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Publicado em 11/11/2025, às 09h31 Bruna Souza
O açaí, nativo da Amazônia e que brota do açaizeiro, uma palmeira que pode atingir até 20 metros, é o principal meio de sustento de milhares de famílias ribeirinhas no Pará, como as que vivem na Ilha do Combu, próxima a Belém.
Longe das grandes indústrias, o verdadeiro açaí é produzido por meio de um método tradicional, passado de geração em geração, que envolve um manejo cuidadoso e uma colheita que exige destreza e coragem.
O processo de colheita é uma rotina diária e trabalhosa para os ribeirinhos. O manejo do açaí, que se intensifica durante o verão, época de maior safra, não se resume apenas a subir na palmeira.
O dia começa cedo, com o coletor se preparando para entrar na mata e iniciar um método de escalada. O ribeirinho usa uma folha da própria palmeira para criar um laço que serve como apoio e sustentação na subida do tronco gigante e liso do açaizeiro.
Com muita força e equilíbrio, o coletor usa as mãos e os pés para subir ao topo da árvore, muitas vezes em menos de dois minutos. É crucial selecionar apenas o açaí maduro, conhecido como açaí preto. Para encher uma única cesta esse processo precisa acontecer pelo menos 10 vezes.
Após a colheita, o açaí passa por um processo artesanal, onde o ribeirinho transforma o caroço colhido na polpa pronta para o consumo. Os caroços são colocados em uma pequena máquina que é operada manualmente, com muito cuidado e paciência.
Embora pareça um trabalho simples, necessita de uma grande atenção aos detalhes e técnicas, como a quantidade certa de água e fruta. "Quanto menos água você coloca, mais gostoso o açaí fica", relata o ribeirinho Jonh Victor dos Santos, em entrevista ao Terra.
A Ilha do Combu, habitada por comunidades que vivem da agricultura de subsistência e da pesca, se tornou um ponto de referência para a bioeconomia paraense.
“Comecei a trabalhar com meu pai aos seis anos de idade. Quando cresci, fui ficando independente e hoje eu cuido do manejo do açaí. Quando chega o verão, que é quando mais temos açaí no pé para colher, eu preciso de mais gente para trabalhar comigo”, explica Jonh sobre o comércio dos açaizeiros.
Com as cestas cheias, o ribeirinho precisa pegar um barco para Belém e chegar à feira por volta das 8h. Uma bacia de açaí pode custar até R$500, dependendo da época da colheita e da qualidade do fruto.
Além da base econômica do açai, a ilha ainda abriga iniciativas bem-sucedidas, como a fábrica de chocolates Filha do Combu, criada por Dona Nena, que gera renda para mulheres da região e atrai o turismo gastronômico.
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