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Explosão nos gastos: RN é 2º no Nordeste em despesas com Justiça e contracheques superam teto

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O estado aloca 9% do orçamento para o sistema de Justiça, ficando atrás apenas da Paraíba no Nordeste  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Freepik
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 24/02/2026, às 12h59



O Rio Grande do Norte destinou R$ 1,7 bilhão ao sistema de Justiça em 2024, o equivalente a 9% de todo o orçamento estadual. O percentual coloca o estado na segunda posição no Nordeste, atrás apenas da Paraíba, que aplicou 10,5% de suas receitas na área.

Os dados constam no relatório Justiça e Orçamento nos Estados 2026, elaborado pela Plataforma Justa, com base nas informações mais recentes disponíveis, referentes a 2024.

No cenário nacional, os estados analisados somaram R$ 93,2 bilhões em despesas com o sistema de Justiça no mesmo período.

Tribunal concentra maior fatia e folha domina orçamento

Do total aplicado pelo estado, R$ 1,2 bilhão foi destinado ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN), R$ 400 milhões ao Ministério Público e R$ 100 milhões à Defensoria Pública.

Segundo o levantamento, a dotação do tribunal potiguar supera a soma de 12 áreas do Executivo estadual, entre elas gestão ambiental, agricultura, assistência social, cultura, comércio e serviços, comunicações, ciência e tecnologia, habitação, indústria, desporto e lazer, trabalho e energia.

As despesas com pessoal representam a maior parcela do orçamento. No Rio Grande do Norte, cerca de 61% dos recursos do sistema de Justiça são consumidos por folhas de pagamento, o que corresponde a aproximadamente R$ 1 bilhão.

Entre os órgãos, o Ministério Público compromete 71% do próprio orçamento com pessoal, a Defensoria Pública 68% e o tribunal estadual 57%.

Em âmbito nacional, a média é semelhante. De acordo com o estudo, 67% dos gastos com Justiça nos estados são direcionados a salários e encargos, havendo unidades da federação em que esse índice ultrapassa 70%.

Créditos adicionais ampliam despesas ao longo do ano

O relatório também aponta que, em 11 estados, o crescimento do orçamento do sistema de Justiça entre 2023 e 2024 superou o aumento do orçamento geral do Executivo, ampliando a pressão sobre as contas públicas.

No Rio Grande do Norte, ao longo de 2024, foram abertos 116 créditos adicionais para o sistema de Justiça, somando R$ 116 milhões além do previsto inicialmente na lei orçamentária.

Desse total, R$ 98 milhões foram destinados ao tribunal estadual, R$ 17 milhões ao Ministério Público e R$ 2 milhões à Defensoria Pública.

Outros 24 créditos adicionais foram utilizados para complementar folhas de pagamento, sendo R$ 24 milhões para o Ministério Público e R$ 9 milhões para a Defensoria. O tribunal não solicitou créditos para essa finalidade.

Enquanto o sistema de Justiça recebeu reforços orçamentários, áreas como trabalho, energia e indústria registraram execução abaixo do previsto, com variações negativas expressivas.

Desembargador potiguar lidera ranking de salários

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça apontou que o presidente do TJ-RN, desembargador Ibanez Monteiro da Silva, recebeu em janeiro o maior rendimento entre magistrados estaduais do país.

O contracheque alcançou R$ 384,5 mil no mês, valor cerca de oito vezes superior ao teto constitucional do funcionalismo, fixado em R$ 46,3 mil, correspondente ao subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os dez maiores rendimentos do país em janeiro, outro integrante do tribunal potiguar apareceu na lista, o desembargador Amílcar Maia, com R$ 292 mil.

De acordo com os dados do órgão de controle, mais de 80% das remunerações do Judiciário brasileiro naquele mês ultrapassaram o teto constitucional. No caso do estado, todos os magistrados receberam acima do limite.

Pendências, verbas eventuais e média elevada

Os valores incluem direitos pessoais, indenizações e verbas classificadas como direitos eventuais, como licenças compensatórias e gratificações por exercício cumulativo.

Somente com direitos eventuais, o Judiciário estadual desembolsou R$ 16,7 milhões em janeiro, aproximadamente 60% do total pago aos magistrados no mês. A folha fechou em R$ 28,6 milhões, considerando vencimentos básicos, indenizações e adicionais.

O vencimento médio dos magistrados potiguares em janeiro foi de R$ 119 mil. Dos 240 contracheques analisados, apenas cinco ficaram abaixo de R$ 100 mil.

Em nota, o TJ-RN informou que o salário do presidente da Corte está dentro do teto constitucional.

Classificação Indicativa: Livre

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