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Publicado em 26/03/2026, às 11h45 Malu Machado
Uma pesquisa da UFRN explora os desafios enfrentados por mães de crianças com Trissomia do Cromossomo 21, revelando a sobrecarga e a falta de suporte público que essas mulheres enfrentam na maternidade.
Os resultados indicam que o cuidado é predominantemente atribuído às mulheres, que lidam com dificuldades no acesso a serviços essenciais, preconceitos sociais e incertezas sobre o futuro de seus filhos.
A pesquisa destaca o Coletivo Mães T21 RN como uma importante rede de apoio e resistência, e sugere que políticas como a Política Nacional de Cuidados podem ajudar a reconhecer o cuidado como um direito social fundamental.
A experiência de mulheres que integram o coletivo Mães T21 RN (mães de crianças com Trissomia do Cromossomo 21) é o tema central de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O estudo, de autoria da psicóloga clínica Maria Luísa Paes, investiga os desafios da maternidade e a sobrecarga enfrentada por essas mulheres diante da insuficiência de suporte público.
A dissertação, orientada pela professora Ilana Lemos de Paiva e vinculada ao OBIJUV/UFRN, foi defendida no último dia 17 de março. A pesquisa contou com entrevistas qualitativas com 10 mulheres do coletivo, contemplando diferentes recortes de renda, etnia, orientação sexual e contextos territoriais no Rio Grande do Norte.
Os resultados do estudo indicam que o cuidado é distribuído de forma desigual na sociedade, permanecendo concentrado quase exclusivamente nas mulheres. A análise aponta que a experiência materna é atravessada por:
Para a pesquisadora Maria Luísa Paes, é urgente refletir sobre essas condições.
O papel de cuidadoras primárias torna-se exaustivo diante do desfinanciamento de serviços públicos. É preciso romper com a perspectiva de um cuidado restrito ao âmbito familiar individual”, observa.
A pesquisa também identifica o papel fundamental do Coletivo Mães T21 RN como uma rede de apoio e resistência política. Diante da negligência estatal, o grupo atua na garantia de direitos e na luta anticapacitista.
O estudo conclui que iniciativas como a Política Nacional de Cuidados são caminhos possíveis para reconhecer o cuidado como uma questão de justiça e direito social, garantindo bem-estar tanto para quem é cuidado quanto para quem cuida.
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