Negócios
Publicado em 12/03/2026, às 07h34 Malu Machado
O setor de alimentação fora de casa no Rio Grande do Norte enfrenta dificuldades, com 25% das empresas registrando prejuízo em janeiro de 2026, superando a média nacional de 23%. A pressão dos custos e a mudança no comportamento do consumidor têm impactado as margens de lucro dos estabelecimentos.
A pesquisa da Abrasel RN indica que 45% dos empresários notaram queda no faturamento em relação a dezembro, refletindo o 'efeito janeiro', onde despesas como impostos e material escolar afetam o poder de compra das famílias. A alta da Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, também contribui para a diminuição do consumo de refeições fora de casa.
Apesar dos desafios, há sinais de recuperação, com um aumento no movimento de clientes em março e otimismo para o restante do ano, impulsionado por eventos como a Copa do Mundo e feriados prolongados. Representantes do setor acreditam que essas oportunidades podem ajudar a reverter a situação financeira negativa enfrentada no início do ano.
O mercado de consumo de alimentos fora de casa no Rio Grande do Norte atravessa um início de ano desafiador. De acordo com a pesquisa mais recente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel RN), realizada entre fevereiro e março, o cenário financeiro é de alerta: 25% das empresas do segmento operaram com prejuízo no primeiro mês de 2026. O índice potiguar ficou levemente acima da média nacional, que registrou 23% de estabelecimentos no vermelho.
O levantamento revela ainda que 45% dos empresários registraram retração no faturamento em comparação ao mês de dezembro. Embora metade dos estabelecimentos tenha conseguido fechar o período com lucro, a pressão dos custos e a mudança no perfil do consumidor têm diminuído as margens de lucro de forma significativa.
O presidente da Abrasel RN, Thiago Machado, explicou que os números refletem o comportamento típico do veraneio e a sobrecarga financeira das famílias no começo do ano.
Ele destacou que o fluxo de clientes costuma cair em certos períodos, somado ao fato de que janeiro concentra despesas pesadas para o consumidor, como impostos e material escolar.
Somado aos gastos sazonais, o fator macroeconômico também joga contra. O economista Helder Cavalcanti pontuou que a Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, reduz o poder de compra e muda a dinâmica de consumo. Ele observou que, enquanto a inflação do supermercado cai, o preço da comida pronta sobe, o que incentiva as pessoas a cozinharem em casa.
Sobre a resistência em repassar os custos para o cardápio para não afugentar o público, Cavalcanti ressaltou:
Quando os custos aumentam e o empresário não consegue repassar os reajustes para o preço final, ocorre uma compressão das margens de lucro. É uma forma de preservar o fluxo de clientes em um setor altamente competitivo e muito sensível às condições econômicas das famílias", esclarece o economista.
Para além da economia, Cavalcanti afirmou que o mercado de gastronomia precisa se adaptar a transformações sociais. Ele defende que o consumo não some, mas se reorganiza, com o público priorizando hábitos mais saudáveis e atividades de bem-estar em horários que antes eram dedicados aos bares.
Apesar dos dados negativos de janeiro, o otimismo começa a retornar em março. O economista Ricardo Valério, superintendente do Corecon/RN, já percebe uma mudança real no movimento da capital:
Isso já está muito evidente aqui mesmo em Natal, com os restaurantes voltando a ficar lotados, bem como os pedidos pelo delivery voltando com grande intensidade", aponta Valério.
O representante da Abrasel, Thiago Machado, compartilha dessa visão positiva e acredita que o calendário de 2026 será o fôlego necessário para o setor:
Ao longo do ano, o segmento deve encontrar boas oportunidades de crescimento, impulsionado pela Copa do Mundo e pelos feriados prolongados", finaliza Machado.
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