Esportes
por Lavínia Manso
Publicado em 06/10/2026, às 07h38
O potiguar Paulo Trigueiro, de 57 anos, economizou parte da renda durante cerca de dois anos para disputar o Campeonato Mundial de Triathlon de 2026, em Pontevedra, na Espanha. Sem patrocínio para custear a viagem, ele foi o único representante do Rio Grande do Norte classificado na categoria de 55 a 59 anos e concluiu a prova Sprint em uma hora e 24 minutos.
Para complementar o dinheiro reservado, o atleta vendeu bonés com publicidade de dois parceiros. A iniciativa rendeu pouco mais de R$ 2 mil, utilizados para ajudar no pagamento de alimentação e hospedagem durante a competição.
Os custos de viagem são sempre muito altos, então você tem que bancar tudo. Eu fiz uma poupança, passei dois anos poupando um pouquinho todo mês”, contou.
O esforço financeiro permitiu que Trigueiro voltasse a representar o Brasil em um Mundial, após a participação em Torremolinos, também na Espanha, em 2024.
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Em Pontevedra, o potiguar enfrentou um percurso com 750 metros de natação, 20 quilômetros de ciclismo e cinco quilômetros de corrida. As subidas previstas na etapa de bicicleta exigiram atenção especial durante a preparação.
Já na água, o desafio foi lidar com uma temperatura muito abaixo daquela à qual estava acostumado no Nordeste. Trigueiro utilizou roupa de neoprene para enfrentar o frio.
Eu nunca peguei uma água tão fria na minha vida. Eu estava louco para sair da água, até pensei: ‘Caramba, o que eu estou fazendo aqui?’”, relembrou.
Praticante de triathlon desde 2015, ele dedica entre dez e 12 horas por semana aos treinos. Nas fases mais intensas da preparação, essa carga chega a 14 horas semanais.
A classificação para o Mundial veio com os resultados de 2025. Trigueiro venceu as duas etapas da Copa Nordeste, realizadas em Olinda, em Pernambuco, e João Pessoa, na Paraíba. Com o desempenho, ficou entre os cinco primeiros do ranking brasileiro de sua categoria e assegurou a participação internacional.
Na Espanha, ele integrou uma delegação brasileira com 125 competidores, sendo 78 homens e 47 mulheres. Segundo o atleta, o Brasil teve a quinta maior representação nacional, atrás de Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha e Canadá.
A Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri) ofereceu uniformes, assistência mecânica para bicicletas e a estrutura da Casa Brasil. Embora tenha contado com esse suporte durante o evento, o potiguar pagou os principais custos da viagem com recursos próprios.
Sempre tive esse sonho de representar o RN e o Brasil. É sempre bom demais estar junto com a delegação, vestindo o uniforme do Brasil, é muito orgulho”, afirmou.
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