Negócios
Publicado em 11/03/2026, às 07h31 Malu Machado
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União solicitou o afastamento cautelar do presidente do IBGE, Márcio Pochmann, devido a supostas irregularidades na gestão do órgão responsável pelas estatísticas econômicas do Brasil.
As denúncias incluem a desestruturação do corpo técnico, com exonerações de servidores experientes em favor de novatos, e a tentativa de criação da Fundação IBGE+, que poderia violar atribuições legais do instituto.
O ambiente de conflito interno no IBGE ameaça a credibilidade de dados essenciais, como o PIB e índices de inflação, e o caso agora será analisado pelos ministros do TCU, enquanto o IBGE aguarda um posicionamento oficial sobre as acusações.
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) protocolou um pedido de afastamento cautelar do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann.
A representação, assinada pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira, aponta uma série de supostas irregularidades na condução do órgão, que é o principal responsável pelas estatísticas e indicadores econômicos do país.
Um dos pontos centrais da denúncia é a desestruturação do corpo técnico da casa. Segundo o procurador, a gestão de Pochmann tem sido marcada por sucessivas exonerações e substituições de servidores de carreira, com décadas de experiência, por servidores recém-admitidos que ainda estão em estágio probatório.
Esses novos funcionários estariam sendo colocados em funções de "elevada complexidade técnica" e em setores estratégicos, como o de Contas Nacionais.
Para Júlio Marcelo de Oliveira, esse cenário revela um "quadro institucional preocupante" e indica uma possível "ingerência indevida na esfera técnico-científica do IBGE".
Outro fator determinante para o pedido de afastamento é a tentativa de criação da Fundação IBGE+. O procurador afirma que a iniciativa, descrita como uma entidade paralela para captação de recursos e inovação, extrapola as atribuições legais do instituto.
A utilização da estrutura, da marca institucional, do corpo técnico ou de competências legalmente atribuídas ao Instituto exigiria autorização legislativa expressa, sob pena de violação ao princípio da legalidade estrita", argumenta Oliveira no documento.
Ele reforça que a criação de tal estrutura não poderia ocorrer por ato meramente administrativo da presidência, especialmente por lidar com áreas sensíveis de produção e tratamento de dados oficiais.
O escrito destaca que o ambiente de conflito entre a direção e o corpo técnico coloca em xeque a autonomia e a credibilidade de dados vitais, como o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e índices de inflação.
O procurador alerta que qualquer manipulação, ainda que indireta, de parâmetros metodológicos para influenciar resultados conjunturais seria uma violação grave aos princípios constitucionais.
"O resultado do PIB influencia diretamente expectativas de crescimento, decisões de investimento, comportamento do mercado financeiro e a formulação da política fiscal", complementa o membro do MPTCU, ressaltando o perigo de politização dos indicadores, especialmente em períodos eleitorais.
O documento menciona ainda que problemas de gestão estão colocando em risco a continuidade de pesquisas relevantes, como o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil). Segundo o MP, a gestão "conflitiva e publicamente antagonizada" compromete não apenas o ambiente interno, mas a confiança externa no instituto.
O IBGE informou que aguarda o posicionamento oficial do órgão para se manifestar sobre as acusações. O pedido agora segue para análise dos ministros do TCU.
Classificação Indicativa: Livre
Modo Karaokê
som poderoso
Notebook Poderoso
famoso copo
Smartwatch top