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"Problema grave": Associação dos Supermercados do RN alerta para crise de mão de obra e avalia o fim da escala 6x1

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No estado, supermercadistas estão diante de um cenário desafiador, onde a necessidade de ser contratar mão de obra qualificada é evidente  |   BNews RN - Divulgação Imagem gerada por IA
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 18/07/2026, às 06h00



"A escassez de mão de obra tem sido um problema grave". A afirmação do empresário Gilvan Mikelyson Delmiro de Gois, presidente da Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte (ASSURN), resume um dos principais desafios enfrentados pelo setor supermercadista potiguar.

O tema veio à tona esta semana, em razão da realização do ABRAS em Ação, encontro promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) em parceria com a ASSURN. O evento, que aconteceu pelo quarto ano seguido em Natal, reuniu líderes, executivos e profissionais do setor. A missão foi discutir tendências, inovações, tecnologias e os principais movimentos supermercadistas no país.

No Rio Grande do Norte, mesmo diante de um cenário desafiador — onde a necessidade de ser contratar mão de obra qualificada e de se trabalhar com profissionais cada vez mais especializados é evidente — o segmento mantém um ritmo de crescimento entre 4% e 5% ao ano, o que tem impulsionado investimentos em novas lojas, modernização das unidades e adoção de tecnologias voltadas à melhoria da experiência de compra dos consumidores.

Em entrevista ao BNews RN, além de falar sobre mão de obra especializada, Mikelyson traçou um panorama do setor no território potiguar. Ele abordou o impacto das eleições sobre os investimentos, falou sobre as políticas de incentivo à abertura de novos empreendimentos, mudanças no perfil dos supermercados, vendas on-line, os desafios econômicos e tributários, e ainda posicionou a ASSURN diante do debate envolvendo as escalas de trabalho. 

Importante lembrar que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6x1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e atualmente tramita no Senado.

Afinal, os supermercadistas do RN defendem o fim da escala 6x1 ou preferem a escala 5x2? Confira a entrevista.

Gilvan Mikelyson, presidente da ASSURN
Para Gilvan Mikelyson, presidente da ASSURN, a escassez de mão de obra tem sido um problema grave no RN

BNews RN: Atualmente, quantos supermercados existem no Rio Grande do Norte?

Gilvan Mikelyson: Em nosso estado são aproximadamente 2.500 estabelecimentos que comercializam os mais variados modelos e tipos de alimentos. São supermercados, mercadinhos, minimercados, atacarejos e hipermercados. Então, é bem diversificado, bem pulverizado, presentes em todos os 167 municípios do estado.

BNews RN: Sobre o setor supermercadista potiguar, o cenário atual é de queda, estagnação ou de crescimento?

Gilvan Mikelyson: Nosso cenário é de crescimento. Embora esse crescimento seja moderado, dentro de um contexto bastante desafiador, as empresas continuam investindo, abrindo novas lojas, novas unidades, modernizando as lojas e também implementando a tecnologia para melhorar a experiência de compra dos seus consumidores.

Nós estamos enfrentando um ambiente de custo elevado que pressiona os preços, a inflação pressiona a elevação dos preços em quase todas as categorias. Então, vivemos nesse cenário, de um crescimento entre 4% e 5%. Esse é o percentual do crescimento hoje no nosso estado, embora nós estejamos nesse cenário bem desafiador.

BNews RN: E o momento que vivemos, às vésperas de mais uma eleição, de alguma forma isso mexe com o setor?

Gilvan Mikelyson: Todo período eleitoral gera um ambiente de muita expectativa, não só no supermercado, mas em todo o setor produtivo. Nós acompanhamos esse cenário político porque as decisões relacionadas à economia, política fiscal, política tributária, os juros, tudo isso vai impactar no funcionamento das nossas operações.

Historicamente, todo ano que tem eleição, os empresários eles têm muita cautela em relação aos seus investimentos de médio e longo prazo. Eles preferem esperar as definições das políticas econômicas para ver como vão ficar os indicadores, a atenção do emprego e renda, que é o que faz dar continuidade e fazer o consumo continuar aquecido.

BNews RN: No mercado potiguar, as políticas de incentivo a abertura de novos empreendimentos, impulsionam o setor?

Gilvan Mikelyson: Sem dúvida, as políticas públicas estimulam os novos empreendimentos. Elas têm um efeito positivo sobre a economia e o setor de supermercados não é diferente. Quando o ambiente é favorável aos negócios, há mais investimento, há mais geração do emprego e renda e consequentemente há mais consumo.

Aqui no Rio do Norte nós temos iniciativas que visam dar incentivos fiscais de forma responsável, melhoria da infraestrutura, uma desburocratização maior nas liberações dos projetos. Então, tem muita coisa que dá para ver como incentivo, embora ainda tenha muita dificuldade, às vezes.

Na questão burocrática, realmente existe toda uma forma já estabelecida, o incentivo, mas para acessar o incentivo, para acessar a desburocratização, para acessar essas licenças de liberação, isso ainda tem um custo de tempo. E no nosso meio, tempo é dinheiro. Então esse movimento ajuda, mas poderia ajudar muito mais se tivesse uma certa celeridade.

