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Método Taylor Swift: pesquisa criada no RN vira referência mundial e professora denuncia plágio de universidade internacional

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A bióloga Gláucia Lidiane da Silva utiliza videoclipes para ensinar botânica, mas enfrenta acusações de plágio de professor espanhol  |   BNews RN - Divulgação Cedida
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 08/08/2026, às 09h00



O que começou como uma estratégia para tornar as aulas de botânica mais atrativas para estudantes acabou colocando uma pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no centro de uma disputa internacional sobre autoria acadêmica.

Criado pela bióloga e pesquisadora Gláucia Lidiane da Silva, o chamado Método Taylor Swift ganhou reconhecimento científico ao utilizar videoclipes da cantora norte-americana como ferramenta de ensino, mas agora é alvo de uma denúncia de plágio contra um professor de uma universidade da Espanha.

A metodologia foi publicada em 2025 na revista científica Annals of Botany, uma das mais conceituadas da área, após anos de pesquisa desenvolvida na UFRN. Segundo Gláucia, o método nasceu da necessidade de enfrentar a chamada "impercepção botânica", fenômeno que descreve a dificuldade de muitas pessoas em perceber a presença e a importância das plantas no cotidiano.

Em entrevista exclusiva ao BNews RN, a pesquisadora contou que a ideia surgiu em 2020, durante a pandemia, ao assistir ao videoclipe de Cardigan, de Taylor Swift.

"Quando assisti ao vídeo de Cardigan, notei que havia um cenário repleto de musgos. Pensei que poderia usar aquilo para introduzir uma aula sobre musgos. Como a impercepção botânica faz com que os alunos simplesmente não enxerguem as plantas ao redor, percebi que os videoclipes poderiam ajudá-los a desenvolver esse olhar", explicou.

Método nasceu em Natal e ganhou projeção internacional

A proposta evoluiu para um banco de dados que relaciona videoclipes da artista a diferentes conteúdos da botânica. Segundo a pesquisadora, mais de 50 músicas e clipes apresentam elementos que podem ser utilizados em sala de aula para facilitar o aprendizado.

Os resultados apareceram rapidamente. Conforme Gláucia, a metodologia aumentou a participação dos estudantes, reduziu a resistência à disciplina e melhorou o desempenho em avaliações.

O reconhecimento veio em 2024, quando ela apresentou o trabalho durante o Congresso Internacional de Botânica, realizado em Madri, na Espanha. No ano seguinte, o estudo foi publicado na Annals of Botany, consolidando a pesquisa como uma proposta inovadora para o ensino da biologia.

Apesar da repercussão positiva, a pesquisadora afirma que jamais imaginou que o trabalho pudesse gerar uma disputa internacional.

"Nunca passou pela minha cabeça que isso pudesse acontecer. Eu só queria criar uma ferramenta para facilitar o ensino de botânica. Jamais imaginei que fosse virar tudo isso", disse.

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Professora afirma que pesquisador reproduziu metodologia

Segundo Gláucia, a denúncia surgiu após identificar semelhanças entre seu trabalho e um capítulo de livro publicado por um professor da Universidad Miguel Hernández de Elche (UMH), na Espanha.

Ela afirma que o pesquisador utilizou a mesma estrutura metodológica desenvolvida por ela, relacionando os mesmos videoclipes aos mesmos conteúdos botânicos, sem qualquer referência ao estudo publicado pela UFRN.

"O professor espanhol usa exatamente a mesma arquitetura metodológica que eu criei, os mesmos vídeos para os mesmos assuntos botânicos, chama de 'nova metodologia' e 'metodologia inovadora', mas não cita meu trabalho. Inclusive utiliza dados do meu artigo publicado em 2025 sem qualquer referência", afirmou.

Segundo a pesquisadora, o docente também assistiu à apresentação do Método Taylor Swift durante o congresso realizado em Madri, fato reconhecido pelo próprio professor nos agradecimentos do capítulo publicado.

Tentativas de solução não avançaram

Antes de tornar a denúncia pública, Gláucia afirma que buscou resolver o caso por vias institucionais. Ela relata ter procurado o pesquisador, a universidade espanhola, o departamento responsável e a editora da publicação.

De acordo com a pesquisadora, o professor reconheceu a semelhança entre os trabalhos, mas nenhuma alteração foi realizada.

"Esgotei todas as vias institucionais. O professor reconhece a similaridade, mas a universidade não tomou nenhuma providência. Pelo contrário: chegaram a pedir que eu parasse de falar sobre o caso nas redes sociais", declarou.

Ela também revelou que a UFRN encaminhou documentação formal à instituição espanhola e à editora responsável pela publicação, mas, segundo ela, nenhuma medida efetiva foi adotada.

Caso reacende debate sobre ciência brasileira

Para Gláucia, o episódio expõe dificuldades enfrentadas por pesquisadores brasileiros para obter reconhecimento internacional e combater casos de apropriação acadêmica.

"A ciência brasileira tem muita qualidade. Fazemos muito com poucos recursos. Infelizmente, muitos pesquisadores brasileiros passam por situações semelhantes. Não sou a primeira e, infelizmente, não serei a última", afirmou.

Após divulgar a denúncia, a pesquisadora recebeu dezenas de mensagens de estudantes e pesquisadores relatando experiências parecidas.

Segundo ela, mais de 50 pessoas entraram em contato contando casos de plágio envolvendo instituições estrangeiras, principalmente universidades espanholas.

Um dos relatos mais marcantes, segundo Gláucia, foi o de um pesquisador que abandonou a carreira acadêmica após enfrentar situação semelhante.

"Ele terminou a mensagem dizendo: 'Por favor, ganhe por mim. Ganhe por todos nós estudantes brasileiros que não tivemos forças contra os europeus'. Isso me marcou profundamente."

Relatório da universidade espanhola gera novo questionamento

Entre os desdobramentos mais recentes do caso, Gláucia afirma que o comitê de ética da universidade espanhola concluiu que ela não teria apresentado documentação suficiente para embasar a denúncia.

No entanto, segundo a pesquisadora, o próprio reitor da instituição confirmou posteriormente o recebimento de um e-mail enviado pela Reitoria da UFRN contendo 17 arquivos com documentos e provas relacionados ao caso.

"O reitor da universidade confirmou que recebeu toda a documentação enviada pela UFRN. Minha dúvida é: por que esses documentos não foram considerados no relatório do comitê de ética? E por que a editora utilizou apenas esse relatório para analisar o caso?", questionou.

Enquanto aguarda novos desdobramentos institucionais, Gláucia afirma que seguirá defendendo o reconhecimento da autoria do Método Taylor Swift e reforça que o debate vai além de um caso individual.

"Isso não é apenas sobre mim. É sobre proteger a produção científica brasileira e garantir que pesquisadores tenham seu trabalho reconhecido onde quer que ele seja utilizado", concluiu.

Classificação Indicativa: Livre

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