Com a intensificação do consumo de peixes durante o verão e a proximidade do Carnaval, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu uma nota técnica alertando para o risco de intoxicação por ciguatera no Rio Grande do Norte.
O comunicado é direcionado à população em geral, além de pescadores, comerciantes e profissionais de saúde, e reforça orientações de prevenção diante do aumento da circulação e do consumo de pescados nas praias do litoral potiguar.
Segundo a pasta, a atenção deve ser redobrada especialmente neste período, quando cresce a procura por peixes de médio e grande porte.
Toxina invisível e resistente ao preparo
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas que se desenvolvem em áreas de corais e recifes. Peixes menores se alimentam dessas algas e a toxina acaba se acumulando em espécies maiores e carnívoras ao longo da cadeia alimentar.
Um dos principais agravantes é que a toxina não pode ser detectada pelo cheiro, pelo sabor ou pela aparência do peixe. As ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, além de não serem eliminadas por métodos comuns de preparo, como cozimento, congelamento, salga ou defumação.
A substância permanece ativa mesmo após o preparo do alimento e costuma estar mais concentrada na cabeça, nas vísceras e nas ovas dos peixes contaminados.
Sintomas podem durar semanas ou meses
Os sintomas da intoxicação geralmente surgem entre 30 minutos e 24 horas após o consumo do pescado. Entre os sinais mais frequentes estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca.
Em alguns casos, os sintomas podem persistir por semanas ou até meses, o que reforça a gravidade do quadro. Não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera, e o atendimento médico é voltado ao alívio dos sintomas, com hidratação, analgésicos, medicamentos para náuseas e acompanhamento clínico.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública orienta que, ao apresentar sintomas compatíveis, a pessoa procure imediatamente um serviço de saúde e informe o consumo de peixe nas últimas 48 horas.
Casos registrados e canais de orientação
Sempre que possível, a recomendação é identificar a espécie consumida e guardar sobras do pescado, devidamente acondicionadas e congeladas, para análise da Vigilância Sanitária. A pasta também orienta evitar o consumo de peixes associados a relatos de intoxicação, sobretudo quando a procedência é desconhecida.
No Rio Grande do Norte, o primeiro surto confirmado de ciguatera foi registrado em 2022, envolvendo dez pessoas de uma mesma família após o consumo de bicuda, conhecida como barracuda. Entre fevereiro e maio de 2025, foram confirmados três surtos, com 18 pessoas expostas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado.
Atualmente, outros cinco surtos estão em investigação epidemiológica no estado, envolvendo 36 pessoas. Entre 2022 e 2025, foram notificados 77 casos de intoxicação exógena relacionados à ciguatera, incluindo surtos confirmados e episódios em apuração, com maior associação às espécies barracuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
Em caso de dúvidas, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Rio Grande do Norte (CIATOX-RN) funciona 24 horas pelos telefones 0800 281 7005 ou pelo WhatsApp (84) 98883-9155.