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O cenário financeiro das famílias brasileiras atingiu um ponto crítico em abril. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento alcançou a marca histórica de 80%, o nível mais alto já registrado. O principal vilão apontado por economistas é a combinação da taxa Selic elevada (atualmente em 14,5%) com o altíssimo spread bancário praticado pelas instituições financeiras no país.
Para se ter uma dimensão do abismo, enquanto a média mundial do spread (diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que ele cobra do cliente) gira em torno de 6 pontos percentuais, no Brasil esse índice saltou para 34,6 pontos em março. Isso coloca o país no topo do ranking global de lucros sobre empréstimos, superando nações em crise ou em guerra.
Especialistas explicam que a Selic alta serve de "piso" para os bancos elevarem ainda mais seus juros. O resultado é dramático: os juros médios para pessoas físicas chegam a 61% ao ano, enquanto o rotativo do cartão de crédito pode ultrapassar a barreira dos 400%.
As famílias que ganham até três salários mínimos são as mais afetadas, com um índice de inadimplência de 38,2%.
"Muitas pessoas estão se endividando para completar o orçamento e pagar despesas básicas, como saúde e alimentação", afirma a professora Maria Lourdes Mollo, da UnB.
Como resposta à crise, o Governo Federal lançou nesta semana o Novo Desenrola Brasil. A iniciativa, que terá duração de 90 dias, foca em renegociar débitos de famílias, estudantes e pequenos empreendedores. Entre as principais vantagens estão:
O objetivo é limpar o nome de milhões de brasileiros e reinjetar fôlego na economia, permitindo que o orçamento das famílias deixe de ser consumido inteiramente pelo serviço da dívida.
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