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A Starlink, da SpaceX, iniciou testes de conexão direta entre satélites e celulares, mas não possui licença para operar esse serviço no Brasil, onde a Anatel exige autorizações específicas para a prestação de telefonia móvel.
A rede de satélites Starlink, operada pela SpaceX de Elon Musk, começou a testar a conexão direta entre satélites e celulares comuns em alguns países O sinal vem do espaço para qualquer telefone com tecnologia 4G. Aqui no Brasil, porém, a empresa de Elon Musk não possui licença para prestar esse tipo de serviço móvel no país.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) esclareceu que, embora reconheça que a tecnologia Direct to Cell pode ampliar a cobertura de telefonia móvel, qualquer empresa para atuar nessa modalidade precisa de outorga específica de serviço móvel pessoal e de autorizações para uso de radiofrequências destinadas à telefonia celular.
Até o momento, segundo a Anatel, a Starlink tem autorização apenas para oferta de banda larga via satélite com antenas próprias, inclusive em áreas rurais e remotas, e não para conexão direta de celulares.
A Anatel também desmentiu boatos sobre a possibilidade de acesso gratuito à internet via Starlink em celulares no Brasil. O órgão regulador reforçou que, além de não haver autorização para o serviço móvel, a prestação gratuita em escala nacional exigiria discussão específica de modelo de negócios e de regulação, algo que não está em vigor.
Operadoras brasileiras perderiam espaço?
A popularização do Direct to Cell levanta a questão sobre o futuro das grandes operadoras móveis. Mas na prática, o modelo em teste em outros países se parece mais com cobertura complementar do que com substituição total das redes de Claro, TIM, Vivo e Oi.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a própria T-Mobile trata o serviço como “cobertura de emergência” em áreas de sombra, e não como substituto dos planos tradicionais.
O satélite da Starlink assume a conexão quando o aparelho perde o sinal das torres, mas o tráfego intenso de dados continua concentrado na infraestrutura terrestre, mais eficiente para grandes volumes. Assim, a tendência seria de cooperação e não de eliminação das empresas atuais, pelo menos não a curto prazo.
Além disso, o custo por gigabyte em redes de satélite ainda é mais alto do que em redes terrestres densas, o que torna pouco provável que a conexão via satélite assuma sozinha a demanda de dados de grandes centros urbanos.
A Starlink não avança sozinha
Além da empresa de Musk, outras como a Amazon, também aceleram projetos de constelações em órbita baixa com foco em banda larga e soluções corporativas.
Em novembro de 2025, o Amazon Leo e um terminal capaz de atingir até 1 gigabit por segundo foram apresentados ao mercado, reforçando a disputa por clientes empresariais.
Esse crescimento de constelações traz desafios de regulação internacional, risco de lixo espacial e impacto na observação astronômica, com estudos apontando aumento expressivo de rastros de satélites em imagens de telescópios.
Novas possibilidade de conectividade
Se a conexão direta ao celular for autorizada no Brasil e evoluir em desempenho, o Brasil pode ter mudanças significativas de conectividade e o atual modelo de negócios das operadoras poderá ser pressionado a reduzir pontos sem sinal.
Para o consumidor, isso significa mais conexão e melhores preços em regiões antes sem concorrência.
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