Polícia
por José Nilton Jr.
Publicado em 03/06/2026, às 12h36
Uma mulher de 37 anos de idade confessou ter se passado por uma adolescente de 12 anos e vivido como filha adotiva de uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina. A mulher chegou a ganhar uma festa para celebrar o suposto aniversário de 12 anos, segundo a Polícia Civil. Ela foi presa na última terça-feira (2) suspeita de estelionato e falsa identidade.
A família acolheu a mulher em casa por 1 ano e dois meses, acreditando que ela tinha fugido do Pará por sofrer maus-tratos, e acabou se envolvendo emocionalmente com a "menina". A mulher dizia se chamar Gabriele e passou a ser tratada como filha. A suspeita não teve o nome verdadeiro divulgado.
Além da festa, "Gabriele" ganhou remédio para emagrecer, de acordo com o delegado, e um quarto com decorações e brinquedos infantis.A família procurou a polícia após a denúncia de um parente levar à descoberta do crime.
A investigação descobriu que a mulher é reincidente nessa modalidade de golpes, tendo registros em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a mulher chegou até a família após procurar uma igreja em Joinville e relatar ao pastor ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. Sem documentos e se passando por adolescente, ela foi acolhida pela comunidade religiosa, que a ajudou financeiramente.
A família que a adotou também frequenta a igreja. Para sustentar o disfarce e justificar a aparência adulta, ela alegava falsamente ser portadora de autismo e de outras condições clínicas. Dizia ainda que os traços adultos eram decorrentes do uso forçado de hormônios na infância, quando teria sido abusada.
Ela também tinha comportamentos infantilizados e usava mamadeiras, chupetas e um "cheirinho" para dormir, conforme a polícia. A investigação apurou que "Gabriele" forjava crises de pânico à noite, afinava a voz e simulava carência para conseguir atenção. "A menina não ia para a escola porque conseguiu convencer a família adotiva de que, se fosse para a escola, o 'pai abusador' saberia onde ela está", comentou o delegado.
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