Polícia
Publicado em 24/04/2026, às 07h04 Malu Machado
Um crime de extrema crueldade contra animais chocou Manaus e ganhou repercussão nacional nos últimos dias.
Jefferson Buhler Figliuolo, de 35 anos, foi identificado e preso após invadir propositalmente uma calçada com seu carro para atropelar uma matilha de cães comunitários no bairro Parque Dez de Novembro, na Zona Centro-Sul da capital amazonense.
O ataque, registrado por câmeras de segurança na última quarta-feira (22), resultou na morte imediata de uma cadela e deixou outros cinco animais feridos. Após audiência de custódia, a Justiça do Amazonas decidiu manter a prisão preventiva do suspeito.
As imagens de monitoramento são fortes. O vídeo mostra o grupo de cães deitados tranquilamente na calçada da rua Adauto Uchôa quando um veículo branco surge em alta velocidade. Sem hesitar, o motorista desvia o carro em direção aos animais, subindo na calçada e passando por cima da matilha.
Com o impacto, um dos cães chega a ser arremessado. De acordo com a Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet), dois cães seguem internados no Hospital Público Veterinário do Amazonas, enquanto os demais sofreram ferimentos leves e seguem sob observação.
Os animais eram "cães comunitários", cuidados coletivamente por moradores da região que forneciam água, comida e abrigo.
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Jefferson Figliuolo foi localizado e preso na madrugada de quinta-feira (23) no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Ele já estava na área de embarque, aguardando um voo com destino a São Paulo, o que caracterizou uma tentativa de fuga logo após o crime.
O que mais impressionou as autoridades e a população foi a postura do agressor no momento da prisão. Em vídeos que viralizaram nas redes sociais, Jefferson aparece sendo confrontado por populares e não demonstra qualquer sinal de arrependimento.
Veja momento em que o homem é abordado:
"Se não tivesse 20 cachorros na minha rua, isso não ia acontecer", afirmou ele, de forma fria, chegando a declarar que, "se pudesse, faria de novo".
Durante a abordagem, o suspeito ainda debochou das pessoas que o chamavam de "assassino", sugerindo que um dos homens presentes "precisava de um Rivotril".
O caso está sob responsabilidade da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente e Urbanismo (DEMA), com apoio da Delegacia Especializada em Crimes contra o Turista (DECCT) e da Polícia Militar.
A manutenção da prisão preventiva reforça a gravidade da conduta. Pela Lei Sansão (Lei 14.064/20), o crime de maus-tratos contra cães e gatos prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda.
No caso de Jefferson, a pena pode ser aumentada devido à morte de um dos animais e pelas lesões causadas aos outros cinco.
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