Geral
O Brasil registrou um aumento no número de pessoas em situação de rua, que ultrapassou 365 mil em 2025, refletindo um crescimento contínuo desde 2022 após uma queda temporária durante a pandemia.
A Região Sudeste concentra a maior parte dessa população, com São Paulo liderando os números, enquanto fatores como a precarização das condições de vida e a falta de políticas públicas estruturantes contribuem para o aumento.
A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo anunciou a destinação de R$ 633 milhões para ações de apoio a essa população, incluindo a ampliação de programas de alimentação e serviços de acolhimento para reintegração social.
O número de pessoas vivendo em situação de rua no Brasil segue em crescimento e já ultrapassa 365 mil registros. Em dezembro de 2024, o país contabilizava 327.925 pessoas nessa condição.
Ao final de 2025, o total chegou a 365.822, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), da Universidade Federal de Minas Gerais.
O estudo foi elaborado a partir de dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), base utilizada pelo governo federal para identificar famílias em situação de vulnerabilidade social e definir o repasse de recursos aos municípios por meio de políticas públicas como o Bolsa Família.
Durante o período inicial da pandemia da covid-19, entre 2020 e 2021, houve uma redução no número de pessoas em situação de rua, que caiu de 194.824 para 158.191. No entanto, a partir de 2022, os registros voltaram a crescer de forma contínua, alcançando o maior patamar da série histórica no final de 2025.
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Sudeste concentra maioria da população em situação de rua
A maior concentração de pessoas em situação de rua está na Região Sudeste, que reúne 222.311 registros, o equivalente a 61% do total nacional. Em seguida aparece a Região Nordeste, com 54.801 pessoas nessa condição.
O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 150.958 pessoas vivendo nas ruas, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). Na outra ponta, o Amapá apresenta o menor número, com 292 registros.
De acordo com os pesquisadores do OBPopRua, quatro fatores principais explicam o aumento observado nos últimos anos: o fortalecimento do CadÚnico como principal ferramenta de registro dessa população; a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação; a precarização das condições de vida após a pandemia; e o impacto das emergências climáticas e dos deslocamentos forçados na América Latina.
Em entrevista à Agência Brasil, Robson César Correia de Mendonça, integrante do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, afirmou que, apesar da redução da insegurança alimentar grave no país, muitas pessoas continuam enfrentando dificuldades para se alimentar.
Segundo ele, os custos com moradia, medicamentos e despesas básicas seguem sendo obstáculos para quem vive com renda limitada. Mendonça destacou ainda que o avanço tecnológico tem dificultado a reinserção dessa população no mercado de trabalho, especialmente para quem não teve acesso à capacitação profissional.
Para o representante do movimento, o enfrentamento do problema passa por políticas públicas voltadas à qualificação profissional, combate ao preconceito, acesso à moradia e incentivo à empregabilidade.
“É preciso tratar a população em situação de rua como cidadãos desempregados que precisam de oportunidade para voltar ao mercado de trabalho”, afirmou.
Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo informou que vem atuando de forma integrada com os municípios para reduzir o número de pessoas em situação de rua.
Segundo a pasta, desde o início da atual gestão foram repassados R$ 633 milhões às prefeituras paulistas, sendo R$ 145,6 milhões destinados exclusivamente a ações voltadas para essa população.
Entre as iniciativas citadas estão a ampliação do programa Bom Prato, com a criação de 24 novas unidades, e o fortalecimento do Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial, voltado à reinserção social de pessoas afetadas pelo uso de substâncias psicoativas.
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