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Canetas emagrecedoras: uso sem orientação pode afetar o cérebro de idosos

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Especialistas ressaltam que as chamadas canetas emagrecedoras não devem ser tratadas como vilãs, mas com cuidado e acompanhamento  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/MedSênior
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 12/03/2026, às 15h20



Medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, como a Semaglutida e a Tirzepatida, ganharam grande popularidade no último ano entre pessoas de diferentes idades. Esses fármacos são indicados para o tratamento de condições como a Diabetes tipo 2 e também são utilizados no controle do peso corporal. 

Apesar dos avanços que representam na medicina, especialistas alertam que o uso indiscriminado dessas medicações, especialmente entre idosos, pode trazer riscos importantes à saúde. Para pessoas mais velhas, perder peso rapidamente nem sempre significa melhora da qualidade de vida.

Quando o emagrecimento afeta a autonomia

A redução rápida de peso pode parecer positiva à primeira vista. No entanto, para idosos, a perda de alguns quilos em pouco tempo pode indicar problemas adicionais. Com o envelhecimento, o organismo passa naturalmente por uma diminuição da massa muscular, processo conhecido como Sarcopenia.

Quando o emagrecimento ocorre sem acompanhamento nutricional e sem estímulo ao fortalecimento muscular, parte significativa da perda de peso pode vir justamente do músculo, e não apenas da gordura.

A diminuição da massa muscular pode provocar uma série de consequências para o dia a dia dos idosos, como:

redução da força e do equilíbrio

aumento do risco de quedas

maior probabilidade de fraturas

diminuição da mobilidade

maior dependência para atividades cotidianas

Esse processo pode acelerar o chamado declínio funcional, situação em que a pessoa passa a ter dificuldades progressivas para realizar tarefas básicas, como subir escadas, tomar banho ou levantar-se de uma cadeira.

Impactos também podem atingir o cérebro

A perda de peso acelerada também pode trazer efeitos indiretos sobre a saúde cognitiva. Entre os fatores associados estão desidratação, ingestão insuficiente de proteínas, deficiência de micronutrientes e perda de massa magra.

Essas condições podem afetar o funcionamento do cérebro. A desidratação, por exemplo, pode provocar confusão mental, piora da memória e sintomas que podem se assemelhar a quadros de demência.

Além disso, a fragilidade física e a perda de músculo estão relacionadas ao aumento de processos inflamatórios no organismo e à piora gradual do desempenho cognitivo ao longo do tempo. A redução da mobilidade também pode diminuir a participação em atividades sociais e estímulos mentais, fatores considerados importantes para a saúde cerebral.

Uso exige avaliação médica

Especialistas ressaltam que as chamadas canetas emagrecedoras não devem ser tratadas como vilãs. Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes em diversos países, oferecendo benefícios importantes para o controle metabólico e a prevenção de eventos cardiovasculares.

O problema surge quando essas substâncias são utilizadas sem avaliação individual adequada. Para pessoas com mais de 60 anos, recomenda-se que o uso dessas medicações seja precedido por uma avaliação geriátrica completa, incluindo análise da composição corporal, avaliação funcional e investigação nutricional detalhada.

Também é indicado o desenvolvimento de um plano de exercícios voltado para o fortalecimento muscular. Quando prescritos, esses medicamentos devem ser acompanhados por profissionais como geriatras, endocrinologistas, nutrólogos ou cardiologistas.

Classificação Indicativa: Livre

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