Geral
O Rio Grande do Norte tem 172 espécies de animais ameaçadas de extinção, segundo a primeira lista oficial elaborada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema). O levantamento reúne animais que vivem em ambientes terrestres, rios, lagoas, estuários, manguezais e no litoral potiguar. Entre os casos classificados como "Criticamente em Perigo" estão o peixe-serra, o tubarão-martelo, o mero, a tartaruga-de-couro e o peixe-boi-marinho.
A relação também chama atenção pela diversidade de animais ameaçados. A lista inclui aves, mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, crustáceos, insetos e outros grupos. As espécies foram distribuídas em três categorias: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), seguindo critérios compatíveis com os utilizados internacionalmente para avaliar o risco de desaparecimento.
A publicação da lista estadual representa uma mudança importante para a proteção da fauna potiguar. Antes dela, o Estado não possuía uma relação própria reunindo, em um único documento, as espécies ameaçadas presentes nos diferentes ecossistemas do território. O levantamento contou com a participação de pesquisadores de instituições como Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa).
Entre os animais em situação mais crítica está o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus). O mamífero aquático é encontrado no litoral nordestino e aparece na lista potiguar na categoria Criticamente em Perigo. A espécie depende de ambientes costeiros preservados e sofre com diferentes pressões sobre seu habitat.
Outro caso é o mero (Epinephelus itajara), um dos maiores peixes encontrados no litoral brasileiro. A espécie também foi classificada como Criticamente em Perigo no RN. O animal está associado principalmente a ambientes costeiros e recifais e integra políticas nacionais de conservação de espécies ameaçadas.
A lista também coloca o tubarão-martelo (Sphyrna lewini) entre os animais marinhos em situação crítica no Estado. O mesmo ocorre com o peixe-serra (Pristis pectinata), espécie de grande porte que vive em ambientes marinhos e costeiros. Ambos aparecem entre os exemplos de maior nível de ameaça apresentados pelo levantamento estadual.
As tartarugas marinhas estão entre os animais mais conhecidos da fauna potiguar e também aparecem na lista estadual. São quatro espécies: tartaruga-cabeçuda, tartaruga-oliva, tartaruga-de-pente e tartaruga-de-couro.
A classificação não é igual para todas. A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) estão na categoria Vulnerável. Já a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) está classificada como Em Perigo. A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) aparece entre as espécies Criticamente em Perigo no levantamento potiguar.
A presença das quatro espécies mostra que a preocupação não se limita a um único animal ou a uma única área do litoral. As tartarugas utilizam praias para reprodução e diferentes áreas marinhas durante seu ciclo de vida, fazendo com que a conservação dependa tanto da proteção das áreas de desova quanto da redução das ameaças no mar.
O risco de extinção não está concentrado no litoral. Na fauna terrestre e continental, o levantamento aponta espécies como a ararajuba (Primolius maracana), o gavião-de-pescoço-curto (Leptodon forbesi), a jacucaca (Penelope jacucaca), a ema (Rhea americana) e a perereca-da-caatinga (Pseudopaludicola jaredi) entre os animais classificados como Criticamente em Perigo.
A ararajuba, conhecida pela plumagem predominantemente verde, amarela e vermelha, é um dos exemplos de aves ameaçadas que aparecem no levantamento. Já a jacucaca está relacionada aos ambientes de Caatinga e áreas de vegetação nativa, mostrando como a perda e a fragmentação dos habitats também representam um problema para espécies terrestres.
Outro destaque é o gavião-de-pescoço-curto, uma ave de distribuição mais restrita. A ocorrência de espécies com diferentes características ecológicas na mesma lista evidencia que o problema da conservação da fauna potiguar atravessa diversos ambientes.
Um dos pontos que tornam a lista de 2026 especialmente relevante é a inclusão de espécies menos conhecidas do público. A fauna ameaçada não é formada apenas por grandes mamíferos, tartarugas e aves.
A atualização da lista nacional de fauna publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 2026 também destacou espécies de invertebrados subterrâneos associadas a cavernas do RN. Muitos desses animais apresentam distribuição extremamente restrita e dependem de condições ambientais específicas para sobreviver.
Esse tipo de espécie ajuda a explicar por que a preservação da biodiversidade não pode ser medida apenas pela quantidade de animais facilmente observados. Uma alteração em uma caverna, uma área de vegetação, um rio, uma lagoa ou um ambiente costeiro pode atingir organismos que vivem exclusivamente naquele local.
As categorias utilizadas na lista estadual indicam diferentes graus de risco. Vulnerável significa que a espécie enfrenta risco elevado de extinção; Em Perigo representa uma situação de risco ainda maior; e Criticamente em Perigo corresponde ao nível mais grave entre as três categorias utilizadas no documento estadual.
A classificação leva em consideração fatores como tamanho e distribuição das populações, redução populacional, perda e fragmentação de habitats e intensidade das pressões sofridas pelas espécies. A metodologia segue critérios compatíveis com os adotados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), adaptados às características do RN.
É importante destacar que estar na lista não significa necessariamente que todos os indivíduos daquela espécie estejam prestes a desaparecer do Estado. A classificação indica grau de risco de extinção, a partir das informações científicas disponíveis, e serve para orientar ações de conservação.
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A relação estadual também tem efeitos práticos. A partir dela, as espécies ameaçadas passam a contar com uma referência oficial para orientar políticas públicas, fiscalização, pesquisas e decisões relacionadas à conservação ambiental.
No âmbito federal, os Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção são utilizados como instrumentos de gestão para estabelecer prioridades e ações voltadas à proteção das espécies e de seus ambientes. Atualmente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mantém planos específicos para grupos como tartarugas marinhas, peixe-boi-marinho, tubarões, aves da Caatinga e primatas do Nordeste.
No caso potiguar, a própria criação da lista é apenas uma etapa. O documento permite identificar quais espécies estão sob maior pressão e, a partir daí, direcionar pesquisas, fiscalização, recuperação de habitats e outras medidas de conservação.
Os 172 animais da lista ajudam a revelar uma característica pouco conhecida do Rio Grande do Norte: apesar de sua área territorial relativamente pequena, o Estado reúne uma grande variedade de ambientes e, consequentemente, diferentes comunidades de animais.
Há espécies associadas à Caatinga, outras dependentes de áreas florestais, rios e lagoas, além da fauna encontrada em manguezais, estuários, praias, recifes e no mar aberto.
Entre os animais potiguares classificados como Criticamente em Perigo estão:
| Animal | Nome científico | Ambiente |
|---|---|---|
| Peixe-serra | Pristis pectinata | Marinho/costeiro |
| Tubarão-martelo | Sphyrna lewini | Marinho |
| Mero | Epinephelus itajara | Marinho/costeiro |
| Tartaruga-de-couro | Dermochelys coriacea | Marinho/costeiro |
| Peixe-boi-marinho | Trichechus manatus | Marinho/costeiro |
| Ararajuba | Primolius maracana | Terrestre |
| Gavião-de-pescoço-curto | Leptodon forbesi | Terrestre |
| Jacucaca | Penelope jacucaca | Terrestre |
| Ema | Rhea americana | Terrestre |
| Perereca-da-caatinga | Pseudopaludicola jaredi | Terrestre/continental |
Esses animais representam apenas uma parcela das 172 espécies incluídas na primeira lista oficial de fauna ameaçada do RN. O levantamento mostra que o alerta está espalhado por praticamente todos os grandes ambientes naturais do Estado, do interior semiárido ao fundo do mar. Veja o documento completo.
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