Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 09/01/2026, às 13h19
Um dos envolvidos na articulação de pagamentos a influenciadores digitais para publicar conteúdos críticos ao Banco Central é administrador de empresas associadas ao jornalista Leo Dias. A revelação surge após documentos obtidos pelo Jornal Estadão mostrarem a existência de uma estratégia organizada para colocar sob suspeita a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master, instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
Desde dezembro do ano passado, perfis de fofoca, política e entretenimento passaram a receber propostas de divulgação. De acordo com as apurações, André Silva Salvador procurava influenciadores afirmando participar de uma “gestão de crise” envolvendo um executivo do setor financeiro.
Nas conversas, ele oferecia “serviços de divulgação” e citava uma suposta parceria com Thiago Miranda, apresentado como “sócio do grupo Leo Dias”. No entanto, registros da Junta Comercial de São Paulo mostram que Miranda é dono da agência Mithi e também administra empresas do jornalista, como a Leo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda.
Mesmo com o nome de Miranda mencionado, quem aparecia formalmente nos contratos era a empresa comandada por Salvador, a UNLTD. Segundo o jornal, os acordos incluíam cláusulas de confidencialidade relacionadas ao chamado “projeto DV”, sigla que remete a Daniel Vorcaro, e previa multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo.
A UNLTD, que tem registro em Águas Claras, no Distrito Federal, possui capital social de apenas R$ 5 mil e é classificada como empresa de pequeno porte, mas foi por meio dela que toda a operação financeira foi centralizada. O movimento ganhou força após um despacho do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União, colocar em dúvida a decisão do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master.
Paralelamente, o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, acionou a Procuradoria-Geral da República pedindo investigação sobre possível abuso de autoridade no caso. Ao mesmo tempo, influenciadores passaram a divulgar conteúdos sugerindo irregularidades na atuação do Banco Central, alimentando questionamentos públicos sobre a decisão da autarquia.
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