Polícia

Checagem: Flávio Bolsonaro erra sobre 8 de Janeiro, Banco Master e tributos em entrevista à TV Globo

Foto: reprodução/TV Globo
Durante sabatina, Flávio Bolsonaro apresentou informações distorcidas sobre Banco Master e ataques de 8 de janeiro de 2023.  |   BNews RN - Divulgação Foto: reprodução/TV Globo
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 29/08/2026, às 09h36



Durante sabatina transmitida pela TV Globo na noite de sexta-feira (28), o candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, cometeu deslizes factuais e apresentou informações distorcidas ou sem embasamento ao tratar de temas como as investigações do Banco Master, os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, tributação de empresas e mudanças climáticas.

O levantamento realizado pelo núcleo de checagem do jornal O Estado de S. Paulo (Estadão Verifica) confrontou as declarações do postulante ao Palácio do Planalto com documentos oficiais, dados estatísticos e investigações da Polícia Federal (PF).

Banco Master e o filme sobre Jair Bolsonaro

Ao ser interpelado sobre os desdobramentos de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, Flávio sustentou que uma perícia técnica teria comprovado a ausência de verba pública no filme Dark Horse, obra sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Avaliação da checagem: Falta contexto. A perícia apresentada pela produtora GoUp Entertainment debruçou-se apenas sobre valores privados desembolsados diretamente por ela, sem auditar a origem dos repasses do fundo norte-americano Havengate Development, que recebeu US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) de aportes de Vorcaro e é o foco principal das apurações da Polícia Federal.

  • Patrocínio à imprensa: o candidato alegou que o banco havia destinado R$ 160 milhões ao programa de Luciano Huck e R$ 50 milhões ao evento do jornal Valor Econômico. A checagem classificou a alegação como sem evidências, uma vez que os números citados pelo senador baseiam-se em estimativas não comprovadas de mercado e divulgações de bastidores.
  • Reunião com Lula: Flávio apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria prometido intervir a favor de Vorcaro junto ao Banco Central. A afirmação foi considerada enganosa, já que os relatos da imprensa registram que o chefe do Executivo indicou que a questão deveria ser tratada de forma estritamente técnica pela autoridade monetária.

Atos de 8 de Janeiro e a atuação de Mauro Cid

O senador voltou a minimizar os atos violentos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, alegando inexistência de organização prévia ou porte de armamentos nas sedes dos Três Poderes.

  • Avaliação da checagem: falso. Provas colhidas pela Polícia Federal, imagens de segurança e relatórios do Supremo Tribunal Federal (STF) comprovaram planejamento coordenado, apreensão de armas brancas e caseiras, além do furto de armas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e apreensões de armamento de fogo com financiadores dos atos.
  • Depoimentos de Mauro Cid: Flávio afirmou que a Justiça desconsiderou uma fala do tenente-coronel Mauro Cid de que "nunca houve discussão de golpe". A checagem considerou o ponto enganoso, lembrando que a delação premiada homologada pelo STF detalha reuniões, análises da chamada "minuta do golpe" e menções diretas à tentativa de ruptura institucional.

Carga tributária, urnas e clima

Em questões voltadas à economia, sistemas institucionais e meio ambiente, o parlamentar também apresentou distorções:

  • Tributação empresarial: Flávio declarou que as empresas brasileiras são as mais tributadas do mundo. O dado é falso; de acordo com o ranking global da Tax Foundation, o Brasil ocupa a 130ª posição entre 226 territórios avaliados.
  • Urnas eletrônicas: o candidato sustentou nunca ter questionado a segurança das urnas fora o episódio envolvendo a empresa Smartmatic. A checagem classificou como falso, resgatando declarações públicas e postagens de Flávio em 2018 desconfiando abertamente da apuração eletrônica.
  • Mudança climática: ao atribuir as alterações de temperatura prioritariamente a ciclos da natureza, a declaração foi rotulada como enganosa, haja vista o consenso consolidado do Painel Intergovernamental da ONU (IPCC) de que a atividade humana é o fator determinante do aquecimento global.

Classificação Indicativa: Livre

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