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RN movimenta R$ 1,1 bilhão com produção de 440 milhões de litros de leite e se destaca entre produtores do Nordeste

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Com um crescimento de 11,6%, a produção de leite no RN movimentou mais de R$ 1,1 bilhão, destacando sua importância econômica  |   BNews RN - Divulgação Reprodução: Internet
Redação

por Redação

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Publicado em 08/10/2026, às 09h00



A cadeia leiteira ganhou força no Rio Grande do Norte em 2025. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o estado produziu 440,2 milhões de litros de leite ao longo do ano, resultado 11,6% superior aos 394,5 milhões de litros registrados em 2024.

O avanço colocou o Rio Grande do Norte entre os principais produtores da atividade no país. O estado aparece na 14ª posição no ranking nacional e ocupa o sexto lugar entre os estados nordestinos. Em valores, a produção de leite potiguar movimentou mais de R$ 1,11 bilhão em 2025.

A atividade está distribuída por todo o território estadual e ocorre nos 167 municípios do RN. Além de representar uma importante fonte de renda para produtores rurais, a pecuária leiteira tem peso significativo na economia do setor agropecuário e na geração de trabalho no interior.

Caicó concentra maior produção entre os municípios potiguares

Caicó foi o município que mais se destacou na produção leiteira do Rio Grande do Norte em 2025. A cidade produziu 39,38 milhões de litros e também liderou o ranking pelo valor gerado, com R$ 94,51 milhões.

Jardim de Piranhas aparece na segunda colocação em volume, com 22,14 milhões de litros produzidos e um valor de R$ 50,92 milhões. Jucurutu vem logo depois, com 20,82 milhões de litros e R$ 47,88 milhões.

Nova Cruz, por sua vez, produziu 13,50 milhões de litros, mas apresentou um dos maiores valores de produção entre os municípios potiguares, alcançando R$ 67,50 milhões.

O ranking dos dez municípios que mais produziram leite no estado em 2025 é formado por:

  1. Caicó: 39,382 milhões de litros
  2. Jardim de Piranhas: 22,140 milhões de litros
  3. Jucurutu: 20,820 milhões de litros
  4. Nova Cruz: 13,500 milhões de litros
  5. São João do Sabugi: 13,432 milhões de litros
  6. Cruzeta: 12,554 milhões de litros
  7. Ouro Branco: 12,236 milhões de litros
  8. Santana do Matos: 11,995 milhões de litros
  9. Mossoró: 11,869 milhões de litros
  10. Jardim do Seridó: 11,384 milhões de litros

Os números mostram que a produção está espalhada por diferentes regiões do estado, com presença importante tanto no Seridó quanto em outras áreas do território potiguar.

Leite responde por 51,15% do valor dos produtos de origem animal

A importância da pecuária leiteira também aparece quando o resultado é comparado com os demais produtos de origem animal. Segundo a PPM, o leite respondeu por 51,15% do total movimentado pelo segmento no Rio Grande do Norte em 2025.

Somando todas as atividades, o setor de produtos de origem animal alcançou R$ 2,18 bilhões em valor de produção. O montante representa crescimento nominal de 17,52% em comparação com os R$ 1,85 bilhão registrados no ano anterior.

Depois do leite, a produção de ovos de galinha foi responsável por 47,79% desse resultado. O mel de abelha representou 0,82%, enquanto os ovos de codorna responderam por 0,24%.

Para o secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape-RN), Guilherme Saldanha, a cadeia leiteira possui impacto que vai além dos números registrados nas estatísticas de produção.

Segundo ele, a pecuária leiteira gera emprego e renda para mais de 40 mil pessoas no Rio Grande do Norte, considerando trabalhadores diretamente envolvidos com a atividade e pessoas beneficiadas economicamente pela cadeia.

Assistência técnica aparece entre os fatores de avanço

Embora o aumento da produção tenha múltiplas causas, entidades ligadas ao setor apontam a assistência técnica e a melhoria da gestão das propriedades como elementos importantes para o desempenho registrado em 2025.

Na avaliação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RN), o crescimento pode estar relacionado ao aumento da base produtiva e aos ganhos de produtividade alcançados pelos produtores.

