Cidades

RN registra um acidente de trânsito com vítima a cada 15 minutos, aponta Sesap

Adriano Abreu
Entre janeiro e agosto de 2026, o RN registrou um acidente a cada 15 minutos, com motocicletas envolvidas em 82% dos casos  |   BNews RN - Divulgação Adriano Abreu
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 24/09/2026, às 06h08



O Rio Grande do Norte registrou 23.317 acidentes de trânsito com vítimas entre janeiro e agosto de 2026, o equivalente a uma ocorrência a cada 15 minutos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (23) pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), durante uma programação da Semana Nacional do Trânsito, e mostram que as motocicletas estiveram envolvidas em mais de 82% dos casos registrados nas unidades de saúde do estado.

Do total de notificações contabilizadas pelo sistema Notifica RN, 19.158 estão relacionadas a motocicletas. Automóveis aparecem em seguida, com 1.215 ocorrências, enquanto bicicletas somam 1.174 registros e pedestres, 725.

Os números também mostram que agosto foi o mês mais crítico do período analisado. Foram 3.161 acidentes com vítimas, média de aproximadamente 100 registros por dia. Março foi o único outro mês a superar 3 mil ocorrências, com 3.080 notificações.

Acidentes com motocicletas pressionam atendimento hospitalar

A predominância das motocicletas nos acidentes também é percebida nas unidades de saúde. Segundo a direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, somente em setembro houve crescimento superior a 700% no número de pacientes que deram entrada na unidade após ocorrências envolvendo esse tipo de veículo.

Além dos acidentes com motocicletas, automóveis e bicicletas, o levantamento contabilizou 42 ocorrências envolvendo caminhões, 31 com ônibus ou micro-ônibus e 22 com veículos de tração animal. Outros 950 registros foram classificados como outros, ignorados ou não tiveram o tipo de veículo informado.

Para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a falta de habilitação é um dos fatores que ajudam a explicar o cenário. Bruno Duarte, representante do Núcleo de Comunicação Social da corporação, afirmou que dados da instituição indicam que metade dos proprietários de motocicletas no estado não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Homens jovens concentram maioria dos registros

Os homens representam 70,4% das vítimas de acidentes de trânsito contabilizadas no Rio Grande do Norte. Foram 16.417 vítimas do sexo masculino, enquanto as mulheres correspondem a 6.881 registros, ou 29,6% do total.

Entre as faixas etárias, pessoas de 20 a 29 anos aparecem como as mais atingidas, com 7.290 ocorrências. Desse total, 5.185 vítimas são homens e 2.105 são mulheres. O segundo maior número está entre pessoas de 30 a 39 anos, com 5.197 casos.

A concentração das ocorrências também varia conforme o dia da semana. O domingo ocupa a primeira posição, com 4.028 notificações, seguido pelo sábado, que contabilizou 3.661 casos. A segunda-feira aparece logo depois, com 3.605.

Álcool esteve relacionado a 40 mortes em rodovias federais

Outro dado apresentado pelas autoridades chama atenção para a relação entre álcool e acidentes fatais. Entre julho de 2025 e abril de 2026, 40 das 81 mortes analisadas em rodovias federais no estado estavam relacionadas ao consumo de bebida alcoólica.

O levantamento foi realizado conjuntamente pela PRF e pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). Para Bruno Duarte, os números reforçam a necessidade de mudanças no comportamento dos motoristas.

Esse é um número alarmante. Foi um levantamento conjunto da PRF com o Itep. E isso reforça a necessidade de conscientização. Todo mundo já sabe que é proibido beber e dirigir, mas muitas pessoas ainda insistem em cometer esse erro, e é um erro fatal", afirmou.

Acidentes geram impactos para famílias e serviços públicos

O secretário de Estado da Saúde Pública, Alexandre Motta, alertou que as consequências dos acidentes não se limitam às mortes. Vítimas que sobrevivem podem ficar com incapacidades permanentes e passar a depender de familiares, além de demandarem assistência dos sistemas de saúde e previdenciário.

Esse custo humano é muito grande para as famílias, porque quando o cidadão não morre, ele pode eventualmente ficar inválido, e ele não fica inválido só, alguém tem que tomar conta dele", afirmou o secretário.

Diante dos números, Motta defendeu a busca por novas estratégias para enfrentar o problema. Segundo ele, apesar das ações educativas e de fiscalização realizadas no estado, a quantidade de acidentes continua elevada.

Entre as alternativas consideradas estão a realização de seminários e a análise de experiências adotadas em outros locais que tenham conseguido reduzir os índices de acidentes. Para o secretário, é necessário buscar iniciativas que complementem as medidas já desenvolvidas no Rio Grande do Norte.

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