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"Desenvolvimento imobiliário de Natal se aproxima do que já acontece em João Pessoa e Fortaleza", diz diretor da Colmeia

Otacílio Valente, diretor presidente da Colmeia - Reprodução
Ao celebrar 30 anos da Colmeia, empresário Otacílio Valente fala de negócios, novos empreendimentos e também opina sobre assuntos polêmicos  |   BNews RN - Divulgação Otacílio Valente, diretor presidente da Colmeia - Reprodução
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 04/07/2026, às 06h00



A Construtora Colmeia está celebrando 30 anos de história. São três décadas ajudando a erguer uma Natal mais desenvolvida e um Rio Grande do Norte melhor para se viver.

Neste tempo, foram entregues 34 torres somente na capital potiguar, empreendimentos que ratificam seu compromisso com qualidade e inovação, sempre fortalecendo seus laços com os clientes. Para falar sobre essa relação de confiança, transparência e respeito, o BNews RN ouviu Otacílio Valente, diretor-presidente da Colmeia.

O empresário destaca que o desenvolvimento imobiliário de Natal deve aproximar a cidade ao que já acontece em mercados já consolidados, como João Pessoa e Fortaleza. Além disso, ele também trata de assuntos de extremo interesse para o mercado potiguar, como a engorda de Ponta Negra, o Plano Diretor de Natal e a polêmica escala 6x1. O que ele pensa a respeito? Confira!

BNews RN: A Colmeia completa 30 anos em Natal. Olhando para essa trajetória, qual foi a maior transformação que o senhor presenciou no mercado imobiliário da capital potiguar?

Otacílio Valente: Uma das principais transformações que eu diria ter ocorrido foi no comportamento dos clientes. Quando a Companhia chegou a Natal, não era comum a construção de grandes condomínios de alto padrão com várias torres. Na época, o que conferia status era dizer que se morava em um condomínio com poucas unidades. 

Esse modelo, evidentemente, sacrificava as áreas comuns, que eram menos atrativas, além de resultar em uma taxa de condomínio mais elevada. Nós inovamos ao implantar grandes condomínios, com duas ou três torres e edifícios de até 36 andares. Essa foi, sem dúvida, a quebra de paradigma mais relevante que ocorreu na cidade de Natal nesses 30 anos.

As pessoas passaram não apenas a aceitar, mas também a admirar empreendimentos de grande porte, com amplas áreas de lazer, academias, diversos serviços e espaços comuns muito bem planejados e construídos, sempre adaptados às necessidades dos moradores.

BNews RN: A atualização do Plano Diretor de Natal é apontada como um divisor de águas para o setor. Na prática, quais oportunidades ele abriu para investidores e construtoras?

Otacílio Valente: O Plano Diretor de Natal, apesar de já permitir construções altas na maioria dos bairros, impunha algumas restrições ao índice de aproveitamento, condicionadas à questão do esgotamento sanitário e da infraestrutura urbana dessas regiões. 

Agora, com o índice de aproveitamento 5 liberado para praticamente toda a cidade e o gabarito de até 140 metros, é possível aproveitar melhor os terrenos localizados em áreas que já contam com boa infraestrutura, como Ponta Negra, por exemplo. Ponta Negra é uma área fantástica, mas tinha seu índice de aproveitamento limitado por causa da falta de esgotamento sanitário.

Com as mudanças, a região passa a se beneficiar de novos lançamentos imobiliários de alto padrão, com edifícios mais altos e um aproveitamento mais eficiente dos terrenos. Essa mudança também favorece os proprietários dessas áreas, que passam a ter imóveis mais valorizados e, consequentemente, ficam mais atraídos a negociar seus terrenos. 

Acredito que essas alterações já estão trazendo e continuarão trazendo um desenvolvimento imobiliário para Natal semelhante ao que acontece em cidades como João Pessoa e Fortaleza.

BNews RN: Natal voltou ao radar dos grandes empreendimentos imobiliários do Nordeste? O que faz a cidade ser atrativa neste momento?

Otacílio Valente: A expectativa que a gente tem, realmente, é que o desenvolvimento imobiliário de Natal foi puxado pelo turismo. Isso foi o que motivou grandes lançamentos, principalmente na região de Ponta Negra, cerca de 20 anos atrás.

Temos uma expectativa positiva com o aterro que foi feito na Praia de Ponta Negra, com a urbanização prometida para a Avenida Engenheiro Roberto Freire e com outras decisões que possam impactar a volta do turismo internacional, com voos para a Europa. 

Tudo isso pode, realmente, trazer uma grande diferença e fazer uma grande diferença no mercado imobiliário de Natal.

BNews RN: A construção civil é um dos setores que mais geram empregos. Como o senhor avalia o momento atual do mercado de trabalho e a disponibilidade de mão de obra qualificada no setor?