BNews RN: Observa-se uma tendência de os supermercados diminuírem suas áreas de estacionamento, cedendo espaço para outras lojas, como academias, farmácias, serviços? Por que isso vem acontecendo?

Gilvan Mikelyson: Essa tendência é observada, embora não seja generalizada, mas existe hoje uma mudança, inclusive das mudanças de hábitos de consumo por parte dos clientes. Então, os supermercados estão evoluindo para atender essa nova necessidade. O que está se fazendo? Está se criando um centro de conveniência e agregando serviços.

Procuramos manter o conforto aos nossos clientes. Conforto de espaço, de forma que ele seja muito mais bem utilizado, e com isso agregando serviços como lotéricas, academias, lavanderias, farmácias, cafeterias, restaurantes. Tudo isso para aumentar o fluxo. Uma coisa leva a outra. Então, os novos formatos, muita gente opta por essas lojas menores, mas com serviços agregados, onde um serviço leva o outro e faz com que o fluxo seja retroalimentado em um mesmo ambiente.

A decisão por esses modelos de conveniência, alinhada aos serviços, aumenta a frequência de visita e ainda fortalece a sustentabilidade do negócio. Importante encontrar o equilíbrio para oferecer os novos serviços sem comprometer a comodidade e a acessibilidade de quem está indo ao supermercado.

BNews RN: As vendas on-line e as entregas a domicílio têm crescido no setor supermercadista potiguar? Há estatísticas sobre isso?

Gilvan Mikelyson: Bem, as vendas on-line, elas praticamente se iniciaram no período da Covid, naquele período de pandemia. E depois quando voltou ao novo normal, como se chama, esse movimento foi diminuindo e agora ele volta a crescer de uma maneira muito tímida. Então, existe um aumento nas vendas? Existe, existe um público novo que acessa, mas acessa ainda muito mais as questões de alimentos prontos, como restaurantes, lanchonetes, depósito de 24 horas, mais para acessar bebidas. Então essa é a busca do consumidor nas vendas online.

Mas na questão do supermercado, a venda ainda é muito presencial. O presencial ainda é muito forte. Tanto que as vendas online no nosso estado não devem passar pouco de 2% do faturamento das lojas. Mas as lojas estão se inserindo nesse meio, adquirindo tecnologias para facilitar o serviço e a gente acha que, apesar do crescimento lento e da baixa participação dentro do nosso faturamento, é um serviço que vai ter um crescimento contínuo daqui para frente.

Mão de obra qualificada 

BNews RN: Hoje, quais os principais desafios enfrentados pelos supermercadistas?

Gilvan Mikelyson: Sobre os desafios que enfrentamos, vou citar aqui alguns. Estamos passando por um período de escassez de mão de obra qualificada. Temos muitas vagas em aberto, dificuldades de contratação por vários motivos. Também a questão de capacitação para as mais variadas funções.

A escassez de mão de obra tem sido um problema grave. Cursos operacionais elevados, em detrimento também da alta competitividade que faz com que diminuíssemos as nossas margens de lucro e isso pressiona o caixa das empresas.

Tem a transformação digital. As empresas passam por um momento de inovação sempre constante, buscando sempre tecnologia, automação, inteligência artificial. Tudo isso para que que sejamos mais assertivos no atendimento ao consumidor, para que possamos fidelizar o consumidor. Então, essa transformação digital é uma dificuldade.

Cenários econômicos sempre serão postos como uma dificuldade, pois nós não temos paz, nem conseguimos há muito tempo ter um cenário econômico favorável. Toda hora enfrentamos muita dificuldade nas questões de juros, acesso ao capital, reforma tributária. O que parecia ser simplificado, parece que vai ter mais uma dificuldade. Acredito que são grandes desafios que a gente vive no momento.

Escalas de trabalho 

BNews RN: Aproveitando a fala sobre mão de obra, qual o posicionamento da ASSURN sobre as escalas de trabalho 6x1/5x2? qual delas o setor defende?

Gilvan Mikelyson: Sobre a escala 6x1 ou 5x2, ou qualquer outra que seja, nós não somos nem a favor nem contra. Desejamos e defendemos que, acima de tudo, as relações de trabalho se modernizem, que sejam equilibradas e que respeitem tanto os direitos dos trabalhadores como a necessidade de funcionamento das empresas. Nós, supermercados, somos atividade essencial. Atendemos a população todos os dias, final de semana, feriado, por isso precisamos de flexibilidade da organização das escalas.

Então, nós supermercadistas, defendemos que a legislação permita diferenciar o formato de jornada, negociando de forma transparente entre empregados e empregadores, sempre respeitando a legislação e as convenções coletivas. Não somos contra nenhum modelo de escala, apenas queremos que sejam feitas as mudanças com responsabilidade e que sejam bastante debatidas para encontrar soluções para todas as dificuldades que se apresentarem.

Se você analisa setores diferentes, com medidas diferentes, pela necessidade, tamanho de empresas diferentes, os impactos que isso vai causar, então, tudo isso tem que ser bastante bem analisado. Eu acredito que o setor apenas quer que a discussão seja feita de uma forma transparente e justa.

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