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A arrecadação proveniente da exploração de royalties de petróleo sofreu uma redução drástica de 14,5% no Rio Grande do Norte nos primeiros cinco meses de 2026, consolidando a segunda maior queda percentual entre todos os estados da Região Nordeste. Quando somadas as receitas próprias do Governo do Estado e das prefeituras potiguares, o volume financeiro despencou de R$ 277,8 milhões no mesmo período de 2025 para R$ 237,4 milhões no ano corrente.
Os dados foram compilados junto à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No recorte municipal, a situação mais crítica é vivenciada pelo município de Alto do Rodrigues, localizado no Vale do Açu. A cidade liderou as perdas do estado ao ver suas receitas de royalties encolherem de R$ 20.616.636,03 no ano passado para R$ 12.997.729,24 em 2026 — uma retração severa de 36,9%.
Isolando apenas as receitas que ficam nos cofres da administração direta estadual, a perda alcançou 25%, caindo de R$ 109,6 milhões para R$ 82,2 milhões. Em nota oficial, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec) justificou que a produção começou a cair gradualmente no fim do ano passado.
“O desempenho da arrecadação de royalties acompanha a diminuição observada na atividade produtiva estadual ao longo de 2026, com queda de 15,85% no primeiro trimestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2025. Para os municípios, o cenário evidencia uma elevada dependência em relação às receitas provenientes da atividade petrolífera, tornando o repasse dos royalties uma importante fonte de financiamento das administrações locais”, informa uma nota técnica da Sedec sobre o cenário.
Especialistas e representantes da categoria apontam que o encolhimento financeiro acompanha o esgotamento natural dos chamados campos maduros terrestres. O presidente do Sindicato dos Petroleiros do estado (Sindipetro/RN), Marcos Brasil, revelou dados preocupantes sobre o nível de extração.
“Para se ter uma ideia do cenário, em dezembro de 2025 o RN registrou a menor produção dos últimos 40 anos, com 33 mil barris por dia. Essa produção já chegou a 120 mil barris/dia”, explicou.
Ele critica abertamente o ritmo das concessionárias privadas que assumiram os polos da Petrobras.
“Então, esse declínio é previsto. No entanto, nós poderíamos ter o dobro do que é produzido hoje, algo em torno de 60 mil a 70 mil barris por dia. O que falta é investimento. As empresas que substituíram a Petrobras têm 60 vezes menos capacidade de investir.”, apontou Marcos Brasil.
Por outro lado, a Brava Energia, uma das principais operadoras no Complexo Potiguar, defendeu sua atuação por meio de nota:
“A Brava busca atuar de maneira integrada às expectativas e demandas dos estados e comunidades em que está presente. No RN, as atividades da empresa no Complexo Potiguar geraram R$ 475 milhões em impostos (ICMS e royalties) apenas no último ano. A companhia reitera seu compromisso com o desenvolvimento socioeconômico do estado e destaca que segue investindo continuamente para otimizar suas operações e retomar os níveis de produção no Rio Grande do Norte”, informou a companhia.
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