O anúncio da retomada da perfuração de poços na Bacia Potiguar pela Petrobras reacendeu expectativas de crescimento econômico no Rio Grande do Norte. No entanto, o avanço ainda é considerado incerto por Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, que aponta a necessidade de confirmação técnica e preparo estrutural para que os impactos se concretizem.
Em entrevista exclusiva ao jornal O Correio de Hoje, o ex-presidente da estatal afirmou que os investimentos anunciados não representam uma mudança repentina, mas sim a continuidade de uma estratégia construída ao longo de anos, baseada em estudos geológicos e planejamento estratégico.
Segundo ele, ainda durante sua gestão, a companhia já havia retomado atividades relevantes no estado, incluindo a perfuração de poços como Anhangá e Pitu Oeste, o que marcou a reativação da exploração na região.
Estratégia vem de anos anteriores
De acordo com Prates, o movimento atual está diretamente ligado a ações iniciadas anteriormente, que buscaram reposicionar o estado no setor energético nacional. Ele destacou que houve a reinstalação de um polo operacional em Natal, além da criação de um campus regional da Universidade Petrobras.
A reestruturação também incluiu a centralização do monitoramento ambiental da Margem Equatorial e a coordenação de projetos ligados à energia offshore, integrando petróleo, gás e fontes renováveis.
Para o ex-presidente, o novo pacote de investimentos reforça essa trajetória e pode consolidar o estado como um polo estratégico, tanto na exploração de petróleo quanto na transição energética.
Potencial existe
Apesar das expectativas, Prates adotou cautela ao falar sobre os impactos econômicos. Ele explicou que nem todas as ações anunciadas têm o mesmo peso, citando que o arrasamento de poços é uma exigência regulatória, enquanto a perfuração em águas profundas é o que pode gerar nova produção.
A possibilidade de atingir uma produção de até 100 mil barris por dia foi considerada viável, mas condicionada à confirmação das reservas. Segundo ele, esse número pode variar para mais ou para menos, dependendo dos resultados das etapas exploratórias.
No momento, tanto na Bacia Potiguar quanto na Margem Equatorial, os projetos ainda estão em fase inicial, sem volumes certificados de reservas recuperáveis divulgados publicamente.
Impacto econômico não é automático
Estimativas de crescimento de até 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado também foram relativizadas pelo ex-presidente. Ele classificou esses números como cenários otimistas, que dependem de escala, continuidade de investimentos e fortalecimento da cadeia produtiva local.
Em relação ao emprego, Prates destacou que os postos diretos tendem a ser limitados e altamente qualificados, enquanto o maior impacto ocorre de forma indireta, em áreas como logística, manutenção e serviços.
Mesmo com potencial de geração de empregos e aumento de arrecadação via royalties, ele ressaltou que os benefícios não são garantidos e exigem preparo do estado, com investimentos em qualificação profissional, infraestrutura e políticas públicas.
Crescimento pode não chegar à população
Outro ponto levantado é que o aumento do PIB não implica, necessariamente, melhoria proporcional na renda da população. Segundo Prates, sem políticas específicas, o crescimento pode não se traduzir em distribuição de renda.
Ao final, o ex-presidente classificou o momento como uma oportunidade em construção, e não como um resultado consolidado. Para ele, o estado volta ao mapa energético nacional, mas ainda precisa superar desafios para transformar potencial em desenvolvimento real.
As informações são do O Correio de Hoje.