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Cardiologista desmistifica relação entre o consumo de vinho e a saúde do coração

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Descubra os mitos e verdades sobre o consumo de vinho durante a Semana Santa e seus efeitos na saúde cardiovascular.  |   BNews RN - Divulgação Foto: reprodução internet
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 03/04/2026, às 11h59



A Semana Santa traz consigo diversos costumes gastronômicos que se tornaram tradição no Rio Grande do Norte e no mundo. Dentre eles, destaca-se o hábito de consumir vinho durante as celebrações do feriado religioso. A crença de que o vinho, especialmente o tinto, traz benefícios diretos ao coração é antiga, mas ainda cercada de controvérsias no meio médico.

O cardiologista José Leitão, da Hapvida, explica o que há de evidência científica no tema e aponta quais aspectos são fatos e quais não passam de mitos.

“O vinho ganhou essa fama por causa de pesquisas observacionais, como o chamado paradoxo francês. Mas hoje sabemos que essa relação é mais complexa e envolve outros hábitos de vida, como a dieta mediterrânea e o nível de estresse”, explica.

Segundo ele, substâncias antioxidantes presentes na uva, como o resveratrol, podem até contribuir para a saúde dos vasos sanguíneos ao reduzir a oxidação do colesterol LDL, mas isso não significa que o consumo de álcool deva ser incentivado como "remédio". De acordo com o especialista, o principal ponto de atenção está na quantidade. O consumo considerado moderado é de até duas taças por dia para homens e uma para mulheres. Acima disso, os riscos aumentam significativamente, incluindo pressão alta, arritmias, derrame e miocardiopatia alcoólica.

“Quando passa desse limite, qualquer possível benefício desaparece e o impacto negativo no coração fica mais evidente”, alerta.

Além dos riscos cardiovasculares, o médico lembra que o álcool é uma substância com alto teor calórico e que pode sobrecarregar o fígado e o pâncreas, órgãos vitais para o metabolismo. Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que nenhum nível de consumo de álcool é totalmente seguro para a saúde global, o que exige cautela redobrada dos pacientes com histórico familiar de dependência ou doenças crônicas.

O profissional reforça que quem não bebe não deve adotar o hábito por motivos de saúde, já que os mesmos antioxidantes do vinho podem ser encontrados no suco de uva integral e na própria fruta, sem os efeitos nocivos do etanol.

“O ideal é o consumo consciente, sempre com moderação. E o mais importante é investir em hábitos comprovadamente eficazes, como alimentação equilibrada, prática de atividade física regular, controle rigoroso da pressão arterial e o abandono definitivo do cigarro”, conclui.

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