Negócios

Os números por trás da força industrial do RN revelam movimentação bilionária e milhares de empregos

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Apesar de menos empregos, a extração de petróleo lidera em valor de transformação industrial no estado  |   BNews RN - Divulgação Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 24/06/2026, às 12h40



A indústria do Rio Grande do Norte movimentou R$ 12,77 bilhões em valor de transformação industrial (VTI) em 2024, manteve 2.057 empresas em atividade e empregou 66.548 pessoas. Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria (PIA) Empresa 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (24).

Os números mostram que o estado respondeu por 6% do valor gerado pelo setor industrial do Nordeste, que alcançou R$ 213,3 bilhões. Além do impacto na geração de riqueza, o setor industrial potiguar registrou mais de R$ 2,38 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações ao longo do ano. A remuneração média dos trabalhadores ficou em dois salários mínimos.

O levantamento considera empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas. A pesquisa também aponta que a receita líquida de vendas das indústrias do estado atingiu R$ 28,32 bilhões em 2024, enquanto os custos das operações industriais somaram R$ 15,30 bilhões.

Alimentação 

Entre as atividades industriais analisadas, a fabricação de produtos alimentícios se destacou em praticamente todos os indicadores. O segmento reuniu 550 unidades locais em funcionamento e empregou 16.472 trabalhadores, tornando-se o maior empregador da indústria potiguar. Na sequência aparece a confecção de artigos do vestuário e acessórios, com 15.514 pessoas ocupadas.

A liderança da indústria alimentícia também se refletiu no valor bruto da produção industrial. O setor gerou R$ 6,70 bilhões, equivalente a 23,89% de toda a produção industrial do estado, estimada em R$ 28,07 bilhões.

Em receita líquida de vendas, as atividades de fabricação de produtos alimentícios também ocuparam a primeira posição, com R$ 6,74 bilhões. Em seguida aparecem a extração de petróleo e gás natural, com R$ 3,09 bilhões, e a manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, com R$ 2,34 bilhões.

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Petróleo 

Embora a indústria alimentícia tenha liderado em diversos indicadores, o maior valor de transformação industrial foi registrado pela atividade de extração de petróleo e gás natural. O segmento concentrou R$ 2,49 bilhões, o equivalente a 19,55% do total estadual.

A fabricação de produtos alimentícios aparece na segunda posição em valor de transformação industrial, com R$ 2,09 bilhões, representando 10,95% do total gerado pela indústria potiguar.

Segundo o analista do IBGE, Marcelo Miranda, o valor de transformação industrial mede a riqueza efetivamente produzida pela atividade industrial, sendo calculado a partir da diferença entre o valor bruto da produção e os custos das operações industriais.

Custos 

De acordo com o pesquisador, atividades extrativas costumam apresentar elevado valor agregado por unidade produzida, o que permite gerar mais riqueza mesmo sem liderar indicadores como emprego ou massa salarial.

Esse cenário pode ser observado no RN. Enquanto a fabricação de produtos alimentícios registrou R$ 4,60 bilhões em custos das operações industriais, a extração de petróleo e gás natural contabilizou apenas R$ 577 milhões nesse indicador. A diferença ajuda a explicar por que o segmento petrolífero alcançou a liderança no valor de transformação industrial, mesmo ficando atrás da indústria alimentícia em outros critérios analisados pela pesquisa.

Mudanças metodológicas 

O IBGE informou que os resultados das pesquisas estruturais econômicas passaram por mudanças metodológicas nos últimos anos em razão da substituição da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) como fonte de atualização do Cadastro Central de Empresas (Cempre).

A transição provocou alterações no universo de empresas pesquisadas e nos critérios de seleção das amostras, tornando os resultados anteriores e posteriores às mudanças não diretamente comparáveis.

Em 2024, ocorreu a ruptura definitiva da série histórica das pesquisas com a adoção de um novo indicador de atividades baseado nos registros administrativos da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Segundo o instituto, os ajustes realizados buscam preservar a consistência das estimativas produzidas.

Sobre a pesquisa

A Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE é realizada anualmente e investiga as indústrias extrativas e de transformação em todo o território nacional.

O levantamento tem como foco a empresa industrial e reúne informações sobre receitas, custos, valor de transformação industrial, pessoal ocupado e quantidade de unidades locais em funcionamento. Os resultados permitem acompanhar a estrutura econômica do setor industrial e são divulgados para o Brasil, grandes regiões e unidades da federação.

Classificação Indicativa: Livre

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