Geral

Pesquisa da UFRN mostra realidade invisível das mães de crianças com Síndrome de Down

Instagram/@maest21rn
Estudo da UFRN investiga a sobrecarga e desafios enfrentados por mães de crianças com Trissomia do Cromossomo 21 no Rio Grande do Norte  |   BNews RN - Divulgação Instagram/@maest21rn

Publicado em 26/03/2026, às 11h45   Malu Machado



Uma pesquisa da UFRN explora os desafios enfrentados por mães de crianças com Trissomia do Cromossomo 21, revelando a sobrecarga e a falta de suporte público que essas mulheres enfrentam na maternidade.

Os resultados indicam que o cuidado é predominantemente atribuído às mulheres, que lidam com dificuldades no acesso a serviços essenciais, preconceitos sociais e incertezas sobre o futuro de seus filhos.

A pesquisa destaca o Coletivo Mães T21 RN como uma importante rede de apoio e resistência, e sugere que políticas como a Política Nacional de Cuidados podem ajudar a reconhecer o cuidado como um direito social fundamental.

Resumo gerado por IA

A experiência de mulheres que integram o coletivo Mães T21 RN (mães de crianças com Trissomia do Cromossomo 21) é o tema central de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 

O estudo, de autoria da psicóloga clínica Maria Luísa Paes, investiga os desafios da maternidade e a sobrecarga enfrentada por essas mulheres diante da insuficiência de suporte público.

A dissertação, orientada pela professora Ilana Lemos de Paiva e vinculada ao OBIJUV/UFRN, foi defendida no último dia 17 de março. A pesquisa contou com entrevistas qualitativas com 10 mulheres do coletivo, contemplando diferentes recortes de renda, etnia, orientação sexual e contextos territoriais no Rio Grande do Norte.

Estudo é de autoria da psicóloga clínica Maria Luísa Paes. Foto: CCHLA/UFRN
Estudo é de autoria da psicóloga clínica Maria Luísa Paes. Foto: CCHLA/UFRN

Cuidado invisível e sobrecarga

Os resultados do estudo indicam que o cuidado é distribuído de forma desigual na sociedade, permanecendo concentrado quase exclusivamente nas mulheres. A análise aponta que a experiência materna é atravessada por:

  • Sobrecarga exaustiva: dificuldade no acesso a direitos básicos como educação e saúde;
  • Capacitismo: o enfrentamento diário ao preconceito da sociedade;
  • Medo do futuro: incertezas relacionadas às demandas de saúde dos filhos;
  • Trabalho individualizado: a ausência de uma rede de segurança social que trate o cuidado como uma necessidade coletiva.

Para a pesquisadora Maria Luísa Paes, é urgente refletir sobre essas condições. 

O papel de cuidadoras primárias torna-se exaustivo diante do desfinanciamento de serviços públicos. É preciso romper com a perspectiva de um cuidado restrito ao âmbito familiar individual”, observa.

O Coletivo como rede de resistência

A pesquisa também identifica o papel fundamental do Coletivo Mães T21 RN como uma rede de apoio e resistência política. Diante da negligência estatal, o grupo atua na garantia de direitos e na luta anticapacitista.

O estudo conclui que iniciativas como a Política Nacional de Cuidados são caminhos possíveis para reconhecer o cuidado como uma questão de justiça e direito social, garantindo bem-estar tanto para quem é cuidado quanto para quem cuida.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating