Cidades
A investigação sobre um possível vazamento de questões do Enem 2025 se intensificou, com indícios de que o estudante Edcley Teixeira teve acesso a perguntas do primeiro dia da prova, além das já suspeitas do segundo dia, levantando preocupações sobre a integridade do exame.
Análises revelaram semelhanças significativas entre questões do Enem e materiais de estudo de Edcley, que também teria pago para que participantes de concursos memorizassem questões, aumentando as suspeitas de irregularidades.
O Ministério da Educação anulou três questões até o momento e acionou a Polícia Federal, que já cumpriu mandados de busca na residência do estudante, enquanto o Inep defende que a segurança da prova não foi comprometida e não planeja novas anulações.
A investigação sobre um possível vazamento de questões do Enem 2025 ganhou novos desdobramentos nesta semana. Ao que revelam os primeiros levantamentos, o estudante de Medicina Edcley Teixeira, já suspeito de antecipar perguntas do segundo dia da prova, pode ter tido acesso também a itens aplicados no primeiro domingo do exame.
Além das nove questões já mapeadas anteriormente, ao menos duas perguntas de Linguagens e Ciências Humanas apresentam semelhanças expressivas com conteúdos divulgados pelo universitário em materiais de estudo e apostilas utilizadas em seus cursos preparatórios.
Apesar da ampliação das suspeitas, o Ministério da Educação (MEC) anulou até agora somente três questões e confirmou que a Polícia Federal foi acionada para conduzir as investigações. O caso segue sob apuração do Inep, que mantém a posição de que o conjunto da prova não foi comprometido.
Itens idênticos e casos de antecipações reforçam dúvidas sobre integridade do exame
O material analisado revela situações praticamente iguais às cobradas no Enem. Em um dos exemplos, um exercício sobre produção de tijolos apresentava a mesma situação-problema, com dados coincidentes aos da prova oficial — mudando apenas uma das alternativas. A equipe de Edcley também divulgou, meses antes, questões de probabilidade e Química que posteriormente apareceram no exame.
O Inep, porém, afirma que não pretende anular novos itens e argumenta que memórias de questões pré-testadas ao longo dos anos não prejudicam a segurança da avaliação. Edcley dizia participar desses pré-testes e recorria a esse material em seus cursos, o que agora virou um dos focos da apuração.
Live impulsiona repercussão e desencadeia ações da Polícia Federal
A suspeita ganhou força após viralizar uma live em que o estudante apresentava exercícios quase idênticos aos aplicados no segundo dia do Enem. Um dia após a gravação repercutir, o MEC anulou três perguntas e confirmou que a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do universitário, no Ceará.
O ministro Camilo Santana reiterou que o resultado do Enem será mantido e que não há qualquer discussão sobre anular o exame como um todo.
Mensagens mostram pagamentos para memorização de questões
Conversas reveladas pelo g1 indicam que Edcley pagou participantes de um concurso público para memorizar questões e repassá-las, oferecendo valores a partir de R$ 10 por item. A prática, segundo ele, teria ocorrido “somente este ano”.
O estudante segue alegando que as coincidências se devem a “inspirações” e lembranças de pré-testes aplicados em ciclos anteriores. Ele também nega ter agido com intenção de fraudar o processo seletivo.
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