Cidades
Publicado em 31/01/2026, às 08h40 Mayane Lins
Em 2025, o Rio Grande do Norte alcançou a produção diária de 1 milhão de litros de leite, um marco histórico em meio a uma severa seca, refletindo mudanças estruturais e investimentos no setor leiteiro.
A produção é impulsionada por pequenos e médios produtores, que adotaram tecnologias modernas e práticas de manejo, além de políticas públicas que garantem assistência técnica e infraestrutura hídrica.
O governo estadual, em parceria com instituições como o Banco Mundial e o Sebrae, tem promovido a modernização da cadeia produtiva, enquanto a produção de queijos locais cresce, reduzindo a dependência de produtos de fora do estado.
Mesmo enfrentando um dos períodos de seca mais severos dos últimos anos, o Rio Grande do Norte alcançou, em 2025, um marco histórico na pecuária leiteira. Pela primeira vez, a produção estadual chegou à média de 1 milhão de litros de leite por dia, resultado inédito para o setor no estado.
O avanço ocorre em um cenário climático adverso e reflete mudanças estruturais na atividade, impulsionadas por investimentos em tecnologia, políticas públicas e maior profissionalização dos produtores rurais. A cadeia produtiva do leite está presente nos 167 municípios potiguares, com maior concentração nas regiões do Seridó e do Oeste, que formam a principal bacia leiteira do estado.
Produzir leite no semiárido impõe desafios permanentes, especialmente diante da irregularidade das chuvas. Para manter a atividade, práticas como o uso de palma forrageira, silagem e fenação passaram a ser estratégicas, garantindo alimento aos rebanhos durante os períodos de estiagem.
O governo estadual, por meio da Emater-RN e em parceria com prefeituras, tem ampliado o apoio aos produtores com assistência técnica, fornecimento de equipamentos e incentivo à produção e ao armazenamento de forragem. Também vêm sendo realizados investimentos em infraestrutura hídrica, como barragens subterrâneas, perfuração de poços e sistemas de irrigação de pequeno porte.
A pecuária leiteira potiguar é formada, em sua maioria, por pequenos e médios produtores, muitos deles agricultores familiares, com produção diária entre 200 e 800 litros. Nos últimos anos, esse perfil passou por um processo de modernização, com a adoção de ordenha mecânica, inseminação artificial e técnicas de melhoramento genético, inclusive em propriedades de menor porte.
Programas financiados com recursos do Banco Mundial, além da atuação de instituições como o Sebrae, contribuíram para elevar a produtividade e a qualidade do leite produzido no estado.
Outro fator que ajudou a sustentar o crescimento foi a política de preços adotada pelo governo estadual. Por meio do Programa do Leite, o valor pago ao produtor tem girado em torno de R$ 2,80 por litro, o que ajudou a reduzir os impactos da queda de preços observada em outras regiões do país, pressionadas pelas importações do Mercosul.
A transformação da cadeia produtiva também é visível no segmento de derivados. A produção de queijos avançou nos últimos anos e mudou o perfil do mercado local. Se antes a maior parte dos produtos comercializados vinha de outros estados, hoje cerca de 80% dos queijos encontrados nas prateleiras potiguares são produzidos no próprio Rio Grande do Norte.
O estado reúne desde grandes laticínios, com capacidade para processar mais de 150 mil litros de leite por dia, até uma rede crescente de queijeiras artesanais. Esse movimento foi impulsionado pela legislação estadual que regulamenta a produção artesanal e pelo trabalho do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (Idiarn), responsável pela fiscalização e pelo registro sanitário.
Com isso, os queijos artesanais potiguares passaram a acessar mercados fora do estado, agregando valor à produção local e ampliando as oportunidades para os produtores.
Apesar dos avanços, o mercado interno ainda apresenta espaço para expansão. Parte significativa do consumo de leite e derivados no estado continua sendo atendida por produtos de outras unidades da federação, o que indica potencial de crescimento para a produção potiguar.
As informações são do Agora RN.
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