Outros fatores também interferem no resultado, como as condições climáticas, a oferta de alimentação para o rebanho, os preços pagos aos produtores, os investimentos realizados nos últimos anos e a capacidade de manter e repor matrizes.

A experiência das propriedades acompanhadas pelo Senar mostra que mudanças na administração da produção podem alterar significativamente os resultados financeiros obtidos pelos produtores.

Propriedades saem de prejuízo para lucro após acompanhamento

Um estudo realizado a partir do trabalho de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-RN avaliou pequenas e médias propriedades leiteiras do estado e identificou uma mudança significativa no resultado médio por animal.

Antes da adoção das práticas de assistência e gestão, o prejuízo médio era de R$ 20,69 por vaca. Após o acompanhamento, o resultado passou para um lucro médio de R$ 56,71 por animal.

A pesquisa acompanhou 172 propriedades durante 24 meses, em 35 municípios do Rio Grande do Norte. O período analisado foi de agosto de 2020 a julho de 2022.

De acordo com o levantamento, o lucro médio das propriedades aumentou 75,2%, enquanto as receitas tiveram crescimento de 48,99%. O estudo também identificou mudanças na estrutura dos custos das propriedades acompanhadas.

Um dos exemplos está na alimentação concentrada. As despesas médias com esse item caíram de R$ 380.694 para R$ 333.477 durante o período avaliado.

O trabalho foi publicado na revista Agropecuária Científica no Semiárido e apontou ainda outros efeitos da assistência técnica, como redução do trabalho e da necessidade de mão de obra a partir da utilização de animais mais eficientes.

Também foram observados avanços na produção de forragens e impactos sociais positivos na rotina das famílias que vivem da atividade rural.

ATeG atende produtores em 161 municípios do RN

O modelo de Assistência Técnica e Gerencial utilizado pelo Senar combina acompanhamento técnico da produção com ferramentas de gestão. No Rio Grande do Norte, a metodologia está presente atualmente em 161 municípios.

Ao todo, aproximadamente 4.473 produtores rurais são atendidos pela iniciativa no estado. O trabalho ganha importância principalmente em períodos de dificuldades climáticas, quando a produção agropecuária sofre com a redução da oferta de água e de alimentos para os animais.

“Mesmo nos anos de seca, quando o setor agropecuário como um todo fica prejudicado, o trabalho de ATeG se torna essencial para amenizar os efeitos que o clima provoca nas produções, tornando a dificuldade ainda menor”, aponta o Senar-RN.

A entidade considera que o acompanhamento técnico pode ajudar o produtor a tomar decisões mais adequadas mesmo diante de períodos adversos.

Gestão ajuda produtor a identificar custos e melhorar decisões

O impacto da assistência técnica não está restrito ao aumento da produção física. Para Luís Felipe, analista técnico do Sebrae-RN, uma das principais mudanças ocorre quando o produtor passa a conhecer de maneira mais detalhada os custos e os indicadores da própria propriedade.

Não se trata apenas de aumentar a quantidade de leite produzido, e sim de o produtor conhecer melhor seus custos, acompanhar seus indicadores, planejar a propriedade e tomar melhores decisões”, explica.

A avaliação é de que a combinação entre conhecimento técnico e gestão permite identificar desperdícios, reorganizar os processos produtivos e melhorar a utilização dos recursos disponíveis na propriedade.

Nesse contexto, o Sebrae-RN também desenvolve iniciativas voltadas à integração dos diferentes segmentos que participam da cadeia leiteira no estado.

Hub do Leite aproxima produtores, indústria e universidades

Uma dessas iniciativas é o Hub do Leite, criado em 2026 com a proposta de conectar produtores aos demais setores ligados à cadeia produtiva e ao ambiente acadêmico.

A iniciativa reúne diferentes atores envolvidos com o desenvolvimento da atividade, incluindo produtores, indústrias, universidades, pesquisadores, estudantes, técnicos e instituições como Sebrae e Senar.

“Temos produtores, indústrias, universidades, pesquisadores, estudantes, técnicos e instituições como Sebrae e Senar”, explica Luís Felipe.

Para o analista, a aproximação entre esses segmentos pode contribuir para acelerar a adoção de novas tecnologias e práticas de produção.

