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Publicado em 20/10/2025, às 14h47 Marina Gonçalves
Nas últimas semanas, o tema do metanol ganhou força no Brasil, após a substância, conhecida por ser um tipo de álcool inflamável, ser encontrada em bebidas alcoólicas compradas em adegas e bares.
Na última sexta-feira, 17, o Ministério da Saúde chegou a divulgar que 46 casos de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica foram confirmados, e outros 87 estão sob investigação.
Com o avanço dos casos e a enorme repercussão do tema, muitas pessoas têm optado por reduzir o consumo de álcool. No entanto, essa ‘pausa’ pode trazer benefícios muito maiores do que se imagina.
Em entrevista para o portal CNN Brasil, Natália Trevizoli, hepatologista do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, explicou que “quando uma pessoa interrompe a ingestão de bebidas alcoólicas, o fígado já inicia um processo de recuperação”.
De acordo com a profissional, em um curto período, é possível observar a diminuição da inflamação e a melhora do metabolismo de gorduras e açúcares. “As enzimas hepáticas, que costumam ficar elevadas, começam a cair, e o órgão passa a redirecionar sua energia para funções essenciais”.
O hepatologista Roberto de Carvalho, conselheiro científico do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), acrescentou ainda que “em dois a três dias, muitas pessoas já notam melhora do sono e da disposição”.
“Nas primeiras 48 a 72 horas, já é possível perceber mais energia. Em duas a quatro semanas, há normalização de marcadores hepáticos e redução da inflamação”, afirma o especialista.
A diminuição no consumo de bebida alcóolica também traz impactos positivos para o organismo. De acordo com Trevizoli, o sistema cardiovascular tende a ficar mais forte com a redução da pressão arterial e da frequência cardíaca. Além disso, o metabolismo retoma seu ritmo ideal.
“Há queda nos níveis de triglicérides, glicose e gordura corporal. O sistema imunológico se equilibra e o humor melhora. O corpo inteiro se reorganiza quando o álcool deixa de ser uma sobrecarga diária.”
Segundo a hepatologista do Hospital Sírio-Libanês, quatro semanas sem consumir bebida alcóolica é tempo suficiente para que os efeitos positivos sejam observados tanto em exames quanto na sensação de bem-estar.
“Três meses potencializam os resultados”, diz a profissional. No entanto, essa melhora é válida apenas para pessoas que não tem doença hepática.
Agora, para quem deseja dar um ‘respiro’ básico ao corpo, um mês de abstinência já faz diferença. De acordo com Roberto de Carvalho, pesquisas apontam que, em apenas 30 dias, existe a possibilidade de diminuir de 15% a 20% da gordura hepática, com melhora considerável da qualidade de vida.
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