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Cientistas desenvolvem pílula anticoncepcional masculina com efeito de até oito horas; entenda

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Segundo as informações divulgadas pelos cientistas, o medicamento deverá ser ingerido cerca de 30 minutos antes da relação  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/iStock
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 27/10/2026, às 11h46



Pesquisadores da Weill Cornell Medicine, instituição ligada à Universidade Cornell, em Nova York, estão desenvolvendo uma pílula anticoncepcional masculina não hormonal que poderá ser tomada pouco antes da relação sexual. A proposta é oferecer um método temporário, com efeito estimado de seis a oito horas, sem comprometer permanentemente a fertilidade.

Segundo as informações divulgadas sobre a pesquisa, o medicamento deverá ser ingerido cerca de 30 minutos antes da relação. Após o período de ação, a expectativa é que a capacidade reprodutiva retorne ao normal. No entanto, esses efeitos ainda precisam ser confirmados em estudos com seres humanos.

O projeto recebeu US$ 8,2 milhões em financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD). A pesquisa busca ampliar as opções de contracepção masculina, que ainda não contam com uma pílula aprovada para comercialização nos Estados Unidos.

Como a pílula pode impedir a gravidez

A pesquisa utiliza inibidores da enzima adenilato ciclase solúvel, conhecida pela sigla sAC. Essa enzima participa de processos importantes para o funcionamento dos espermatozoides.

Nos testes realizados em ratos, os pesquisadores observaram que a substância impediu temporariamente a movimentação dos espermatozoides, reduzindo sua capacidade de alcançar e fecundar o óvulo. A expectativa é investigar se um efeito semelhante poderá ser obtido em humanos.

A proposta é que o composto atue por algumas horas e depois perca seu efeito. Diferentemente de métodos hormonais, a abordagem busca interferir diretamente em um mecanismo necessário à mobilidade dos espermatozoides.

Testes em humanos ainda serão realizados

O medicamento ainda não está disponível para uso público. O próximo passo é preparar um ensaio clínico de fase 1, no qual homens saudáveis receberão a substância experimental ou um placebo. Os pesquisadores vão monitorar possíveis efeitos adversos e avaliar a movimentação dos espermatozoides para verificar se o efeito contraceptivo é temporário.

Se os resultados demonstrarem segurança, a pesquisa poderá avançar para etapas posteriores, com mais participantes e avaliações adicionais sobre eficácia. A concessão do financiamento representa um avanço no desenvolvimento do método, mas não significa que a pílula já tenha eficácia e segurança comprovadas em seres humanos.

Levantamentos citados pelos pesquisadores indicam que cerca de metade dos homens norte-americanos e entre 50% e 75% dos homens em pesquisas internacionais demonstraram disposição para utilizar um anticoncepcional masculino. Uma opção reversível e usada apenas quando necessário aparece como uma alternativa de interesse.

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