Polícia
O Ministério Público do Rio Grande do Norte lançou a Operação Ventania para desmantelar um esquema de fraudes na Prefeitura de Caiçara do Rio do Vento, envolvendo desvio de recursos e contratos públicos irregulares.
As investigações revelaram um núcleo familiar e empresarial que utilizava empresas de fachada para simular serviços e movimentar recursos públicos de forma irregular, com transações financeiras atípicas chamando a atenção dos investigadores.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em várias cidades, e o material coletado será analisado para identificar novos envolvidos e a extensão dos prejuízos, com a possibilidade de novas fases da operação.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou, nesta terça-feira (16), a Operação Ventania, com o objetivo de desarticular um suposto esquema criminoso instalado na Prefeitura de Caiçara do Rio do Vento, no interior potiguar.
A investigação aponta indícios de fraudes em contratos públicos, desvio de recursos e ocultação de valores por meio de empresas interligadas.
A apuração é conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça e indica a prática de crimes como contratação direta ilegal, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.
Mandados cumpridos em várias cidades
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em prédios públicos, residências e empresas localizadas no Rio Grande do Norte e na Paraíba.
As diligências ocorreram nos seguintes locais:
- Prefeitura de Caiçara do Rio do Vento
- Câmara Municipal de Bento Fernandes
- Residências e empresas em:
- Natal
- Parnamirim
- Caiçara do Rio do Vento
- Bento Fernandes
- Galinhos
- João Pessoa (PB)
A ação mobilizou 10 promotores de Justiça, 37 servidores do MPRN e 40 policiais militares, com apoio do Gaeco do Ministério Público da Paraíba.
Grupo familiar e empresarial no centro do esquema
Segundo o MPRN, o esquema investigado teria sido estruturado por um núcleo familiar e empresarial, que atuava de forma articulada por meio da criação e utilização de múltiplas empresas, algumas delas classificadas como de fachada.
Essas empresas seriam usadas para:
- Firmar contratos suspeitos com o poder público
- Simular prestação de serviços
- Movimentar recursos públicos de forma circular
- Dissimular a origem e o destino do dinheiro
No centro da investigação estão contratações diretas realizadas pela Prefeitura, especialmente por meio de dispensa e inexigibilidade de licitação, consideradas irregulares pelos investigadores.
Movimentações financeiras chamaram atenção
A análise bancária identificou operações financeiras atípicas e vultosas, consideradas incompatíveis com a natureza dos contratos. Um dos exemplos citados na investigação aponta:
- Saque de R$ 730 mil da conta da principal empresa de contabilidade do grupo
- Depósito simultâneo do valor em conta de uma empresa recém-criada
Essa empresa é apontada como instrumento de fachada, criada exclusivamente para ocultar a origem ilícita dos recursos públicos desviados.
Material apreendido será analisado
Todo o material recolhido durante a operação — documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros — será submetido à análise técnica do MPRN. O objetivo é identificar:
- A participação de novos envolvidos
- A extensão do prejuízo aos cofres públicos
- A ocorrência de outros crimes além dos já apurados
As investigações seguem em andamento, e novas fases da operação não estão descartadas.
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