O processo de cuidado em saúde não termina quando a vida se despede. Para muitas famílias, o falecimento de um paciente marca o início de uma nova etapa - repleta de dor, saudade e necessidade de apoio emocional.
Segundo a psicóloga Gilvania Guedes Teixeira Véras, da Casa Durval Paiva, é justamente nesse momento que o suporte institucional faz toda a diferença.
“O luto precisa ser assistido com o mesmo compromisso que o tratamento. O acolhimento pós-óbito é uma extensão do cuidado”, destaca.
Ela explica que, apesar da importância do tema, muitas instituições ainda não possuem protocolos que orientem as equipes sobre como agir após a morte de um paciente.
Essa ausência, segundo Gilvania, gera impactos tanto nos familiares, que ficam sem amparo, quanto nos próprios profissionais, que sentem a falta de diretrizes claras para lidar com o fim de uma trajetória de cuidado.
“Ter um protocolo multiprofissional para o pós-óbito é essencial para oferecer um acolhimento mais humano e organizado. Ele garante que a família seja amparada emocionalmente e que a equipe saiba como conduzir o processo”, ressalta a psicóloga.
O papel das instituições no cuidado após a despedida
De acordo com Gilvania, a construção de um fluxo estruturado para o momento do pós-óbito deve incluir diversas frentes de atuação, como acompanhamento psicológico imediato, orientações sobre trâmites administrativos e encaminhamento para grupos de apoio.
“São ações simples, mas que fazem toda a diferença na forma como as pessoas vivenciam o luto”, observa.
Ela aponta que estudos nacionais e internacionais reforçam os benefícios de práticas institucionais voltadas ao acolhimento no luto, que ajudam na prevenção de complicações emocionais e no fortalecimento dos vínculos de confiança entre a instituição e as famílias.
“O sofrimento não termina com o óbito, ele apenas muda de forma. Quando há uma rede de apoio estruturada, o luto se torna um processo menos solitário”, complementa Gilvania.
Casa Durval Paiva: cuidado que vai além do tratamento
Na Casa Durval Paiva, onde o acolhimento humano é parte central da missão institucional, a discussão sobre um protocolo multiprofissional pós-óbito representa um avanço natural no compromisso com as famílias.
“Nós acompanhamos o paciente e os cuidadores por toda a jornada. Pensar em um fluxo de apoio após a partida é garantir que esse cuidado continue mesmo depois do adeus”, explica a psicóloga.
Ela ressalta que, mais do que um procedimento técnico, o protocolo é uma forma de reafirmar o valor da vida e da empatia. “Cada família tem seu tempo e sua forma de lidar com a perda. O nosso papel é estar presente, oferecendo suporte e escuta nesse momento tão sensível”.
Para Gilvania, implementar diretrizes institucionais para o pós-óbito é um gesto de respeito e amor.
“O cuidado não termina com o fim do tratamento. Ele continua no abraço, na escuta e no compromisso de não deixar ninguém atravessar o luto sozinho”, diz.