Geral
O cinema brasileiro enfrenta um cenário devastador nos primeiros quatro meses de 2026. Segundo dados da Ancine e do portal Filme B, o número de espectadores de produções nacionais recuou incríveis 72% em comparação ao mesmo período de 2025. Enquanto no ano passado sucessos como "O Auto da Compadecida 2" e "Ainda Estou Aqui" garantiram 26% do público total das salas, em 2026 esse índice minguou para apenas 7,1%.
Dos 27,8 milhões de ingressos vendidos no país nas primeiras 14 semanas do ano, apenas 1,97 milhão foram para filmes brasileiros. O mercado está concentrado: o longa "O Agente Secreto" sozinho responde por 67% de toda a bilheteria do segmento nacional.
A crise ganhou contornos de escândalo após denúncias de que grandes redes, como a Cinemark, estariam usando brechas na lei para cumprir a Cota de Tela (obrigatoriedade de exibir filmes nacionais) sem dar visibilidade real às obras. A estratégia consistiria em programar sessões de filmes infantis curtos, como "Zuzubilândia", em horários de baixíssima procura, como às 11h da manhã, apenas para bater as metas numéricas de sessões.
Para combater o esvaziamento do cinema nacional, a Ancine atualizou as normas de exibição nesta semana. O objetivo é induzir os exibidores a valorizarem os filmes em horários nobres. Confira as principais mudanças:
Bônus para horário nobre: sessões de filmes brasileiros após as 17h passarão a contar mais para o cálculo da cota.
Com essas medidas, a Ancine espera que o cumprimento da lei deixe de ser meramente formal e passe a oferecer ao espectador a chance real de encontrar o cinema brasileiro no horário em que ele costuma ir ao shopping.
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