Cidades
Em 2025, o Brasil registrou 23.919 desaparecimentos de crianças e adolescentes, um aumento de 8% em relação ao ano anterior, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para prevenção e localização desses menores.
A maioria dos casos envolve meninas, representando 61% do total, e especialistas destacam a dificuldade em identificar as causas dos desaparecimentos, uma vez que muitos não têm desfechos documentados.
As autoridades utilizam o protocolo Amber Alert para ampliar as buscas, mas reconhecem a necessidade de melhorar a integração entre estados e a análise das diferenças regionais, enquanto a situação atual exige ações preventivas e políticas permanentes de proteção.
O Brasil fechou 2025 com 23.919 registros de desaparecimento de crianças e adolescentes, segundo dados enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
O número representa uma média de 66 casos por dia e um crescimento de 8% em relação a 2024, quando a média diária era de 60 ocorrências envolvendo menores de 18 anos.
Os dados expõem um cenário persistente e preocupante para as políticas públicas de prevenção, busca e localização em todo o país.
Recorte por gênero revela maior incidência entre meninas
Do total de registros nacionais:
• 61% envolvem meninas e adolescentes do sexo feminino
• 38% envolvem meninos e adolescentes do sexo masculino
Especialistas apontam que, embora o recorte por gênero ajude a dimensionar o problema, ainda há grande dificuldade em mapear as causas e motivações dos desaparecimentos, já que muitos casos não têm desfecho claramente documentado pelas autoridades.
Situação no Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, foram 775 desaparecimentos de crianças e adolescentes ao longo de 2025. A taxa registrada foi de 22,43 casos por 100 mil habitantes.
Embora o estado não esteja entre os maiores índices proporcionais do país, os números acendem um alerta para a necessidade de reforçar:
• Políticas de prevenção
• Protocolos de busca imediata
• Estratégias de localização
• Atenção especial a áreas socialmente vulneráveis
Amber Alert: ferramenta que amplia o alcance das buscas
Entre os mecanismos utilizados pelas autoridades está o protocolo Amber Alert, acionado em situações consideradas de alto risco.
O sistema divulga informações e imagens de crianças desaparecidas em redes sociais como Facebook e Instagram, ampliando o alcance das buscas em tempo real.
De acordo com o Ministério da Justiça, a ferramenta tem sido fundamental para agilizar localizações, mas há o reconhecimento de que a política nacional ainda precisa avançar na integração entre estados e na análise das diferenças regionais dos casos.
Caso recente que ganhou repercussão nacional
Um dos episódios mais recentes e que mobilizou o país ocorreu no Maranhão.
Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, além de um primo, desapareceram no dia 4 de janeiro após saírem para brincar em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.
Três dias depois, o primo das crianças, Anderson Kauã, foi encontrado com vida em uma área de mata no povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros do ponto onde haviam sido vistos pela última vez.
O resgate foi feito por produtores rurais que passavam pelo local em uma carroça e avistaram a criança em meio à vegetação.
Apesar das inúmeras pistas recebidas pelas autoridades, Ágatha e Allan seguem desaparecidos.
Abaixo, confira a cronologia dos momentos que marcaram as buscas pelos irmãos desaparecidos:
4/1 – Três crianças desaparecem em Bacabal
Três crianças desapareceram enquanto brincavam em uma região de mata do quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. A notícia gera alerta e mobilização imediata das autoridades. Buscas são iniciadas por familiares, amigos e policiais militares da região.
7/1 – Uma das crianças é encontrada
Após dois dias de buscas, uma das três crianças desaparecidas é localizada. O menino de 8 anos foi encontrado por produtores rurais da região. Com isso, as equipes intensificam os esforços para encontrar Ágatha Isabelle e Allan Michael, os dois irmãos que continuam desaparecidos.
8/1 – Roupas encontradas e recompensa de R$ 20 mil
A força-tarefa que trabalha nas buscas pelos irmãos encontrou um calção e uma sandália em uma área de mato. As buscas seguem intensificadas na área onde o primo deles, de 8 anos, foi encontrado.
No mesmo dia, o prefeito de Bacabal (MA), ofereceu uma recompensa de R$ 20 mil a quem tivesse informações ou estivesse com as crianças. Mesmo com a oferta de dinheiro, nenhuma informação chegou até as autoridades.
9/1 – Voluntários se unem às forças de segurança
Centenas de voluntários passam a integrar as buscas, que ocorrem em uma área de mata fechada. A região é detalhada como de difícil acesso, aumentando os desafios da operação.
10/1– Exército reforça buscas no 7º dia
O Exército e o Batalhão Ambiental entram na operação e reforçam as operações. As buscas se concentram em uma área próxima a um lago, após relato do menino de 8 anos, que alegou ter deixado os primos na região para sair em busca de ajuda.
11/1 – 8º dia de buscas e novas peças de roupa encontradas
Com cerca de 600 pessoas envolvidas, as buscas chegam ao oitavo dia. Voluntários encontram peças de roupas infantis em um matagal, levantando novas hipóteses sobre a localização das crianças.
12/1 – Família descarta roupas e PM promete continuar buscas
A família afirma que as roupas encontradas não pertencem às crianças. O comandante da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) disse que as buscas não vão parar até que os irmãos sejam localizados.
O desafio que permanece
Os números de 2025 mostram que, além das ações de busca, o país ainda enfrenta desafios estruturais para compreender o fenômeno dos desaparecimentos infantis e juvenis, exigindo:
• Integração de bancos de dados
• Respostas mais rápidas nas primeiras horas
• Ações preventivas nas comunidades
• Políticas públicas permanentes de proteção
O cenário reforça a urgência de tratar o desaparecimento de crianças e adolescentes como uma pauta prioritária de segurança pública e de proteção social.
Veja o ranking dos desaparecimentos de crianças por estado:
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