Ele considera a assistência técnica uma das ferramentas mais importantes para aumentar a eficiência das cadeias produtivas do agronegócio.

“Quando os técnicos entram em uma propriedade e começam a trabalhar alimentação, genética, reprodução, qualidade do leite e gestão, muitas vezes conseguimos evoluir significativamente”, afirma.

Governo cita medidas adotadas para apoiar o setor

O crescimento da produção também é associado pelo Governo do Estado a medidas adotadas nos últimos anos para estimular a atividade leiteira.

Segundo Guilherme Saldanha, a atuação estadual envolve ações de regulamentação, incentivos na área tributária e programas destinados a garantir melhores condições para a produção rural.

“O Estado, nesses últimos sete anos, tem feito ações desde regulamentação, questões fiscais de redução e isenção de impostos e programas como distribuição de palma forrageira de graça para os produtores”, afirma o secretário.

A palma forrageira é utilizada como uma das alternativas de alimentação dos rebanhos, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores em períodos de estiagem.

Baixa produtividade por vaca ainda preocupa setor

Apesar do crescimento registrado pelo IBGE, representantes da cadeia produtiva avaliam que o Rio Grande do Norte ainda possui desafios importantes para aumentar a eficiência da produção.

Um dos principais pontos levantados é a produtividade média por vaca em lactação. Segundo Túlio Veras, presidente do Sindicato das Indústrias de Leite e Produtos Derivados do RN (Sindleite-RN), mais de 22 mil unidades produzem leite no estado.

O problema, segundo ele, está no rendimento médio dos animais. Enquanto a produtividade brasileira é de aproximadamente 2.560 litros por vaca em lactação, no Rio Grande do Norte o índice fica em torno de 1.520 litros.

Para melhorar esse desempenho, o setor defende investimentos em tecnologia, estrutura e planejamento da alimentação dos rebanhos.

Planejamento forrageiro é apontado como prioridade

Túlio Veras também chama atenção para a necessidade de o estado se preparar para os efeitos das condições climáticas sobre a produção. Para ele, um planejamento forrageiro estadual poderia ajudar a reduzir os impactos de períodos de menor disponibilidade de água.

“Há necessidade da implantação de um planejamento forrageiro para o estado. Temos um El Niño atuando fortemente e já se veem seus impactos [...] Precisamos otimizar o uso das águas, para produzir alimentos para não termos baixa nos rebanhos”, afirma.

A preocupação está relacionada diretamente à manutenção dos animais e à capacidade dos produtores de garantir alimentação durante períodos de estiagem ou de condições climáticas desfavoráveis.

Além do planejamento da alimentação, o presidente do Sindleite-RN defende a modernização das propriedades.

“Inovar é preciso. Implantar ordenha mecânica e tanques de resfriamento de leite é necessário”, aponta.

RN é o sexto maior produtor de leite do Nordeste

Com 440,261 milhões de litros produzidos em 2025, o Rio Grande do Norte ficou na sexta posição entre os estados nordestinos. Pernambuco liderou a produção regional, seguido por Ceará e Bahia.

O ranking regional ficou assim:

  • Pernambuco: 1,529 bilhão de litros
  • Ceará: 1,298 bilhão de litros
  • Bahia: 1,229 bilhão de litros
  • Sergipe: 701,328 milhões de litros
  • Alagoas: 579,766 milhões de litros
  • Rio Grande do Norte: 440,261 milhões de litros
  • Maranhão: 412,160 milhões de litros
  • Paraíba: 358,398 milhões de litros
  • Piauí: 71,003 milhões de litros

Em todo o Brasil, a produção alcançou 36,68 bilhões de litros em 2025.

O resultado potiguar, portanto, combina expansão do volume produzido com um impacto econômico superior a R$ 1,1 bilhão e reforça a importância da pecuária leiteira para a geração de renda no interior do estado.

Ao mesmo tempo, os dados e as avaliações dos representantes do setor apontam que o próximo desafio é transformar o crescimento da produção em ganhos ainda maiores de produtividade, com melhoria da gestão, assistência técnica, tecnologia, alimentação adequada para os rebanhos e investimentos nas propriedades.

Classificação Indicativa: Livre

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