Negócios
por José Nilton Jr.
Publicado em 06/10/2026, às 15h48
A inflação e o aumento das despesas operacionais estão pressionando as margens de lucro das empresas de pequeno e médio porte no Brasil. Para muitos donos de negócios, o desafio agora não é apenas aumentar as vendas, mas também garantir a estabilidade financeira diante do encarecimento de insumos, salários, impostos e outros gastos operacionais.
A dificuldade aparece no dia a dia das empresas e também é percebida nos escritórios de contabilidade. Segundo o contador Ricardo Brandão, da AB Assessoria, que atende principalmente empreendedores de pequenos e médios negócios, muitos empresários encontram dificuldades para repassar integralmente os aumentos de custos aos consumidores.
"Os preços estão subindo bastante, a inflação, enfim. E não é possível passar isso para o consumidor. As margens de lucro estão se reduzindo cada vez mais. Os custos dos insumos aumentam, os salários crescem, os tributos sobem e a margem de lucro do empresário diminui. Ele percebe que sua gordura líquida está cada vez mais escassa. A situação é bastante delicada", declarou Brandão.
Embora o índice geral de inflação tenha apresentado desaceleração recente, os dados oficiais mostram que a pressão sobre os preços continua relevante. Segundo o IBGE, o IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, mas acumula alta de 4,22% em 12 meses e de 3,11% no ano. O índice é utilizado pelo governo federal como referência para as metas de inflação.
Para as empresas, porém, o impacto não depende apenas do comportamento da inflação média. Determinados insumos, serviços e despesas podem apresentar aumentos superiores ao índice geral, afetando diretamente a formação dos preços e reduzindo a rentabilidade dos negócios.
Uma pesquisa realizada pela Serasa Experian com pequenas e médias empresas reforça esse cenário. Divulgado em abril, o levantamento apontou que 47% das PMEs consultadas classificaram a pressão dos custos como alta ou muito alta nos 12 meses anteriores. Além disso, 49% afirmaram ter registrado queda na lucratividade.
Entre os principais fatores apontados pelas empresas estavam os custos de insumos e matérias-primas, despesas com pessoal, tributos e aluguel. O cenário aumenta a dificuldade dos empresários para preservar as margens sem comprometer a capacidade de atrair e manter consumidores.
O Banco Central também identificou uma piora nas expectativas das empresas em relação à rentabilidade. No Relatório de Política Monetária de junho, a pesquisa Firmus mostrou uma queda expressiva nas expectativas para as margens nos 12 meses seguintes. O indicador recuou de 111 para 98 pontos, ficando pela primeira vez abaixo do nível considerado neutro na série.
Em análise recente, o Banco Central apontou ainda que as empresas pretendiam elevar seus preços, mas os reajustes projetados não seriam suficientes para compensar completamente a aceleração dos custos. Como consequência, a expectativa é de continuidade da compressão das margens.
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