Polícia

Acusado de feminicídio, tenente-coronel é aposentado pela PM; relembre o caso

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Dentro da hierarquia militar, essa ação se assemelha à aposentadoria. O tenente-coronel permanece detido preventivamente desde o dia 18 de março  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Internet
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 10/06/2026, às 15h53



A Polícia Militar de São Paulo divulgou o documento que torna oficial a passagem para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso sob a acusação de feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e por fraude processual.

Dentro da hierarquia militar, essa ação se assemelha à aposentadoria. Ele permanece detido preventivamente desde o dia 18 de março. A formalização da medida foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta terça-feira (9), com assinatura do coronel Antonio Thomazelli Júnior, diretor de Inatividade e Pensão Militar.

Embora a decisão já tivesse sido anunciada anteriormente por ato administrativo, somente agora passou a valer oficialmente. Com a publicação, o oficial acusado passa a fazer parte da reserva da corporação, mantendo vínculo previdenciário enquanto os processos judicial e administrativo seguem em andamento.

Advogado da família critica medida

A decisão provocou reação do advogado Miguel José da Silva Junior, representante da família da soldado Gisele Alves Santana. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou ter ficado surpreso com a rapidez da corporação em conceder a passagem para a reserva.

Segundo o advogado, a medida transmite a impressão de que benefícios estariam sendo assegurados ao oficial mesmo diante da gravidade das acusações.

Caso ganhou repercussão após laudos

A soldado Gisele Alves Santana, esposa do tenente-coronel, foi encontrada morta em 18 de fevereiro deste ano dentro do apartamento do casal, na capital paulista, com um disparo na cabeça.

Inicialmente, o oficial acionou os serviços de emergência e informou às autoridades que se tratava de um suicídio. Posteriormente, a investigação passou a tratar o caso como morte suspeita.

Laudos produzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) apontaram sinais de agressão incompatíveis com a hipótese de suicídio. Desde o início, familiares da vítima contestaram a versão apresentada pelo militar.

PM afirma que medida segue a legislação

Em nota, a Polícia Militar informou que a transferência para a reserva ocorreu de acordo com a legislação vigente e não impede eventual responsabilização criminal ou administrativa.

A corporação destacou que qualquer perda de patente, cargo ou remuneração depende de decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.

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