Geral

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro; mais itens também entrarão na lista, confira

Foto: Agência Brasil
A União Europeia formaliza veto a carnes e mel do Brasil, alegando falhas em garantias sanitárias e uso de antimicrobianos.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Agência Brasil
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

[email protected]

Publicado em 06/06/2026, às 16h37



A União Europeia (UE) formalizou a decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto oficial, que vinha sendo desenhado há cerca de um mês, logo após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco, foi confirmado em documento publicado no Diário Oficial da UE. A medida restritiva passará a valer a partir do próximo dia 3 de setembro.

De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar documentalmente que seus produtores atendem a determinadas exigências sanitárias do bloco. O ponto central da divergência é a falta de garantias de que não são utilizados, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções nos animais. Em abril, o governo brasileiro chegou a proibir parte dessas substâncias usadas para estimular o crescimento e a produtividade animal, mas os europeus consideraram as medidas insuficientes.

As restrições fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública chamada One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. O veto engloba substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina. A cautela europeia, contudo, não significa que a proteína brasileira esteja contaminada, tratando-se de um impasse puramente regulatório de rastreabilidade sanitária e certificação.

Abiec defende robustez do sistema de inspeção brasileiro

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) se posicionou sobre a decisão e defendeu a qualidade do produto nacional. Em nota, a entidade reforçou o cumprimento dos protocolos globais de segurança.

"dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo" e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo "rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente".

A associação destacou ainda que o setor privado já vem trabalhando em parceria direta com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para elaborar novos protocolos que atendam às exigências do mercado europeu.

ABPA contesta motivação sanitária do veto

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também emitiu um comunicado oficial informando que acompanha de perto o caso e manifestou total confiança nas autoridades brasileiras para reverter o cenário tecnicamente, demonstrando que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos".

A entidade fez questão de deixar claro que a medida da União Europeia não aponta falhas reais nos alimentos exportados pelo Brasil.

"não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira", mas sim ao reconhecimento europeu dos "mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil".

A ABPA concluiu reconhecendo a legitimidade das iniciativas de proteção à saúde pública, mas cobrou que as regras internacionais estejam sempre “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

Para retomar as vendas ao bloco econômico a partir de setembro, o Brasil precisará ampliar as restrições legais aos medicamentos citados ou implementar um sistema de monitoramento muito mais complexo e detalhado, o que deve elevar os custos operacionais de produtores e frigoríficos nacionais.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating