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O surfista potiguar Jadson André, de 36 anos, voltou a levantar o troféu do Circuito Banco do Brasil de Surfe em Guarapari. O atleta venceu neste domingo (6) a etapa disputada na Praia d’Ulé, no Espírito Santo, e garantiu o bicampeonato da competição, repetindo o resultado obtido em 2025.
A conquista ganhou ainda mais peso pelas condições enfrentadas pelo potiguar durante o campeonato. Jadson competiu com uma lesão no pé, problema que chegou a colocar em dúvida sua permanência na etapa. Mesmo com dificuldades para caminhar e apoiar o pé normalmente, ele avançou até a decisão e derrotou o catarinense Luan Wood na final masculina.
O resultado também marcou uma espécie de revanche dentro da temporada. Os dois surfistas já haviam se encontrado anteriormente no Circuito, na etapa de Imbituba. Na ocasião, Luan levou a melhor na semifinal. Em Guarapari, porém, Jadson conseguiu controlar melhor a bateria decisiva e terminou novamente no topo do pódio.
Potiguar aproveita as condições do mar
A final masculina apresentou um cenário diferente daquele encontrado na decisão feminina. A entrada do vento modificou as condições do mar e exigiu dos atletas uma leitura diferente das ondas disponíveis durante os 35 minutos de bateria.
Jadson conseguiu aproveitar o cenário para colocar em prática um repertório baseado principalmente no surfe de frontside e nos aéreos. As manobras ajudaram o potiguar a construir uma vantagem importante ao longo da disputa e administrar o resultado até o encerramento da bateria.
Do outro lado, Luan Wood apostou no surfe de backside nas esquerdas, buscando linhas mais longas e uma abordagem diferente para tentar recuperar a diferença construída pelo adversário.
O catarinense conseguiu uma nota expressiva de 7,27 pontos, mas teve dificuldades para encontrar uma segunda onda que pudesse substituir sua nota de backup. A situação acabou sendo determinante para o resultado final da bateria.
Jadson encerrou a decisão com 13,33 pontos, resultado da soma de suas duas melhores ondas, com notas 6,83 e 6,50. Luan Wood terminou com 12,60 pontos, obtidos a partir de 7,27 e 5,33.
Resultado da final masculina
Jadson André: 13,33 pontos — 6,83 + 6,50;
Luan Wood: 12,60 pontos — 7,27 + 5,33.
A diferença foi suficiente para garantir ao potiguar mais um título em Guarapari e reforçar sua campanha no circuito sul-americano.
Lesão quase tirou Jadson da competição
Depois da vitória, Jadson revelou que a lesão no pé tornou a participação na etapa uma verdadeira prova de resistência. Segundo o surfista, houve momentos em que ele considerou abandonar o campeonato porque sequer conseguia apoiar o pé adequadamente no chão.
Mesmo diante da dificuldade, o atleta decidiu permanecer na competição e concentrar sua atenção em cada bateria. A estratégia, segundo ele, foi não antecipar os problemas e seguir encarando um dia de cada vez.
Em declaração à WSL Notícias, Jadson atribuiu a conquista principalmente à sua fé e afirmou que não teria conseguido chegar ao título sem acreditar nos planos de Deus.
Mais uma vez, toda honra e toda glória sejam dadas a Deus. Sem Ele, seria impossível chegar até aqui e vencer esse campeonato. Eu realmente não conseguia pisar no chão direito e chegou a passar pela minha cabeça abandonar a competição. Mas, como alguém que confia nos planos de Deus, decidi pensar em um dia de cada vez e as coisas foram acontecendo”, afirmou.
A recuperação dentro da própria competição acabou se tornando um dos elementos mais marcantes da campanha. O surfista chegou à decisão ainda convivendo com o problema físico, mas conseguiu apresentar um desempenho suficiente para superar Luan e repetir o título conquistado no ano anterior.
Campanha de 2025 voltou à memória
Além da questão física, Jadson identificou outras coincidências entre a campanha deste ano e a trajetória que o levou ao título de 2025. Durante a etapa, algumas situações fizeram o potiguar lembrar da conquista anterior.
Uma delas envolveu o uso de equipamentos emprestados, algo que também havia acontecido na campanha do ano passado. Outro episódio foi o reencontro com Rickson Falcão, que ajudou o atleta durante a competição.
Jadson havia quebrado a única quilha que conseguia utilizar e precisou contar com a ajuda do amigo, que lhe emprestou uma peça para que pudesse continuar competindo.
