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“Sentimento de luto constante", diz vereadora de Natal sobre liderança vergonhosa do Brasil

Tomaz Silva/Agência Brasil
Primeira vereadora trans de Natal e do RN, Thabatta Pimenta afirma que números de ranking mundial de transfobia representam vidas interrompidas  |   BNews RN - Divulgação Tomaz Silva/Agência Brasil
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 31/01/2026, às 06h00



O Brasil segue ocupando um lugar vergonhoso no cenário internacional: o de país que mais mata pessoas transgênero e travestis no mundo. A informação foi divulgada no início desta semana pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), por meio do "DOSSIÊ - ASSASSINATOS E VIOLÊNCIAS CONTRA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS BRASILEIRAS 202". Nele consta que, somente no ano passado, pelo menos 80 pessoas trans ou travestis foram assassinadas no Brasil.

Importante destacar que na quinta-feira passada, dia 29 de janeiro, foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans - uma data que convida à reflexão, sobre inclusão, combate à discriminação e garantia de direitos para pessoas transgênero.

Abaixo, veja dados divulgados pelo dossiê elaborado pela ANTRA. 

Indignação sem surpresa

Para uma análise mais real da situação, o BNews Natal ouviu a opinião da vereadora Thabatta Pimenta (PSOL), primeira mulher trans eleita no Rio Grande do Norte. Em 2020, ela se elegeu vereadora pelo município de Carnaúba dos Dantas. Já em 2024, conseguiu vaga na Câmara Municipal de Natal. Além de defensora das causas LGBTQIA+, também é forte ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida e contra a linguagem capacitista.

Segundo a parlamentar, os dados divulgados pela ANTRA causam indignação, mas já não surpreendem:

É um sentimento de luto constante e de urgência. Cada número desse levantamento é uma vida, um sonho interrompido e uma família destruída pelo ódio”.

Ainda de acordo com Thabatta, a permanência do Brasil no topo desse ranking ao longo dos anos evidencia um “projeto de exclusão e desumanização” da população trans.

Não são apenas estatísticas. São nossas irmãs sendo tombadas enquanto o Estado assiste em silêncio”, disse.
Vereadora Thabatta Pimenta
Vereadora Thabatta Pimenta

Enfrentamento além da punição

Para mudar esse cenário de violência, Thabatta defende um enfrentamento que vá além da punição após os crimes. “Precisamos de prevenção e cidadania. Isso passa por educação inclusiva para combater o preconceito na base, oportunidades de emprego e renda para tirar nossas meninas da vulnerabilidade das ruas, além de uma segurança pública qualificada, com delegacias que saibam acolher e registrar corretamente nossas ocorrências”, pontua. Ela também cobra a aplicação rigorosa do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que equipara a transfobia ao crime de racismo.

Medo de não voltar para casa

Questionada sobre a segurança no Rio Grande do Norte, a vereadora é categórica: o estado ainda não é seguro para pessoas trans e travestis:

Nenhum estado brasileiro é plenamente seguro quando podemos ser agredidas apenas por existir. O RN avançou no diálogo, mas ainda vemos casos cruéis de violência e muita invisibilidade no interior”, alerta.

Para ela, segurança só existirá quando pessoas trans puderem circular livremente, sem medo de não voltar para casa.

Políticas públicas insuficientes

Thabatta também avalia que as políticas públicas de proteção no RN são insuficientes. Apesar de avanços pontuais, como a criação do Ambulatório Trans e canais de denúncia, ela critica a lentidão e a falta de alcance das ações.

Precisamos de casas de acolhimento, políticas de habitação e de uma rede de proteção que funcione de verdade. Não pode ficar só no papel”, defende.

A vereadora ressalta também a necessidade de investimentos concretos em programas de proteção à vida e empregabilidade.

Ausência de dados oficiais sobre a população trans no RN é obstáculo

Outro obstáculo apontado é a ausência de dados oficiais sobre a população trans no estado.

Vivemos um verdadeiro apagão de dados. Não existe um censo estadual ou municipal que diga quantas somos e como vivemos”, afirma.

Atualmente, segundo ela, as informações disponíveis vêm de organizações da sociedade civil, como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). “Se o Estado não nos conta, ele não nos vê. E se não nos vê, não formula políticas públicas. Precisamos ser contadas para sermos respeitadas”, conclui.

Assassinatos de trans e travestis no Brasil (2025)

  • Minas Gerais: 8
  • Ceará: 8
  • Bahia: 7
  • Pernambuco: 7
  • Maranhão: 5
  • Pará: 5
  • Goiás: 5
  • Paraíba: 4
  • Paraná: 4
  • Rio Grande do Norte: 4
  • São Paulo: 4
  • Mato Grosso: 3
  • Rio de Janeiro: 3
  • Alagoas: 2
  • Distrito Federal: 2
  • Espírito Santo: 2
  • Mato Grosso do Sul: 2
  • Amazonas: 1
  • Amapá: 1
  • Rio Grande do Sul: 1
  • Santa Catarina: 1
  • Sergipe: 1
  • Acre, Piauí, Rondônia, Tocantins e Roraima: não foram encontrados registros

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Classificação Indicativa: Livre

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