Esportes
por Lavínia Manso
Publicado em 29/07/2026, às 08h38
A proposta da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais de suas principais competições provocou forte reação da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa). Horas após o anúncio, dirigentes europeus passaram a discutir um possível boicote à Copa do Mundo de 2030, que terá Portugal e Espanha como principais sedes.
Segundo a emissora britânica Sky Sports, federações ligadas à Uefa marcaram uma reunião virtual para definir uma estratégia conjunta contra a iniciativa. A entidade considera que o projeto representa uma ameaça ao atual modelo de governança do futebol internacional.
A nova empresa, chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), será responsável pela gestão de direitos comerciais, contratos de transmissão, patrocínios, licenciamento e venda de ingressos das principais competições organizadas pela Fifa.
A Fifa estima que a Fifa Forward Enterprise tenha valor de mercado de cerca de US$ 20 bilhões e pretende vender até US$ 4,2 bilhões em participações minoritárias para investidores privados, mantendo o controle sobre as decisões esportivas.
Segundo a entidade, os recursos arrecadados serão destinados à expansão de programas de desenvolvimento do futebol e ao aumento dos repasses às 211 associações nacionais filiadas. Atualmente, cada federação recebe cerca de R$ 4 milhões por ciclo por meio do programa Fifa Forward, valor que poderá ultrapassar R$ 100 milhões até a Copa do Mundo de 2030.
A Fifa afirma que os investidores não terão influência sobre decisões esportivas, regulatórias ou sobre o calendário internacional, mas a falta de detalhes sobre a estrutura da empresa gerou questionamentos sobre transparência.
Em comunicado oficial, a Uefa afirmou que a proposta ultrapassa um limite institucional e colocou em dúvida a transparência da operação.
A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar, especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo",
declarou a entidade, que também pediu apoio de ligas, clubes, atletas, torcedores e governos contra o projeto.
O debate reacende discussões sobre a crescente comercialização do futebol internacional. Em 2018, a Fifa já havia tentado criar um fundo bilionário para financiar competições globais, mas a iniciativa foi abandonada após enfrentar resistência semelhante.
Além da oposição da Uefa, o projeto também passou a ser criticado por economistas do esporte, dirigentes políticos e representantes de torcedores, que temem uma maior influência do capital privado sobre a Copa do Mundo.
A Fifa informou que a criação da FFE ainda dependerá da aprovação do Conselho da Federação e da maioria das 211 associações nacionais filiadas. A entidade também negou rumores de que o presidente Gianni Infantino possa assumir um cargo executivo na nova empresa.
Mesmo em fase inicial, a proposta já desencadeou uma disputa sobre o futuro da gestão do futebol internacional, envolvendo o modelo de financiamento, a distribuição de receitas e os limites da participação de investidores privados na principal competição esportiva do mundo.
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