Otacílio Valente: Atualmente, a construção civil enfrenta um desafio significativo no que tange à oferta de trabalhadores capacitados. Existe uma carência de mão de obra qualificada em praticamente todo o território nacional. Esse cenário forçará as construtoras a adotarem soluções construtivas que demandem menor intervenção artesanal. A tendência é a implementação de projetos mais padronizados, que permitam uma execução baseada em processos industriais — como a montagem de peças pré-fabricadas —, reduzindo a dependência do trabalho manual tradicional. 

Essa transformação deverá ocorrer nos próximos anos por uma imposição do próprio mercado. Observa-se que a mão de obra atual não está sendo renovada; os filhos dos profissionais do setor, como pedreiros, carpinteiros e operários, não demonstram interesse em seguir a profissão dos pais.

Muitos preferem atuar em serviços de transporte por aplicativo ou em outras atividades que ofereçam uma percepção de maior autonomia. Consequentemente, a construção civil deixou de ser um setor atrativo para os novos ingressantes no mercado de trabalho, o que exigirá que as construtoras se adaptem à escassez de profissionais especializados.

BNews RN: A proposta de acabar com a escala 6x1 tem ganhado força no debate nacional. Na visão de um grande empregador, quais seriam os impactos dessa mudança para a construção civil e para a geração de empregos?

​Otacílio Valente: A proposta 6x1, eu tenho a impressão que ela, pelo contrário, ela está perdendo força. O governo já tirou o regime de urgência que ela estava colocada no Congresso e eu acho que um pouco de juízo dos governantes está chegando à conclusão de que isso não traz benefício para ninguém.

​Porque a gente precisa no país, para poder ficar mais competitivo, é de trabalhar mais e não reduzir jornada de trabalho. A China é um exemplo, a Coreia e outros países que saíram lá de baixo e hoje são referências mundiais na indústria, não foi reduzindo carga horária de trabalho, foi trabalhando muito e muita dedicação e muita disciplina.

​Eu entendo que a nossa jornada de trabalho de 44 horas semanais já é uma jornada adequada para as necessidades atuais. Espero que os nossos dirigentes tenham equilíbrio para saber que proposta eleitoreira não vai resolver o problema da economia do país.

BNews RN: Quais são os principais desafios que ainda impedem um crescimento mais acelerado da construção civil no Rio Grande do Norte?

​Otacílio Valente: Eu diria que é a própria economia. Quer dizer, onde as cidades e os estados desenvolvem um mercado imobiliário mais pujante, mais atuante, é consequência da situação econômica que aquela cidade, que aquele estado vive naquele momento. Quando a gente olha para o Brasil, a gente enxerga que Santa Catarina tem um mercado imobiliário crescente, que João Pessoa tem um mercado imobiliário crescente, que Fortaleza tem um mercado imobiliário também pujante.

O que foi que aconteceu para isso ocorrer? Na verdade, uma legislação menos burocrática, uma digitalização dos processos de licenciamento, para que a gente não demore tanto entre a aquisição de um terreno e o lançamento imobiliário, porque isso é desperdício de tempo e de dinheiro.

Então, de fato, esses três lugares que eu citei, como Santa Catarina de um modo geral, a cidade de João Pessoa e a cidade de Fortaleza, elas passam por momentos muito positivos de economia.

Fortaleza hoje é o maior PIB do Nordeste. João Pessoa se tornou um fenômeno nacional de atratividade para as pessoas que querem morar bem, para os que querem ter tranquilidade no seu envelhecimento. E Santa Catarina virou o paraíso dos grandes milionários do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro, que preferem ter uma casa, uma segunda moradia na região de praia e que querem desfrutar disso nos finais de semana".

BNews RN: A construção civil costuma ser um dos motores da economia. Qual é o impacto de novos empreendimentos na geração de empregos, renda e desenvolvimento para Natal?

Otacílio Valente: ​O impacto na geração de empregos. É isso que eu comentei anteriormente pela escassez de mão de obra. Não sei até que ponto isso melhora, porque já não há um problema hoje de desemprego na construção civil. Ao contrário, há uma carência de profissionais habilitados para trabalharem na construção. O que pode ser feito é uma parceria com o SESI, FIEC, coisas desse tipo, que possam treinar pessoas que hoje não são habilitadas a trabalhar no setor e se sintam motivadas porque há um desconhecimento geral da população de o quão é atraente o serviço na construção civil, o trabalho na construção civil.

É um trabalho que não tem nada de estressante, porque você todo dia você faz uma atividade diferente num lugar diferente. É uma atividade que você tem vários benefícios como café da manhã, almoço, vale-transporte. Você tem uma remuneração, eu diria, adequada, porque se você considerar o nível de escolaridade dos profissionais da construção civil, ele é um nível relativamente baixo e comparado com as pessoas que trabalham em outras atividades como banco, escritórios, essas pessoas ganham menos que um pedreiro de acabamento, menos que um profissional eletricista ou encanador. Mas pouca gente sabe disso.

Talvez, a falta de um maior glamour para a profissão dentro dos canteiros de obra, um ambiente mais leve e mais adequado às novas tendências profissionais, possa mudar esse perfil e as pessoas se sentirem mais atraídas e motivadas pela construção civil. 

