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Nordeste tem mais de 5 mil pessoas na fila do transplante de medula; veja a realidade do RN

Rio Grande
RN possui 92.106 potenciais doadores cadastrados no REDOME, enquanto mais de 500 pacientes aguardam na fila por um transplante  |   BNews RN - Divulgação Rio Grande
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 08/08/2026, às 06h00



O Rio Grande do Norte tem atualmente 502 pacientes à espera de um doador de medula óssea, segundo dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o REDOME. No Nordeste, são mais de 5.600 pessoas na fila, todas dependentes da identificação de uma compatibilidade genética para ter acesso ao transplante que pode representar uma nova chance de vida.

Do total de pacientes potiguares que aguardam pela compatibilidade, 292 são do sexo masculino e 210 do sexo feminino. A demanda continua crescendo: somente este ano, 22 novos pacientes foram cadastrados no estado à espera de um doador compatível. Entre eles está o monsenhor Robério Camilo da Silva, sacerdote da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no bairro Mãe Luíza, em Natal.

O pároco foi diagnosticado com Síndrome Mielodisplásica, doença caracterizada pela rodução insuficiente de células sanguíneas. Neste sábado (08), inclusive, a Arquidiocese de Natal está promovendo um mutirão para cadastramento de novos doadores de medula óssea.

A ação, que acontece em parceria com o Hemonorte Natal, começa às 8h30 e vai até às 16h, no subsolo da Catedral Metropolitana, no bairro Tirol. O objetivo é ampliar o banco de doadores e aumentar as chances de transplante para pacientes que aguardam um doador compatível, entre eles o próprio monsenhor Robério.

Como é feita a coelta e a doação? médico explica

A doação de medula óssea é um procedimento seguro, realizado após avaliação médica e exames para garantir a saúde do doador e a segurança do receptor. Para explicar como acontece o procedimento, o BNews RN ouviu o médico hematologista James Maciel, da unidade de terapia celular do Hospital Rio Grande, referência em transplantes de medula óssea no estado. 

O especialista destaca que a coleta pode ser feita de duas formas: diretamente da medula óssea, com anestesia, ou por aférese, quando uma máquina separa as células-tronco do sangue e devolve os demais componentes ao doador.

O especialista destaca que a coleta pode ser feita de duas formas: diretamente da medula óssea, com anestesia, ou por aférese, quando uma máquina separa as células-tronco do sangue e devolve os demais componentes ao doador
Uma das formas de coletar a medula óssea é por aférese, quando uma máquina separa as células-tronco do sangue

"A doação pode ser tanto pela via convencional ou clássica, diretamente da medula óssea. Nesse caso, o hematologista realiza o procedimento em centro cirúrgico, com o doador submetido à anestesia. Então, ele não vai sentir dor. O hematologista coleta um volume necessário de células-tronco diretamente da medula para ser transferido para o receptor. Esse é o procedimento convencional ou clássico de doação de medula óssea", relata.

"O outro procedimento, ou outra forma, seria a coleta de células-tronco através de uma máquina de filtração, ou de aférese, que se assemelha a uma máquina de hemodiálise. Por esse procedimento, o doador primeiro é tratado com um medicamento para fazer com que as células-tronco saiam de dentro da medula óssea e circulem em número suficiente para possibilitar o transplante", acrescenta Maciel.

Ainda de acordo com o médico, no dia da coleta, são puncionadas as veias do braço do doador e o sangue sai, passando pela máquina, que filtra e retira apenas as células-tronco. "O restante é devolvido para o doador", pontuou.

Procedimentos seguros

"É importante que se ressalte que ambos os procedimentos são seguros, são realizados em centros com experiência e que obedecem a protocolos de segurança para que não haja nenhum tipo de risco para o doador. Ele, obviamente, vai poder voltar às suas atividades normais no intervalo de poucos dias, tanto exercício quanto trabalho, etc".

"É um procedimento extremamente seguro e também de grande importância para salvar vidas".

RN possui atualmente 92.106 potenciais doadores

Do outro lado da fila de espera estão milhares de voluntários. O RN possui atualmente 92.106 potenciais doadores cadastrados no REDOME. Desse total, 50.359 são mulheres e 41.747 são homens.

Somente em 2026, mais de 1.000 pessoas fizeram o cadastro como potenciais doadores de medula óssea no Rio Grande do Norte, ampliando o banco de voluntários que pode ser consultado quando um paciente precisa encontrar uma compatibilidade.

O RN possui atualmente 92.106 potenciais doadores cadastrados no REDOME
O RN possui atualmente 92.106 potenciais doadores cadastrados no REDOME

Nordeste tem mais de 5.600 pessoas aguardando transplante de medula 

O cenário potiguar faz parte de uma rede ainda maior. Em todo o Nordeste, 1.169.327 pessoas estão cadastradas no REDOME como potenciais doadoras de medula óssea. Apesar do número expressivo de voluntários, 5.636 pacientes nordestinos estão na fila aguardando por um transplante de medula óssea.

A razão está na dificuldade de encontrar uma compatibilidade. A doação de medula óssea depende de características genéticas específicas, e a possibilidade de encontrar um doador compatível aumenta conforme cresce o número e a diversidade de pessoas cadastradas.

Brasil tem mais de 6 milhões de potenciais doadores

Em âmbito nacional, o REDOME já ultrapassou a marca de 6 milhões de potenciais doadores cadastrados. O registro recebe ainda mais de 125 mil novos voluntários por ano, fortalecendo uma das maiores redes de doadores voluntários de medula óssea do mundo. 

Segundo o REDOME, os doadores cadastrados no registro são responsáveis por aproximadamente 65% dos transplantes de medula óssea realizados em pacientes brasileiros que encontram um doador compatível.

O cadastro, no entanto, não significa que o voluntário será chamado imediatamente para realizar a doação. A pessoa permanece registrada e pode ser procurada meses ou até anos depois, caso seja identificada como potencialmente compatível com um paciente.

Por isso, manter os dados pessoais atualizados é fundamental. Se houver uma possível compatibilidade, o REDOME precisa conseguir localizar o voluntário para realizar novos exames e confirmar se ele poderá efetivamente fazer a doação.

Para quem está na fila, o cadastro de um desconhecido pode significar muito mais do que uma estatística. Pode ser a chance de continuar vivendo.

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