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Curta potiguar “Mariposa” é premiado em um dos maiores festivais de cinema do Brasil

Julia Tolentino
O curta-metragem 'Mariposa' é premiado no Festival de Brasília, destacando-se entre quase 2 mil obras inscritas e recebendo o Prêmio Zózimo Bulbul  |   BNews RN - Divulgação Julia Tolentino
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 21/09/2026, às 06h36



O curta-metragem potiguar “Mariposa”, dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor, foi premiado neste sábado (19) durante a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado no Cine Brasília. A produção recebeu o Prêmio Zózimo Bulbul de melhor curta e uma menção honrosa do júri oficial da Mostra Competitiva Nacional de Curtas, após ser selecionada entre quase 2 mil obras inscritas.

Gravado nas dunas da praia de Santa Rita, em Extremoz, no Rio Grande do Norte, o filme estreou durante o festival e foi um dos 12 curtas escolhidos para a disputa da Mostra Competitiva Nacional.

O Prêmio Zózimo Bulbul é concedido por um júri indicado pelo Centro Afrocarioca de Cinema e pela Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN). A premiação reconhece obras que contribuem para ampliar a presença, as narrativas e as perspectivas negras no cinema brasileiro, além de homenagear o legado de Zózimo Bulbul.

Filme foi reconhecido por sua abordagem sobre narrativas negras

Segundo o júri, “Mariposa” se destacou pela inventividade na representação de um território ancestral e pela criação de signos e significados próprios. A avaliação também apontou que a obra se distancia de estereótipos relacionados às produções negras e utiliza caminhos poéticos para transformar o território de origem em elemento central da narrativa.

Ao receber o prêmio, Alexandre Américo ressaltou a importância do reconhecimento e do legado de Zózimo Bulbul para o audiovisual negro brasileiro. Para o diretor, a premiação também representa o compromisso da equipe em criar novas imagens e narrativas.

Esse prêmio especialmente reflete o quanto nós estamos comprometidos em fabular e inventar outras narrativas e outras imagens, descoladas dessas imagens fixadas do que pode um negro produzir, do que pode uma comunidade negra produzir, do que pode a negritude produzir. Então acho que esse prêmio nos reconhece e nos aponta que estamos num caminho necessário”, afirmou.

Além do Prêmio Zózimo Bulbul, “Mariposa” recebeu uma menção honrosa do júri oficial da Mostra Competitiva Nacional. O reconhecimento destacou a articulação entre fotografia, montagem e som utilizada pela produção para abordar a vivência e a resistência de um território.

Para Pedro Vitor, a menção honrosa também representa o reconhecimento da pesquisa e da produção artística desenvolvidas por pessoas negras e pessoas com deficiência. O diretor ainda relacionou a premiação ao compromisso político assumido pela Torta Plataforma, produtora responsável pelo filme.

Essa Menção Honrosa também diz muito, para nós, desse senso de dever de inventar um mundo onde o capitalismo já destruiu. Então é um compromisso, antes de tudo político, que esse prêmio nos devolve, nos reconhece”, pontuou.

Com 14 minutos de duração, “Mariposa” foi produzido em preto e branco e aproxima elementos como memória, rito, natureza e território. A trama acompanha Dona Zefa, interpretada por Mãe Bianca de Omolú, e Oliveira, vivido por Alexandre Américo, apresentados como personagens encantados ligados ao território de Santa Rita.

Curta potiguar nasceu de pesquisa sobre encantarias

A produção surgiu a partir do encontro entre Alexandre Américo e Pedro Vitor e da aproximação de Pedro com as encantarias, a Jurema Sagrada e as religiosidades de terreiro do Candomblé.

Entre as referências utilizadas estão itãs, contos e narrativas transmitidos em rodas, xirês e rituais do Candomblé. O filme foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo e distribuído pela Ebó Filmes, de Rosy Nascimento.

Classificação Indicativa: Livre

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