Cidades
O Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAM) deu detalhes ao portal BNews RN, sobre as causa e registros de animais marinhos encontrados mortos ou resgatados no litoral do Rio Grande do Norte.
Só neste mês de agosto, dois golfinhos foram achados sem vida nas praias do litoral sul potiguar. Porém, cerca de 180 animais marinhos foram contabilizados e encontrados mortos nas praias do RN desde janeiro deste ano, segundo a instituição.
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Os dois encontrados agora em agosto, eram da espécie boto cinza, como explicou o médico veterinário do Cemam, Saul Motta, em entrevista ao portal BNews RN.
A espécie em questão se trata de um golfinho até que comum, aqui na nossa costa, que seria popularmente conhecido como boto cinza, então é um animal mais costeiro. Ele tem áreas já de alimentação, áreas que eles normalmente são encontrados aqui. Infelizmente, foi encontrado o óbito desses dois animais e a gente fez a avaliação da carcaça", relatou o médico veterinário.
Um dos golfinhos foi encontrado na praia de Ponta Negra e o segundo boiando no mar da praia da praia da Baía dos Golfinhos, em Pipa. O primeiro foi resgatado pela instituição para avaliação, já o segundo teve a carcaça recolhida pela própria população local.
A investigação do animal encontrado em Ponta Negra teve o seguinte resultado:
"Esse em Ponta Negra, a gente conseguiu fazer uma investigação desse animal, só que ainda está em fase de avaliação das amostras coletadas. Então, como primeiro resultado que a gente encontra é que esse animal poderia estar sugestivo com alguma causa natural. Ele já tinha algum tipo de infecção no pulmão, porém, ainda é muito cedo da gente bater o martelo e diagnosticar o que gerou o óbito desse animal, sem o resultado os demais exames que foram solicitados também", detalhou o Dr. Saul Motta.
Necessidade de investigação
Nos casos de animais marinhos já mortos ou resgatados para reabilitação, uma investigação pode ajudar a entender e chegar na causa da morte ou encalhe do animal.
Segundo o especialista do CEMAM, dentre as principais causas, pode-se citar a interação com rede de pesca, que pode ser sugestivo de um afogamento que possa ter levado esse animal a óbito, colisão com embarcação, com hélice, interação até com lixo também, e algumas causas indeterminadas.
No caso do animal em Ponta Negra, a gente não consegue ter a certeza do que pode ter gerado o óbito daquele animal devido ao avançado estado já de decomposição. Mas o primeiro resultado que a gente encontra é que esse animal poderia estar sugestivo com alguma causa natural, ele já tinha algum tipo de infecção no pulmão, porém, ainda é muito cedo da gente bater o martelo e diagnosticar o que gerou o óbito", explicou Saul.
Esse resultado depende ainda dos demais exames que foram solicitados também. O resultado pode sair em semanas, alguns já demoram um pouco mais de meses.
A orientação é que ao perceber um golfinho ou outro animal morto ou encalhado na praia a população "não tente ter nenhum tipo de interação, porque a gente não sabe o risco que aquele animal pode passar para a população".
"Então, a gente solicita que a pessoa mantenha distância, entre em contato com o CEMAM, caso não seja possível entrar em contato com o corpo de bombeiro, que irá entrar em contato com a gente, que a gente vai até o local fazer ou o resgate do animal vivo ou recolher a carcaça do animal para poder fazer um exame de necrópsia, um estudo, para poder tentar identificar a causa da morte daquele animal", orientou o médico veterinário do Cemam.
Animais resgatados na praias do RN
Um levantamento parcial do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAM), é que de janeiro a agosto de 2026 é que quase 180 animais foram encontrados mortos no litoral do Estado.
"Em comparação ao ano de 2025, teve-se um aumento, nesse mesmo período, a gente teve ao todo 100 animais. Em comparação a esse ano, já foi um pouco maior. Então, somando ao todo, desde o ano de 2025 até esse ano, 2026, a gente já tem quase 400 registros de animais encalhados mortos aqui nas praias do Rio Grande do Norte", relatou Saul Motta.
Ainda segundo o Cemam, esses registros são tanto de mamíferos marinhos, que seriam os golfinhos, as baleias, os grandes cetáceos que a gente fala, além de tartarugas marinhas, peixe-boi e aves marinhas também.
Para subsistência e sobrevivência desses animais, o ideal é que haja um trabalho de educação ambiental que busque conscientizar o público sobre a importância de cuidar do ecossistema, evitar jogar lixo nas praias e ter mais empatia pelos animais.
A ideia é mostrar que todos fazem parte do ecossistema e que um desequilíbrio ecológico pode trazer consequências não apenas para os animais, mas também para os seres humanos. Por isso, o Cemam orienta a população a evitar o contato direto e inseguro com esses animais e a não jogar lixo nas praias", enfatizou o dr. Saul.
Nesses registros que vocês têm, existe um mês que tem mais incidência desses casos?
"A gente acaba tendo mais incidência à ocorrência desses animais, principalmente no final do ano, início do ano. Coincide muito com a época de veraneio, então, consequentemente, tem mais pessoas nas praias, consequentemente, mais animais acabam sendo avistados, mas também coincide com épocas de vento, então, são épocas que ventam muito nesse período", contou o especialista e médico Saul Motta.
Espécies de golfinhos no litoral Rio Grande do Norte
Segundo o dr. Saul, além do boto cinza, outras espécies mais oceânicas também podem encalhar no litoral, como o golfinho-cabeça-de-melão e os estenelas, incluindo o golfinho rotador e outras espécies.
"Esses animais podem se aproximar da costa em busca de alimento ou por outras interações e acabar envolvidos em situações causadas pela ação humana, ficando presos, feridos ou até morrendo. Causas naturais também podem provocar encalhes", contou o médico.
Para onde ligar se encontrar um animal marinho encalhado?
A orientação é entrar em contato pelo WhatsApp ou Instagram do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAM).
Caso não seja possível, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros, que poderá entrar em contato com o órgão responsável.
Contatos:
Resgate CEMAM
84 98107-1085
84 9 9943-0058 (WhatsApp)
Corpo de Bombeiros - 192
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