Para o potiguar, a sucessão de acontecimentos acabou criando uma sensação de repetição da campanha vitoriosa de 2025, como se alguns dos elementos daquela conquista estivessem novamente aparecendo em seu caminho.
Antes da final, outra situação chamou a atenção. Jadson contou que uma pessoa perguntou se ele conseguiria vencer novamente a etapa. A resposta foi direta e demonstrou a confiança que o surfista mantinha mesmo diante da lesão.
“Vou ganhar de novo”, respondeu o atleta.
A previsão acabou se confirmando pouco depois, quando Jadson venceu a bateria decisiva e garantiu o bicampeonato em Guarapari.
Pé voltou a apoiar na final
Um dos momentos mais simbólicos da decisão aconteceu logo na segunda onda surfada por Jadson. Segundo o próprio atleta, foi a primeira vez durante toda a competição que conseguiu pisar normalmente na prancha.
A melhora, ainda que naquele momento específico, teve um significado especial para o surfista. Depois de passar as baterias anteriores convivendo com limitações físicas, ele conseguiu disputar a final com uma condição que não havia experimentado da mesma maneira ao longo do campeonato.
A sequência reforçou para Jadson a impressão de que a etapa de 2026 estava repetindo elementos da campanha do ano anterior. A lesão, os equipamentos emprestados, a ajuda de Rickson Falcão e, finalmente, a vitória na decisão formaram uma trajetória que o atleta classificou como especial.
O bicampeonato também teve um significado familiar para o surfista. Emocionado depois do resultado, Jadson dedicou a conquista à esposa, ao filho e aos demais familiares.
Estou muito feliz. Mando um beijo para minha esposa, meu filho e toda a minha família. Vou levar essa tartaruga (mascote da etapa) para o meu filho. Estou muito feliz e embalado para a próxima semana, porque já temos outro evento muito importante do ano pela frente”, declarou.
Etapa valeu pontos importantes para a temporada
A etapa de Guarapari foi encerrada neste domingo na Praia d’Ulé e reuniu alguns dos principais nomes do surfe sul-americano. A competição fez parte do Circuito Banco do Brasil de Surfe e contou com disputas válidas pelo QS 4.000 da World Surf League (WSL).
Além da premiação da etapa, os resultados tiveram impacto direto nas disputas do circuito continental. A competição distribuiu pontos para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America e também para o próprio Circuito Banco do Brasil.
O domingo começou com as semifinais das categorias masculina e feminina. Na sequência, os atletas classificados disputaram as duas decisões, em baterias com duração de 35 minutos.
O tempo maior de disputa permitiu que os surfistas tivessem mais oportunidades para analisar as condições do mar, selecionar as melhores ondas e construir suas notas durante a bateria decisiva.
No masculino, Jadson terminou como campeão. No feminino, o título ficou com Tainá Hinckel, que também encerrou a etapa no topo do pódio.
Campeões garantem US$ 8 mil
Além dos troféus e da pontuação para os rankings, os vencedores das duas categorias receberam US$ 8 mil em premiação cada.
Os pontos conquistados em Guarapari também são importantes para os atletas que buscam avançar na estrutura competitiva da WSL. Jadson e Tainá saíram da etapa com uma vantagem significativa na disputa pelo título sul-americano e pela classificação para o Challenger Series (CS) de 2027/28.
O desempenho em Guarapari, portanto, não representa apenas uma conquista isolada. A etapa faz parte de uma sequência de competições que pode definir os atletas que terão acesso a um dos principais degraus do surfe profissional antes da elite mundial.
Luan assume liderança do ranking
Apesar de ter terminado a etapa com o vice-campeonato, Luan Wood deixou Guarapari na liderança do ranking do QS. O catarinense somou pontos importantes ao chegar à decisão e manteve uma posição de destaque na disputa pela temporada.
A vitória de Jadson, por outro lado, impediu que Luan fechasse a etapa com o título, mas não retirou do atleta a liderança da classificação.
No feminino, também houve mudança importante no topo do ranking. Daniella Rosas, do Peru, ultrapassou Sophia Medina e assumiu a primeira posição.
Com isso, a etapa de Guarapari terminou com mudanças relevantes nas classificações e deixou ainda mais acirrada a disputa pelo ranking sul-americano da temporada 2026/27.
Para Jadson André, porém, o principal resultado foi a confirmação de que, mesmo diante de uma lesão que quase o tirou da competição, ainda era possível repetir o desempenho do ano anterior. Aos 36 anos, o potiguar voltou a conquistar o título em Guarapari e agora segue motivado para a próxima competição da temporada.
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