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Tragédia em salto de ponte expõe sequência de falhas; cliente anterior desistiu por medo

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Especialistas criticam a falta de checagens de segurança e procedimentos básicos que foram ignorados antes de tragédia na Ponte do Esqueleto  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Internet
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 16/06/2026, às 13h22



A morte da profissional de Educação Física Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, desencadeou uma série de questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados na atividade. Especialistas apontam diversos procedimentos básicos teriam sido ignorados.

Os três responsáveis pelo lançamento, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva. Segundo a investigação, o grupo atuava por meio de marcas divulgadas nas redes sociais, sem empresa formalmente constituída.

Maria Eduarda havia pago R$ 180 pela experiência e mais R$ 150 para registrar o salto com uma câmera de 360 graus. O equipamento ainda não foi localizado pelas autoridades.

Falhas em série

Para o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano (ABRJH), Marco Antonio Junior, conhecido como Jota, o acidente evidencia o descumprimento de regras elementares da modalidade. Segundo ele, a chamada dupla checagem, considerada obrigatória em esportes de aventura, não foi realizada.

As imagens que registraram a queda viralizaram nas redes sociais e mostram a jovem sendo carregada por três instrutores até a plataforma antes de ser lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”. Para Jota, a gravação revela a ausência de um padrão mínimo de segurança.

O especialista também criticou a atuação dos profissionais envolvidos, afirmando que não houve conferência adequada da amarração nem da regulagem da corda, procedimento normalmente realizado por um profissional conhecido como “rigger”, responsável por calcular e ajustar a altura do equipamento.

Críticas

Outro ponto destacado pelos especialistas foi a escolha da posição “aviãozinho” para uma praticante iniciante. De acordo com Jota, esse tipo de salto aumenta os riscos operacionais, principalmente em plataformas estreitas, onde movimentos bruscos podem comprometer o equilíbrio dos participantes e dos instrutores.

O presidente da Associação Paulista de Rapel, Gleidson Rodrigues, concorda que o acidente decorreu de uma sucessão de falhas operacionais. Segundo ele, a prática recomendada prevê que o participante realize o salto por conta própria, após uma última conferência visual dos equipamentos.

Rodrigues também ressaltou a ausência da chamada checagem cruzada, procedimento em que pelo menos duas pessoas verificam independentemente a conexão das cordas antes da liberação do salto. Para ele, até mesmo o briefing de segurança, que orienta os participantes sobre os protocolos da atividade, teria sido ignorado.

Local da queda que matou jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, em salto de rope jump em Limeira (SP) — Foto: Editoria de ArteFoto: Editoria de Arte/O Globo

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Instrutor afirma que não viu momento do lançamento

O instrutor identificado apenas como Gustavo afirmou que equipou Maria Eduarda antes da atividade, mas disse que estava atendendo outra cliente quando ocorreu o acidente. Segundo seu relato, ele estava de costas para a plataforma e não acompanhou a preparação final do salto.

De acordo com Gustavo, uma participante que saltaria antes da jovem desistiu por medo. Maria Eduarda acabou sendo a primeira pessoa a realizar o salto na modalidade “aviãozinho” naquele momento.

O instrutor contou ainda que, inicialmente, não percebeu que algo estava errado, já que gritos costumam ser comuns durante a atividade. Somente após ouvir comentários sobre a queda é que entendeu a gravidade da situação e acompanhou a mobilização para prestar os primeiros socorros.

Investigação apura organizadores

Segundo a Polícia Civil, dois dos investigados relataram ter sofrido um “apagão” durante os procedimentos de preparação e não souberam explicar em que momento deixaram de prender a corda de segurança na vítima.

A delegada responsável pelo caso informou que não existia uma empresa regularmente constituída por trás da operação. Os organizadores promoviam os saltos utilizando marcas divulgadas nas redes sociais, cujos perfis deixaram de estar disponíveis após a repercussão do caso.

Para Jota, a tragédia reforça a necessidade de regulamentação do rope jump no Brasil. A Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano pretende encaminhar projetos de lei para municípios paulistas com o objetivo de estabelecer normas específicas para a prática da modalidade.

Sobre a jovem

Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda era formada em Educação Física e trabalhava em uma academia. Em suas redes sociais, costumava publicar conteúdos relacionados a esportes, natureza e qualidade de vida.

Horas antes do acidente, ela registrou uma fotografia diante de placas que alertavam para o risco de morte na Ponte do Esqueleto. Pouco antes do salto, publicou uma mensagem em tom de brincadeira questionando quem teria permitido que ela fosse pular da estrutura.

O local onde ocorreu a tragédia possui histórico recente de acidentes. Em 2024, uma ciclista morreu após cair da ponte, enquanto outras duas mulheres ficaram gravemente feridas em ocorrências registradas anteriormente. Atualmente, a Prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União divergem sobre a responsabilidade pela fiscalização e pelo controle de acesso à estrutura ferroviária inacabada.

Classificação Indicativa: Livre

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