Polícia

Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC; veja detalhes da investigação sobre esquema milionário

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A Operação Vérnix, realizada pelo MPSP e Polícia Civil, prendeu Deolane Bezerra e desmantelou esquema de lavagem de dinheiro do PCC  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Redes sociais

Publicado em 21/05/2026, às 07h56   Malu Machado



Na manhã desta quinta-feira (21), uma ação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagrou a Operação Vérnix. A ofensiva, que mira um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), resultou na prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra.

A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca, apreensão e bloqueios de bens. Entre os alvos com ordens de prisão emitidas, estão a cúpula da facção e seus parentes:

  • Marco Herbas Camacho (Marcola): considerado o chefe supremo do PCC. Ele e seu irmão, Alejandro Camacho (também alvo), já cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília e serão formalmente notificados sobre os novos decretos de prisão preventiva no sistema carcerário.
  • Everton de Souza ("Player"): apontado como o operador financeiro do esquema. Mensagens interceptadas revelam "Player" dando ordens sobre a distribuição de dinheiro e indicando contas de destino para os repasses.
  • Paloma Sanches Herbas Camacho: sobrinha de Marcola. Localizada em Madri, na Espanha, ela é apontada como a intermediária nos negócios da família.
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho: também sobrinho de Marcola. Localizado na Bolívia, ele é apontado pelas investigações como o destinatário final do dinheiro lavado.
Marcola cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília e foi alvo de nova ordem de prisão preventiva. Foto: Reprodução/Internet
Marcola cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília e foi alvo de nova ordem de prisão preventiva. Foto: Reprodução/Internet

Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter seu nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol. No entanto, ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20) e foi detida.

Os agentes realizam buscas na residência da influenciadora em Barueri (SP) e em outros endereços ligados a ela. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos (considerado filho de criação de Deolane) e um contador também são alvos das ordens de busca e apreensão.

A estrutura do esquema

O coração do esquema criminoso operava por meio da Lado a Lado Transportes (também registrada como Lopes Lemos Transportes), uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP).

Controlada pela cúpula do PCC, a empresa era utilizada como fachada para lavar ativos da facção.

Evolução da investigação

A atual Operação Vérnix é o desdobramento final de uma linha investigativa iniciada há sete anos, dividida em três fases originadas por inquéritos policiais sucessivos:

  • O início (2019): a Polícia Penal apreendeu bilhetes e manuscritos em posse de dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os papéis continham ordens internas do PCC, contatos com o alto escalão e planos de atentados violentos contra servidores públicos. Os dois presos foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal. Nos bilhetes, chamou a atenção a menção a uma “mulher da transportadora”, encarregada de levantar os endereços dos agentes públicos para os ataques.
  • Operação Lado a Lado (2021): o segundo inquérito identificou a transportadora em Presidente Venceslau como o braço financeiro da facção. Na ocasião, o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como o operador central e homem de confiança de Marcola e Alejandro, foi apreendido. Lemos comprava caminhões, movimentava os recursos da liderança e administrava o patrimônio deles. Ele e sua esposa encontram-se foragidos.
  • Operação Vérnix (2026): a perícia no celular de Ciro revelou comprovantes de depósitos diretos que beneficiavam as contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza. Descobriu-se que a influenciadora mantinha estreitos vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora, desencadeando a ação atual para sufocar o esquema multimilionário.

O papel de Deolane

O cruzamento de dados bancários efetuado pelo MPSP e pela Polícia Civil apontou que Deolane Bezerra era beneficiária direta de repasses financeiros vindos do caixa do PCC, camuflados por meio da transportadora Lopes Lemos.

Veja registro da operação na casa da influenciadora:

Para os investigadores, a forte projeção pública de Deolane, suas empresas formais e sua movimentação de patrimônio de alto padrão eram utilizadas propositalmente como camadas de aparente legalidade para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

As transações suspeitas mapeadas pelas autoridades dividem-se em dois principais mecanismos:

  • Técnica de Smurfing: entre os anos de 2018 e 2021, a conta bancária física de Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 por meio de depósitos em espécie fracionados em valores inferiores a R$ 10 mil (estratégia utilizada para burlar os alertas automáticos dos órgãos de controle). O intermediário dessa operação era Everton de Souza, o "Player", que direcionava o dinheiro para os chamados “fechamentos” mensais.
  • Empresa de Fachada na Bahia: duas empresas em nome de Deolane receberam quase 50 depósitos que somaram R$ 716 mil. O dinheiro partiu de uma empresa registrada como banco de crédito, cujo responsável oficial é um morador da Bahia que possui renda declarada de apenas um salário mínimo por mês.

A polícia apontou que as contas de débito de Deolane e de suas firmas não registraram nenhum tipo de pagamento ou contraprestação a esses supostos créditos recebidos.

Além disso, a quebra de sigilo não identificou nenhuma prestação de serviço advocatício que justificasse os montantes recebidos, o que configurou forte indício de ocultação e dissimulação de recursos.

Bloqueios milionários e decisão judicial

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça de São Paulo determinou o confisco imediato de bens e valores do grupo investigado:

→ R$ 357,5 milhões em bloqueios de ativos financeiros gerais;

→ Bloqueio de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões;

→ Bloqueio específico de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra, montante cuja origem legal não foi comprovada pela investigada.

Ao decretar as prisões preventivas, o magistrado responsável destacou que os investigados demonstravam capacidade de continuar operando a engrenagem criminosa mesmo de dentro dos presídios, gerando risco iminente de destruição de provas e embaraço às investigações.

O Judiciário concluiu que medidas cautelares alternativas seriam ineficazes diante da sofisticação e ao alto risco de fuga e ocultação de patrimônio internacional do grupo.

Classificação Indicativa: Livre

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