Polícia
Depois de quase quatro décadas de buscas, um dos casos mais antigos ligados à lista de procurados da Interpol chega a um desfecho. A prisão de Marcos Campinha Panissa, condenado pelo assassinato da ex-mulher Fernanda Estruzani, encerra uma longa trajetória de fuga e reacende discussões sobre impunidade, violência contra a mulher e cooperação internacional.
A captura ocorreu no dia 15 de abril de 2026, na cidade de San Lorenzo, no Paraguai, mas ganhou repercussão nacional nesta semana. A operação foi conduzida com apoio da Polícia Federal do Brasil e de autoridades paraguaias, após novas pistas sobre o paradeiro do condenado.
Durante mais de 20 anos, Marcos viveu no Paraguai usando o nome José Carlos Vieira. Levava uma rotina considerada comum: era comerciante, possuía bens e mantinha uma vida familiar estruturada, sem levantar suspeitas.
A prisão aconteceu de forma direta. Ao sair de um estabelecimento, ele foi abordado por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai. O momento foi marcado pela reação inesperada do suspeito ao ouvir seu verdadeiro nome.
Segundo o ministro Jalil Rachid, que acompanhou a operação, a reação foi imediata e reveladora: ele demonstrou surpresa e ficou paralisado, como alguém que não era chamado daquela forma havia décadas.
O crime que chocou o país
O caso remonta a agosto de 1989, em Londrina, no Paraná. Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi assassinada dentro de casa com 72 golpes de faca. Marcos, à época com 23 anos, não aceitava o fim do relacionamento.
O crime ocorreu horas após uma discussão. Ele deixou o local inicialmente, mas retornou à noite e invadiu o apartamento usando uma cópia da chave. Fernanda foi atacada enquanto se preparava para dormir.
Naquele período, o crime foi enquadrado como homicídio, já que o feminicídio ainda não existia como tipificação penal no Brasil. O caso gerou forte comoção pública e mobilizou protestos.
Julgamentos, recursos e fuga prolongada
Marcos chegou a se apresentar à polícia meses após o crime e confessou a autoria. Em 1991, foi condenado a mais de 20 anos de prisão. No entanto, utilizou mecanismos legais da época para recorrer e conseguiu responder em liberdade.
Um segundo julgamento reduziu a pena, mas a decisão foi anulada. Em 1995, ele deveria enfrentar um novo júri, mas não compareceu e passou a ser considerado foragido.
Somente em 2008, já com mudanças no Código de Processo Penal, foi julgado à revelia e condenado a 19 anos. Ainda assim, nunca foi localizado — até agora.
Família no Paraguai descobre verdade
Durante o período em que viveu fora do Brasil, Marcos formou uma nova família. Ele se casou, teve uma filha e construiu patrimônio.
Segundo as autoridades paraguaias, tanto a esposa quanto a filha desconheciam completamente o passado dele. A revelação causou forte impacto emocional, especialmente na filha, que reagiu com choque ao descobrir a verdadeira identidade do pai.
Cooperação internacional foi decisiva
A prisão só foi possível após troca de informações entre autoridades brasileiras e paraguaias. Em 2025, surgiram indícios mais concretos de que ele estaria no Paraguai.
A partir disso, foi montada uma operação de inteligência que cruzou dados até chegar à identidade falsa utilizada por Marcos. A ação, batizada de “Memento Mei”, simboliza a ideia de que crimes como esse não devem ser esquecidos.
Após a detenção, ele foi expulso do Paraguai por situação irregular e entregue às autoridades brasileiras na fronteira. O mandado de prisão foi cumprido imediatamente.
Defesa tenta revisão da pena
A defesa do condenado já sinalizou que pretende recorrer da decisão. O advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna afirmou que não há contestação sobre a autoria do crime, mas busca uma revisão da pena.
O objetivo é reduzir a condenação para um patamar semelhante ao definido em um dos julgamentos anteriores.
Justiça tardia, mas efetiva
Para o Ministério Público, o caso representa um exemplo de que o tempo não elimina a responsabilidade penal. A captura, mesmo após 37 anos, reforça a ideia de continuidade das investigações e compromisso com as vítimas.
A história de Fernanda Estruzani volta ao debate público como símbolo de um problema que ainda persiste: a violência motivada por relações afetivas e a dificuldade de aceitar o fim de um relacionamento.
Classificação Indicativa: Livre
Modo Karaokê
som poderoso
Notebook Poderoso
famoso copo
Smartwatch top