BNews RN: O consumidor mudou muito nos últimos anos. Quais são, hoje, as principais exigências de quem busca um imóvel de alto padrão? 

Otacílio Valente: O consumidor mudou muito o seu nível de exigência, porque o que a gente percebe hoje é que ele quer morar em regiões boas, em regiões que tenham segurança, em regiões que tenham infraestrutura de serviços, onde ele possa se deslocar o mínimo possível para ir a um supermercado, para ir a um restaurante e para o trabalho dele.

Porque a própria infraestrutura de transporte, como nas nossas cidades não é boa, você perder muito tempo no trânsito passou a ser um dificultador. Então as pessoas escolhem produtos que sejam até menores em termos de área, mas que possam estar localizados mais próximos da sua região de trabalho e da sua região de diversão, região onde possa desfrutar da infraestrutura local.

A gente percebe que aqueles apartamentos que no passado tinham 100 metros quadrados, hoje eles têm 75. Aqueles apartamentos que tinham 300 metros quadrados, hoje você se satisfaz com 200, com 220. E, existe hoje, uma demanda muito grande.

Cerca de 1/3 da população brasileira, hoje, ela é composta por pessoas que vivem sozinhas ou em casal. Ou separadas, em um segundo casamento, ou pessoas que deixaram a casa dos pais e estão morando sozinhas, ou pessoas que estão em uma idade em que já se aposentaram e que os filhos já se casaram e não estão mais com eles. Então, isso levou para que essas pessoas optassem por morar num apartamento com conforto, mas que não precisa ser tão grande".

BNews RN: Depois de três décadas de atuação em Natal, quais são os planos da Colmeia para os próximos anos? Há novos investimentos ou lançamentos previstos para o Rio Grande do Norte?

Otacílio Valente: ​Sim, nós estamos com esse lançamento (o IHOME Ponta Negra), e estamos captando novos terrenos para fazer novos empreendimentos, sempre focados naquilo que a gente entende que conhece, que sabe fazer de melhor, que são produtos destinados à classe média alta e, principalmente, com uma localização inquestionável. Isso nos faz atuar sempre nos melhores bairros e nas regiões com as melhores infraestruturas.

Novo empreendimento da Colmeia, o edifício IHome Ponta Negra fica na Av. Engenheiro Roberto Freire, em Natal
Novo empreendimento da Colmeia, o edifício IHome Ponta Negra fica na Av. Engenheiro Roberto Freire, em Natal

Essa é a grande causa, eu acho, do nosso sucesso, dos nossos empreendimentos, porque a gente tem um compromisso de que o nosso cliente, ao comprar um imóvel nosso, ele tenha garantida, uma rentabilidade ao longo do tempo. Ou seja, o imóvel ganha um valor adicional ao longo dos anos, e isso faz com que ele se sinta recompensado com o investimento que ele fez.

BNews RN: Se o senhor tivesse que convencer um investidor a apostar em Natal hoje, quais seriam os três principais motivos para investir na cidade?

Otacílio Valente: Natal é uma cidade conhecida pela sua vocação turística. Eu acho que tanto a região de Natal como as cidades vizinhas têm praias belíssimas, extremamente atraentes para novos investimentos. E isso deverá ocorrer de qualquer maneira. O que se espera é que o poder público ajude fazendo a infraestrutura necessária, fomentando o desenvolvimento desses locais para que a iniciativa privada complemente com os lançamentos imobiliários. Então, eu acho que a vocação para o desenvolvimento Natal tem. O que precisa mesmo, agora, é o poder público ajudar.

Otacílio Valente, diretor presidente da Colmeia
Otacílio Valente, diretor presidente da Colmeia

A Colmeia

Com 46 anos de existência, a construtora Cearense Colmeia é uma das mais reconhecidas do país, sobretudo no segmento de luxo, na região Nordeste. Já transitou por diversas vertentes dentro do mercado imobiliário, engajando-se na construção de hotéis, shoppings centers, conjuntos habitacionais, fábricas, entre outros.

É a responsável pelos maiores empreendimentos da orla de Fortaleza, incluindo o primeiro superedifício da Avenida Beira-Mar, o One Residencial, que redefiniu o horizonte da capital cearense e mais recentemente o Sky, outro gigante de 52 andares. Mas seu voo tem o tamanho do Brasil e chegou, com sucesso, a mais 3 cidades: Natal, no Rio Grande do Norte, Manaus, no Amazonas, e Campinas, em São Paulo.

Uma gigante também nos números: são mais de 170 projetos entregues, entre imóveis residenciais, corporativos e industriais; mais de 2.500.000 m² construídos, levando a sério a missão de conceber, comercializar e erguer edificações com conforto e rentabilidade, o que reforça sua eficiência e o compromisso com seus clientes com empreendimentos que atendem aos mais rigorosos padrões de segurança e desempenho estrutural.

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