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"Economia moral da magreza": Professora da USP alerta para o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras

Foto: Receita Federal
O uso crescente de canetas emagrecedoras levanta questões sobre a pressão social por corpos magros e suas consequências.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Receita Federal
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 03/05/2026, às 16h10



O crescimento exponencial no uso dos medicamentos injetáveis para perda de peso, conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", tem levantado um debate que vai muito além da balança. Para a professora Fernanda Scagluiza, das faculdades de Saúde Pública e Medicina da USP, vivemos sob uma "economia moral da magreza", onde o valor social de um indivíduo é medido pelo formato de seu corpo.

Segundo a pesquisadora, em entrevista ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, a sociedade atribui virtudes como disciplina e esforço a corpos magros, enquanto estigmatiza pessoas gordas com rótulos de "preguiça" ou "falta de vontade". Nesse cenário, as canetas emagrecedoras surgem como uma ferramenta que aprofunda essas desigualdades.

A "vacina contra a fome" e a medicalização

Um dos pontos mais alarmantes trazidos pela professora é a percepção do medicamento por parte dos usuários. Em estudos recentes, mulheres chegaram a descrever as canetas como uma "vacina contra a fome", tratando uma necessidade fisiológica e evolutiva como algo opcional ou até um inimigo a ser combatido.

"A gente passou a viver um tempo em que a comida deixou de ser um fenômeno sociocultural e passou a ser tratada como remédio. As pessoas não comem mais comida, elas dizem que vão 'comer proteína'", analisa Scagluiza.

Ela alerta que o uso do efeito colateral (como náuseas) como estratégia para "fechar a boca radicalmente" é extremamente perigoso para a saúde física e mental.

Retrocesso nos padrões de beleza

A professora acredita que o movimento de positividade corporal, que ganhou força nos últimos anos, está sofrendo um forte revés. Com a facilidade da "magreza farmacológica", a indústria da moda e a sociedade parecem retornar ao padrão da magreza extrema (tamanho zero), o que gera um cenário preocupante para crianças e adolescentes.

Para as mulheres, Scagluiza aponta um impacto político: "Diz-se que fazer dieta é o maior sedativo político para as mulheres. Enquanto nos preocupamos excessivamente com o tamanho da barriga, deixamos de focar em lutas fundamentais contra o machismo e por direitos", conclui.

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