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Petróleo dispara com guerra e ameaça lucro das companhias aéreas em 2026

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Conflito no Oriente Médio provoca aumento nos preços do petróleo e pressiona o setor aéreo global  |   BNews RN - Divulgação © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 08/06/2026, às 13h00



A escalada da guerra entre Irã e Israel já provoca reflexos diretos na aviação mundial. Com a disparada dos preços do petróleo, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) projeta que o lucro líquido global das companhias aéreas cairá para US$ 23 bilhões em 2026, quase metade da estimativa anterior de US$ 41 bilhões. O aumento dos custos com combustível também deve manter as passagens aéreas sob pressão nos próximos meses.

A nova projeção foi apresentada durante a reunião anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro, realizada entre os dias 6 e 8 de junho. O evento reuniu representantes das principais empresas aéreas do mundo e voltou ao Brasil pela terceira vez, após edições anteriores realizadas em Petrópolis, em 1947, e no Rio de Janeiro, em 1999.

Além da redução no lucro, a margem líquida média das companhias deve cair para 2% neste ano. Em 2025, o indicador havia alcançado 4,2%, enquanto a previsão inicial para 2026 apontava margem de 3,9%.

Conflito no Oriente Médio 

O agravamento da guerra no Oriente Médio é apontado como principal fator para a deterioração das perspectivas do setor. Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, o mercado internacional de energia passou a registrar forte volatilidade, elevando os custos operacionais das companhias aéreas em diversas regiões do mundo.

Na segunda-feira, o barril do petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir 3,6%, alcançando US$ 96,47 após novos ataques iranianos contra Israel. O movimento elevou as preocupações do setor diante da dependência do combustível para a manutenção das operações.

Empresas como Emirates e Qatar Airways precisaram reduzir voos em razão das restrições operacionais e do fechamento temporário de espaços aéreos na região. Aeroportos também foram afetados pelos desdobramentos do conflito.

Combustível mais caro 

O principal impacto financeiro ocorre sobre o querosene de aviação (QAV), responsável por cerca de 30% a 40% dos custos operacionais das companhias. Segundo a Iata, os gastos globais com combustível devem atingir US$ 350 bilhões em 2026, alta de aproximadamente 40% em comparação aos US$ 252 bilhões registrados no ano anterior.

A economista-chefe da Iata, Marie Owens Thomsen, destacou que historicamente as empresas absorvem apenas parte do aumento dos custos, repassando o restante aos consumidores por meio de tarifas mais altas.

A perspectiva de novos reajustes também preocupa especialistas do setor energético. Eleanor Budds, diretora de pesquisa de Refino e Combustíveis Globais da S&P Global, afirmou que a combinação entre petróleo valorizado e estoques reduzidos pode limitar a oferta de QAV durante o verão norte-americano.

Demanda segue forte apesar dos desafios

Mesmo diante do cenário adverso, a procura por viagens aéreas continua crescendo. A Iata estima que o número de passageiros transportados no mundo alcance 5,1 bilhões em 2026, avanço de 2,4% em relação ao período anterior.

De acordo com o diretor-geral da Iata, Willie Walsh, excluindo as operações ligadas ao Oriente Médio, o crescimento global chegaria a 3,5%. Ele ressaltou que o setor enfrenta dificuldades, mas ainda está distante da crise observada durante a pandemia da Covid-19.

A presidente global da KLM, Marjan Rintel, também afirmou que a demanda permanece aquecida em diferentes mercados, incluindo o brasileiro, embora a tendência seja de manutenção das passagens em níveis elevados.

Brasil enfrenta desafios adicionais

No mercado brasileiro, executivos avaliam que a alta do combustível se soma a problemas estruturais que já encarecem as operações. Durante um dos painéis do encontro, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirmou que ainda existe uma percepção equivocada sobre a rentabilidade das empresas aéreas.

Segundo ele, os custos de combustível, questões trabalhistas, judicialização e outros fatores operacionais contribuem para manter os preços das passagens em patamares elevados no país.

O presidente da Latam Airlines Group, Roberto Alvo, acrescentou que as empresas deverão continuar ajustando sua capacidade operacional diante da expectativa de combustíveis mais caros por um período prolongado.

Falta de aeronaves 

Além do impacto energético, a aviação mundial enfrenta dificuldades relacionadas à cadeia de fornecimento de aeronaves. O diretor-geral da Iata, Willie Walsh, criticou o ritmo das entregas realizadas pelas fabricantes, ainda afetadas pelos gargalos surgidos durante a pandemia.

A restrição na oferta de novos aviões limita a expansão das companhias justamente em um momento de crescimento da demanda, dificultando também os esforços para redução das emissões de carbono do setor.

Enquanto a Embraer registrou crescimento de 47% nas entregas de aeronaves no primeiro trimestre, fabricantes como a Airbus já comunicaram atrasos em encomendas previstas para 2027 e 2028, especialmente nos modelos da família A320neo. O cenário reforça a avaliação de que a aviação seguirá em expansão, mas enfrentando rentabilidade reduzida e desafios operacionais persistentes nos próximos anos.

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