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Conheça o assassino que matou a ex-mulher com 72 facadas e estava foragido há 37 anos; saiba como a PF agiu em parceria com a Interpol na captura internacional

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O crime brutal de 1989 chocou o Brasil, revelou o assassino cruel e levantou questões sobre impunidade e violência contra a mulher  |   BNews RN - Divulgação Foto: Divulgação/SENAD
Redação

por Redação

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Publicado em 23/04/2026, às 07h42



Depois de quase quatro décadas de buscas, um dos casos mais antigos ligados à lista de procurados da Interpol chega a um desfecho. A prisão de Marcos Campinha Panissa, condenado pelo assassinato da ex-mulher Fernanda Estruzani, encerra uma longa trajetória de fuga e reacende discussões sobre impunidade, violência contra a mulher e cooperação internacional.

A captura ocorreu no dia 15 de abril de 2026, na cidade de San Lorenzo, no Paraguai, mas ganhou repercussão nacional nesta semana. A operação foi conduzida com apoio da Polícia Federal do Brasil e de autoridades paraguaias, após novas pistas sobre o paradeiro do condenado.

Durante mais de 20 anos, Marcos viveu no Paraguai usando o nome José Carlos Vieira. Levava uma rotina considerada comum: era comerciante, possuía bens e mantinha uma vida familiar estruturada, sem levantar suspeitas.

A prisão aconteceu de forma direta. Ao sair de um estabelecimento, ele foi abordado por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai. O momento foi marcado pela reação inesperada do suspeito ao ouvir seu verdadeiro nome.

Segundo o ministro Jalil Rachid, que acompanhou a operação, a reação foi imediata e reveladora: ele demonstrou surpresa e ficou paralisado, como alguém que não era chamado daquela forma havia décadas.

A captura ocorreu no dia 15 de abril de 2026, na cidade de San Lorenzo, no Paraguai, mas ganhou repercussão nacional nesta semana.
A captura ocorreu no dia 15 de abril de 2026, na cidade de San Lorenzo, no Paraguai, mas ganhou repercussão nacional nesta semana.

O crime que chocou o país

O caso remonta a agosto de 1989, em Londrina, no Paraná. Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi assassinada dentro de casa com 72 golpes de faca. Marcos, à época com 23 anos, não aceitava o fim do relacionamento.

O crime ocorreu horas após uma discussão. Ele deixou o local inicialmente, mas retornou à noite e invadiu o apartamento usando uma cópia da chave. Fernanda foi atacada enquanto se preparava para dormir.

Naquele período, o crime foi enquadrado como homicídio, já que o feminicídio ainda não existia como tipificação penal no Brasil. O caso gerou forte comoção pública e mobilizou protestos.

O caso remonta a agosto de 1989, em Londrina, no Paraná. Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi assassinada dentro de casa com 72 golpes de faca.
O caso remonta a agosto de 1989, em Londrina, no Paraná. Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi assassinada dentro de casa com 72 golpes de faca.

Julgamentos, recursos e fuga prolongada

Marcos chegou a se apresentar à polícia meses após o crime e confessou a autoria. Em 1991, foi condenado a mais de 20 anos de prisão. No entanto, utilizou mecanismos legais da época para recorrer e conseguiu responder em liberdade.

Um segundo julgamento reduziu a pena, mas a decisão foi anulada. Em 1995, ele deveria enfrentar um novo júri, mas não compareceu e passou a ser considerado foragido.

Somente em 2008, já com mudanças no Código de Processo Penal, foi julgado à revelia e condenado a 19 anos. Ainda assim, nunca foi localizado — até agora.

Família no Paraguai descobre verdade

Durante o período em que viveu fora do Brasil, Marcos formou uma nova família. Ele se casou, teve uma filha e construiu patrimônio.

Segundo as autoridades paraguaias, tanto a esposa quanto a filha desconheciam completamente o passado dele. A revelação causou forte impacto emocional, especialmente na filha, que reagiu com choque ao descobrir a verdadeira identidade do pai.

Segundo as autoridades paraguaias, tanto a esposa quanto a filha desconheciam completamente o passado dele.
Segundo as autoridades paraguaias, tanto a esposa quanto a filha desconheciam completamente o passado dele.

Cooperação internacional foi decisiva

A prisão só foi possível após troca de informações entre autoridades brasileiras e paraguaias. Em 2025, surgiram indícios mais concretos de que ele estaria no Paraguai.

A partir disso, foi montada uma operação de inteligência que cruzou dados até chegar à identidade falsa utilizada por Marcos. A ação, batizada de “Memento Mei”, simboliza a ideia de que crimes como esse não devem ser esquecidos.

Após a detenção, ele foi expulso do Paraguai por situação irregular e entregue às autoridades brasileiras na fronteira. O mandado de prisão foi cumprido imediatamente.

Defesa tenta revisão da pena

A defesa do condenado já sinalizou que pretende recorrer da decisão. O advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna afirmou que não há contestação sobre a autoria do crime, mas busca uma revisão da pena.

O objetivo é reduzir a condenação para um patamar semelhante ao definido em um dos julgamentos anteriores.

A defesa do condenado já sinalizou que pretende recorrer da decisão. O advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna afirmou que não há contestação sobre a autoria do crime, mas busca uma revisão da pena.
A defesa do condenado já sinalizou que pretende recorrer da decisão. O advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna afirmou que não há contestação sobre a autoria do crime, mas busca uma revisão da pena.

Justiça tardia, mas efetiva

Para o Ministério Público, o caso representa um exemplo de que o tempo não elimina a responsabilidade penal. A captura, mesmo após 37 anos, reforça a ideia de continuidade das investigações e compromisso com as vítimas.

A história de Fernanda Estruzani volta ao debate público como símbolo de um problema que ainda persiste: a violência motivada por relações afetivas e a dificuldade de aceitar o fim de um relacionamento.

Classificação Indicativa: Livre

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