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Gigante do setor de energia afunda em dívidas e entra com maior recuperação extrajudicial da história do Brasil

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Com passivo de R$ 65 bilhões, Raízen protocola recuperação extrajudicial para reorganizar suas finanças sem judicialização  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Imagem Ilustrativa gerada por IA
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 11/03/2026, às 12h58



Com um passivo estimado em R$ 65 bilhões, a Raízen protocolou na noite de terça-feira (10) um pedido de homologação de recuperação extrajudicial para renegociar compromissos com bancos e investidores internacionais. A medida busca reorganizar a estrutura financeira da companhia sem recorrer à recuperação judicial.

A negociação envolve principalmente grandes instituições financeiras e detentores de títulos internacionais da empresa. Segundo informações divulgadas pelo site de negócios Pipeline, do Valor, trata-se do maior pedido de recuperação extrajudicial já registrado no país.

O montante renegociado fica abaixo apenas do passivo da Novonor, que chegou a quase R$ 100 bilhões, e próximo ao da Oi, embora ambas tenham recorrido ao modelo de recuperação judicial.

Credores já apoiam negociação bilionária

De acordo com uma fonte próxima às tratativas, mais de 40% dos credores já manifestaram apoio à negociação proposta pela empresa. Esse percentual permitiu que a companhia solicitasse a suspensão do vencimento das dívidas por um período de 90 dias.

O prazo servirá para que a empresa apresente um plano mais amplo de reestruturação financeira. O objetivo é reorganizar as finanças e tentar recuperar a capacidade de investimento e operação.

O modelo adotado é semelhante ao processo conduzido pela rede varejista Grupo Pão de Açúcar, que também entrou recentemente com pedido de recuperação extrajudicial buscando apoio dos credores para reorganizar suas obrigações.

Crise pressiona acionistas e pode exigir novo aporte

A companhia, que é uma joint venture entre a Cosan e a Shell, enfrenta dificuldades financeiras desde 2024. Nos últimos dias, os principais acionistas anunciaram uma capitalização de R$ 4 bilhões para tentar aliviar a situação.

Desse total, a Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto o empresário Rubens Ometto, por meio da holding Aguassanta, indicou investimento de R$ 500 milhões. A Cosan, por sua vez, não participaria diretamente do aporte inicial.

Com o início do processo de recuperação extrajudicial, no entanto, a capitalização pode ser revista. Credores podem pressionar os acionistas a ampliar os recursos destinados à reestruturação.

Divergência entre sócios agrava cenário

Durante teleconferência com analistas, o presidente da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que o aporte de R$ 4 bilhões seria insuficiente para solucionar os problemas financeiros da companhia.

Segundo ele, foi discutida a possibilidade de separar os negócios de açúcar e etanol das operações de distribuição de combustíveis. A proposta, no entanto, foi rejeitada pela Shell.

Para o executivo, os dois segmentos possuem dinâmicas diferentes de geração de caixa e investimento. A divisão poderia facilitar a sustentabilidade financeira da empresa, mas a multinacional prefere manter todos os ativos sob uma mesma estrutura.

Expansão acelerada e juros altos pressionaram o caixa

Nos últimos meses, a Cosan chegou a buscar investidores para participar de um novo aporte, inclusive com o banco BTG Pactual, que se tornou acionista do grupo no fim do ano passado. As negociações, porém, não avançaram.

Caso o aporte de R$ 4 bilhões fosse realizado nos termos originais, a Cosan poderia se tornar acionista minoritária da empresa. Atualmente, tanto a Cosan quanto a Shell possuem cerca de 44% de participação na companhia.

Especialistas do mercado apontam que a crise foi agravada por uma estratégia de expansão agressiva, com investimentos bilionários em plantas de biocombustíveis de segunda geração. A elevada taxa de juros também aumentou o nível de endividamento.

A expectativa agora é que a companhia continue vendendo ativos considerados não estratégicos. Nos últimos meses, a empresa já se desfez de usinas de açúcar e etanol e de negócios ligados à energia distribuída.

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