegada dos policiais, mas foi contido pelos agentes. A polícia informou que todas as pessoas que ajudaram a esconder o foragido serão investigadas.
Após ser levado para a sede da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente, Carlos Vieira Holanda exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o depoimento formal. De maneira informal, ele apenas alegou ser inocente.
Questionado pelos policiais sobre o motivo de ter permanecido foragido se não devia nada à Justiça, o investigado preferiu não responder. A PCAM destacou que o caso é tratado como um episódio isolado e ressaltou que o esporte continua sendo um ambiente saudável, apesar de criminosos tentarem se aproveitar dessas estruturas para cometer abusos.
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