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Durante sua primeira viagem apostólica à Turquia, o Papa Leão XIV usou uma mitra de origem brasileira, destacando a tradição litúrgica em contraste com o estilo contemporâneo de seu predecessor, o Papa Francisco.
A peça, confeccionada pela empresa Via Ápia Paramentos, simboliza a qualidade do material produzido no Brasil e foi escolhida para um momento de reconciliação e unidade na Igreja Católica.
A marca, fundada por um sacerdote, começou com a produção de bonés e se especializou em vestimentas litúrgicas, refletindo um compromisso com a beleza e a realeza de Cristo na liturgia.
Em uma viagem para a Turquia nos últimos dias, o papa Leão XIV, que tem se destacado ao adotar o estilo de vestimentas litúrgicas mais tradicional, vestiu uma peça de origem brasileira, encomendada na Via Ápia Paramentos, empresa sediada em Apucarana, no norte do Paraná.
A peça utilizada foi uma mitra confeccionada com fios dourados e símbolos da fé. A mitra é a insígnia litúrgica, uma espécie de chapéu alto e cônico, usada pelo Papa, bispos e outros dignitários da Igreja Católica durante cerimônias específicas.
A decisão pontífice contrasta com escolhas mais contemporâneas de seu predecessor, o Papa Francisco.
A responsável pela marca, Juliane Passoni, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, falou sobre o simbolismo da peça brasileira usa pelo líder católico.
“O mais emblemático foi a escolha de usar uma peça nossa em uma viagem apostólica, momento de reconciliação e afirmação da unidade”, afirmou.
“E há um sinal importante: o reconhecimento de que o Brasil produz material de alta qualidade, como os belíssimos paramentos usados pelos ortodoxos.”
A viagem para a Turquia aconteceu entre os dias de 27 a 30 de novembro. Essa foi a primeira Viagem Apostólica do Papa Leão XIV, inicialmente ao país.
O simbolismo das vestimentas e o perfil do papa
Segundo especialistas, a escolha das vestimentas reflete tanto o perfil pessoal do papa quanto os rumos do pontificado.
O padre Luís Fernando Alves Ferreira, mestrando em Liturgia na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, afirmou à ao jornal da Gazeta que “o papado é um símbolo em si mesmo, e ao longo dos séculos alguns sinais externos lhe foram acrescentados para melhor ilustrar isso de acordo com cada época”.
Em 12 de outubro, data dedicada a Nossa Senhora Aparecida, Leão XIV também recorreu ao trabalho da Via Ápia. “Foi um dia especial, uma providência muito significativa”, contou Juliane.
A pedido das peças confeccionadas no Brasil partiu de um sacerdote em Roma, que optou pela Via Ápia em razão do cuidado técnico. Os bordados presentes reúnem elementos essenciais à liturgia, como a cruz, a coroa de espinhos e a flor-de-lis, cujas três pétalas simbolizam a Santíssima Trindade. O formato remete à pureza de Maria, e uma linha de pequenas contas simboliza o rosário e a unidade da fé católica.
A história e evolução da Via Ápia Paramentos
O nome Via Ápia faz referência a uma das estradas mais antigas de Roma, responsável por conectar a capital ao sul da Itália e facilitar o comércio. A marca foi fundada por iniciativa do padre Antônio Dilben.
Segundo Juliane, a proposta nasceu do “amor e zelo pela liturgia da igreja, com o desejo de embelezar o altar e revelar, pelas vestes, a beleza e a realeza de Cristo”.
No início da fábrica, a confecção não era voltada à produção religiosa. Rose Passoni, mãe de Juliane, gerenciava uma fábrica de bonés até conhecer o padre Antônio, que sugeriu direcionar o trabalho para servir à igreja.
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